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Felipe Oliveira Baptista deixa Kenzo

A marca do grupo LVMH anunciou hoje que o designer português irá abandonar a direção criativa da casa de moda fundada por Kenzo Takada. Dois anos depois de ter entrado, Felipe Oliveira Baptista, que desenhou um novo logótipo para a marca, levou os tigres de Júlio Pomar para a passerelle e inovou nos desfiles físicos e digitais, sai da Kenzo.

Kenzo (outono/inverno 2021-2022) [©Kenzo]

A notícia foi dada há apenas algumas horas através de um press release, que anuncia que a saída será efetiva a 30 de junho, data em que termina o contrato que une o designer português e a casa de moda.

«Sinto-me honrado por ter servido esta fantástica casa e o legado do seu fundador Kenzo Takada», afirma Felipe Oliveira Baptista no comunicado, no qual agradece «às minhas equipas pelo seu talento e dedicação».

Também Sylvie Colin, CEO da Kenzo, expressa a sua gratidão ao designer «pelo seu talento, criatividade e contribuição para o desenvolvimento artístico da nossa casa de moda».

Os rumores de que Felipe Oliveira Baptista iria substituir a dupla Carol Lim e Humberto Leon na Kenzo começaram em meados de junho de 2019 e acabariam por se confirmar no mês seguinte. O primeiro desfile teve lugar em fevereiro de 2020, num cenário impressionante e reutilizável concebido pelo Bureau Betak, onde marcou presença o próprio Kenzo Takada.

“Going Places”, o nome dessa primeira coleção para a Kenzo, foi beber inspiração ao arquivo da marca na época do fundador, mas também às origens de Felipe Oliveira Baptista, dos trajes açorianos à pintura de Júlio Pomar, cujos tigres estamparam vestidos.

Com a coleção veio igualmente um novo logótipo para a marca. «Penso que a Kenzo procura [inspiração] em todo o lado. Tem uma mente muito aberta, otimista e livre. Foi uma das razões pelas quais retiramos “Paris” [do logótipo] e mantivemos apenas “Kenzo”», explicou, na altura, Felipe Oliveira Baptista ao Financial Times.

Já para a primavera-verão 2021, o designer bebeu inspiração na apicultura, com “véus” floridos, cujos estampados foram retirados do espólio da marca. O desfile de Bee a Tiger, como a batizou, decorreu ao ar livre e com o distanciamento social exigido no final de setembro.

Duas décadas de sucesso

Já em março deste ano, e com a impossibilidade de realizar um evento físico, Felipe Oliveira Baptista criou um espetáculo de dança, movimento e cor num vídeo que pretendeu ser uma homenagem a Kenzo Takada, falecido a 4 de outubro do ano passado. «Comecei a ver todos os vídeos (recentemente restaurados) dos desfiles da Kenzo de 1978 até 1985. Embora já conhecesse todas as roupas e coleções de arquivos, fotos, desenhos, revistas…, ver todas estas roupas fantásticas em movimento abriu uma nova perspetiva para o mundo de Kenzo», justificou o designer num jornal criado para apresentar a coleção e respetivo processo criativo, que partilhou na sua conta de Instagram.

Felipe Oliveira Baptista [©Kenzo]
Com base nesta visão holística, Felipe Oliveira Baptista apresentou propostas que são «um tributo a pessoas e mentes nómadas. Os destemidos, os otimistas e os que vagueiam de forma independente no mundo. Eles correm, dançam e celebram nas suas armaduras têxteis. A alegria e a emoção de chegar a algum sítio novo, inesperado e intocado. Um anseio visceral pela vida. Um desejo visceral pela liberdade», resumiu.

Felipe Oliveira Baptista conta com uma carreira internacional de quase duas décadas, tendo, entre outras, passado pela Lacoste, de onde saiu em 2018. No seu percurso consta ainda a sua marca epónima, que colocou em pausa em 2014, assim como diversos prémios, desde o Festival de Hyères, em 2002, ao ANDAM, no ano seguinte.

A sua saída da Kenzo é considerada pelo jornal francês Le Figaro «uma má notícia para a marca», enquanto a WWD avança que «será nomeado um sucessor a devido tempo e que a marca irá provavelmente perseguir uma nova direção».