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Febre amarela na Zara

Em vez dos mosquitos, a doença é transmitida pelas montras da retalhista. De Espanha, está a alastrar-se por todo o planeta. Nos últimos meses, as redes sociais foram contaminadas por um blusão amarelo. A peça foi proposta pela Zara e reivindica o estatuto de artigo de vestuário mais viral dos últimos tempos. E, em qualquer lista de amigos nas redes sociais, pelo menos uma pessoa já foi afetada.

 

Tal como notaram nos últimos dias vários meios de comunicação social espanhóis especializados, não há dúvida: o blusão amarelo de polipele da Zara tornou-se viral. E, embora ainda esteja disponível na loja online (por 39,95 euros), é quase impossível encontrar um nas lojas físicas da marca.

A febre chegou a tal ponto que em plataformas de revenda podem encontrar-se exemplares ao triplo do preço, analisa o portal de moda do jornal El País, S Moda.

O blusão é ainda uma verdadeira personalidade das redes sociais. No Instagram, as contas @yellowjacketofficial e @chaquetaamarillazara registam há dias o rasto da peça vencedora da retalhista espanhola.

Na primeira, uma jovem mulher vagueia pela cidade vestida com o blusão com o objetivo de encontrar peças irmãs que se passeiem nas ruas. A segunda, recolhe imagens de mulheres e bloggers que partilham o seu look “Minion” – numa referência aos bonecos da mesma cor – no Instagram. Quando se escreve a hashtag #yellowbiker na rede social favorita da comunidade da moda, surgem de imediato mais de 100 resultados.

No Facebook, a epidemia assume contornos ainda mais surrealistas. Há uma comunidade – Víctimas de la chaqueta amarilla de Zara – cuja descrição elucida os mais distraídos sobre o impacto do blusão: «grupo de apoio e compreensão para todas as vítimas da #chaquetaplaga que invadiu as ruas de amarelo. Todas nós pensámos que ninguém iria comprá-la».

Sob esta temática, a página inclui imagens do blusão em diversas situações e locais: lojas, concertos, shoppings ou espaços de artigos em segunda mão. Graças às contribuições da comunidade vítima da peça de vestuário, a página acompanha cada imagem com um comentário e acrescenta a geolocalização de cada nova descoberta.

A autora da conta, confessa no seu blogue Rijuanarules, que tinha comprado o blusão e hesitou em devolvê-lo depois de ver os primeiros memes (imagens satíricas das redes sociais).

Porém, o que há de especial na peça para esta ter invadido as ruas espanholas (e portuguesas) sem piedade? Pode a priori um casaco de cor tão marcante fazer com que as consumidoras encarem o artigo como um daqueles difíceis de vender?

Embora o modelo também esteja disponível em azul (esta semana, a Zara, sempre atenta aos desejos das suas clientes, apresentou ainda uma versão rosa), o sucesso das vendas reside no design amarelo gritante. A cor é ainda uma ode ao bom tempo e diferente, o que pode ter levado muitas pessoas a formular raciocínios semelhantes.

As bloggers de moda tiveram, também, um papel crucial na disseminação da praga. Bloggers como Dulceida, Con dos tacones ou 100 vestidos não hesitaram em dar a sua aprovação ao blusão amarelo. Mas curiosamente, no ciberespaço, nem todos estão de acordo. A designer, DJ e blogger Miranda Makaroff, por exemplo, escreveu nas suas contas nas redes sociais «morte ao blusão amarelo da Zara».