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Feiras abrem portas nos EUA e Itália

Na abordagem aos vastos mercados dos EUA e da Itália, o segredo está na diferenciação e na escolha do certame mais adequado ao produto e segmento de mercado a que cada empresa se dirige – uma conclusão do evento “Feiras de vestuário e moda no mundo” organizado pelo CENIT.

Na sede da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção estiveram ontem, 25 de outubro, cerca de 100 empresas do sector têxtil, vestuário e calçado para conhecer melhor as feiras do UBM Americas Fashion Group, nos EUA, e da Pitti Immagine, em Itália, num evento organizado pelo CENIT – Centro de Inteligência Têxtil em parceria com a ANIVEC e a APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos. «Esta é a casa da indústria da confeção e do vestuário, mas esta manhã esta casa é de todo o sector da moda, porque contamos também com a colaboração e a presença do sector do calçado», afirmou César Araújo, presidente da ANIVEC, na sessão de abertura, tendo sido corroborado por Manuel Carlos, diretor-geral da APICCAPS, que acredita que «temos condições para iniciar uma colaboração muito frutuosa [entre o vestuário e calçado]».

«Podem esperar mais iniciativas e reuniões de trabalho deste género, sempre com o objetivo de contribuir para a competitividade das empresas portuguesas deste sector em todo o mundo», acrescentou César Araújo.

feiras2_26outubro2016A pensar nas empresas e na sua competitividade internacional, o CENIT – que, como referiu o seu CEO, Manuel Teixeira, pretende «puxar mais pelo sector» e contribuir para que a indústria de vestuário e confeção seja «a referência na União Europeia» –  apresentou o projeto de internacionalização conjunta de que é promotor, que nos próximos 23 meses irá contemplar a participação em 12 feiras internacionais, missões ao estrangeiro e missões inversas (com a presença de compradores estrangeiros em Portugal) mas que, como sublinhou Marlene Oliveira, responsável pela área internacional do CENIT, «é um programa aberto que podemos adaptar às necessidades dos empresários».

Como frisou João Maia, diretor-executivo da APICCAPS, «os projetos conjuntos têm esta flexibilidade que os projetos individuais não têm». Apostada em aumentar a notoriedade das marcas de calçado nacionais além-fronteiras, a associação tem realizado campanhas de comunicação, onde se integram também as feiras. «São uma atividade crítica de comunicação», referiu, revelando que o projeto da APICCAPS contempla atualmente 52 feira, distribuídas por todo o ano.

Com quase 325 milhões de habitantes, os EUA têm sido um mercado de referência para muitas empresas portuguesas, tanto do vestuário como do calçado. Mas há ainda muito a explorar, acredita Leslie Gallin, presidente de calçado do UBM Group Americas Fashion Group, entidade responsável pela organização de feiras sectoriais. «Os millennials e a Geração Z estão interessados em marcas com história», explicou durante a sua apresentação. «Essa é uma oportunidade para as marcas portuguesas, inseridas muitas vezes em empresas familiares», destacou.

feiras3_26outubro2016Com um vasto portefólio de certames, onde se inclui a MRKet, a Project, a Sole Commerce, a FN Platform e a Curve, entre outras, o UBM Group afirma-se como uma grande porta de entrada para o mundo, mas nem todas as chaves a abrem. «Fazemos sempre muitas perguntas para perceber qual é a feira que se enquadra melhor – é importante gerir as expectativas dos expositores», sublinhou Leslie Gallin, reforçando, desde logo, que a presença num certame profissional deve ser pensada a longo prazo. «Se é para ir a uma feira uma vez, não aconselho», afirmou.

O conselho é válido para feiras como a MRket e a Project, dois reputados certames de vestuário de homem nos EUA, apresentados por Lizette Chin, vice-presidente da MRket. «A MRket é uma feira mundial para o vestuário de homem de gama alta e luxo», introduziu, enquanto a Project – que se juntou com a MRket pela primeira vez em julho deste ano – «é o lado contemporâneo da MRket». Em ambas estão presentes grandes retalhistas, garantiu, citando compradores de grandes armazéns como Bergdorf Goodman e Barney’s.

feiras4_26outubro2016Deste lado do Atlântico, mais precisamente em Itália, também os principais compradores vão às feiras Pitti Immagine para conhecer as propostas dos milhares de expositores que passam por Florença. Posicionando-se como organizadora de feiras lifestyle, a Pitti Immagine contempla certames profissionais para a moda de homem, senhora e criança, recebendo «uma média de 5.000 candidaturas por edição», revelou o CEO Rafaello Napoleone. «Mas não queremos ser maiores do que o que somos agora», afirmou, até porque o espaço na Fortezza da Basso «é limitado».

Numa intervenção que encerrou o evento, Luís Reis, da Aicep, destacou a diversificação de mercados dos sectores do vestuário e do calçado, mas também como «mesmo nestes mercados [dos EUA e Itália] as exportações têm aumentado». Juntamente com Alexandre Freitas, responsável de projetos no CENIT, Luís Reis abordou ainda as condições para o acesso aos incentivos ao investimento do Portugal 2020, cujas candidaturas para projetos de internacionalização individuais estão abertas ainda até ao próximo dia 31 de outubro, informou Alexandre Freitas.