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Felpos ganham nova popularidade

Inspirando-se para o seu design nos Spas e mercados de luxo, os fornecedores deram uma nova vida às toalhas graças a tecnologias de fibras inovadoras como o bambu, modal, seda e torção zero, entre outras. «As áreas onde pode haver algum potencial de crescimento no futuro são um novo lifestyle (conceito de estilo de vida) e nichos resultantes da inovação do produto», afirmou Reinaldo Chaves, representante de vendas nos EUA da Felpinter Sofil USA, que apontou a torção zero, o bambu e o Lyocell como alguns dos melhores exemplos das recentes inovações das fibras de alta-tecnologia. «Quer seja através de uma tecnologia que lhe confira um toque extra suave, um perfume agradável, propriedades anti-bacterianas ou anti-alérgicas, o nosso mercado tornou-se um pouco parecido com o da indústria de vestuário, usando novas tecnologias e novas fibras para causar “sensação”», acrescentou Reinaldo Chaves. «É neste aspecto que nos estamos a centrar, uma vez que não existe futuro para nós apenas no algodão egípcio ou nas toalhas Supima». Salo Grosfeld, presidente da J. R. United – o terceiro maior importador de toalhas de banho, com uma facturação de 69,5 milhões de dólares em 2004, está de acordo com esta posição. Grosfeld sublinhou que o mercado de toalhas de cor, que estima ser responsável por 85 por cento das vendas totais de toalhas, «está saturado e tem de haver uma razãopara além do preço para comprar toalhas». Dan Harris, vice-presidente e responsável pelas vendas e desenvolvimento do produto daRevere Mills,revelou que«artigos de qualidade superior vindos do exterior, com novas construções e fibras, estão a causar impacto». A sua empresa – o quinto maior fornecedor/importador de toalhas de banho dos EUA, com um total de vendas de 45,8 mil milhões de dólares em 2004 – acrescentou ao seu portfolio uma linha de conjunto de banho fabricada na Índia que conta com uma composição tripartida de bambu, seda e algodão. Este impacto da inovação está a fazer-se sentir noutros elos da indústria e também no seu coração, o sourcing. Na preparação para um mercado pós-quotas, os players da categoria dos felpos, tanto fornecedores como retalhistas, viveram um 2004 com muitos sobressaltos. As quotas para artigos como as tolhas de felpo foram esgotadas muito cedo obrigando alguns fornecedores estrangeiros a encerrar e muitos dos artigos não conseguiramentrar no país. Alguns dos fornecedoresamericanos não conseguiram cumprir as encomendas e os retalhistas ficaram com os artigos que conseguiram obter. Embora estes acontecimentos tenham mantido a procura elevada, não ajudaram a tendência da deflação dos preços, a qual foi apontada pelos fornecedores como prejudicial para aindústria dos felpos ao longo do último ano, impedindo-a de certa forma de crescer mais. A Shaw Living, activa na área dos tapetes de casa de banho desde que adquiriu a Georgia Tufters em 2003, afirmou que a categoria sofreu uma “enorme” deflação dos preços em 2003 e 2004. Jeff Meadows, presidente desta filial,declarou que«no caso dos tapetes de casa de banho, diria que em termos de vendas se registou uma descida de 4 a 5 por cento e em termos unitários uma subida de 7 a 10 por cento ». A Shaw Living é o quarto maior fornecedor de tapetes de casa de banho dos EUA, com vendas no total de 50 milhões de dólares em 2004. Meadows acrescentou ainda que«a deflação dos preços no ramo dos tapetes nos últimos dois anos tem sido enorme. Esta deve-se sobretudo à concorrência. De forma geral, verificaram-se quedas em termos de vendas nas encomendas a grosso, uma vez que as importaçõesresultaran no alargamentoda fatia de mercado para os produtos de banho, particularmente para as toalhas». «Em 2005, os fornecedores americanos de toalhas de banho temem ter ainda mais razões para se preocupar», explicou Ajay Anand, director-geral e executivo da Faze 3 – um fornecedor sedeado na Índia que recentemente alargou a sua capacidade para produzir tapetes de casa de banho em resposta ao fim das quotas. Para Anand, «este ano (2005) vai observar-se uma mudança na importação de tapetes cujo revestimentoda baseé em látex, uma vez que era fornecido pelas quatro fábricas nacionais. Os tapetes importados de poliamida começarão a chegar ao retalho durante este ano. É apenas uma questão de tempo, já que desde o fioàs máquinas tudo está pronto e o produto não tardará a aparecer. Pode demorar 12 a 18 meses, mas a tendência será certa». Com estas capacidades de produção no exterior, os retalhistas abandonam cada vez mais os intermediários e dirigem-se directamente à rota de importação. «O sourcing no estrangeiro está a tornar-se dominante nos têxteis-lar, especialmente quando as principais fábricas dos EUA estão a encerrar, passando elas próprios a importar, assim como muitos dos principais retalhistas», disse Dan Harris. Akhil Jindal, presidente da Welspun India, afirmou ter notado «uma diferença nos padrões de sourcing das categorias de roupa de cama e felpos». Acrescentando que na era pós quotas todas as grandes cadeias de retalho optaram pela importação directa e também criaram escritórios/armazéns de sourcing na Índia, China e outros locais. «As importações directas vão igualmente aumentar por parte dos discounters, cadeias especializadas em têxteis-lar e cadeias de segmento médio», sustentou Jindal. A Creative Bath Products importa uma grande parte dos seus artigos de casa de banho – acessórios e cortinas para banho – e afirma que muitos dos seus clientes de retalho estão a fazer o mesmo. «Estamos todos conscientes do preço e todos temos a opinião que os padrões de qualidade se manterão (com as importações)», afirmou Rick Lipton, responsável pelas vendas. Em 2004, a empresa foi o terceiro maior fornecedor dos EUA de acessórios de banho, com vendas no valor de 49 milhões de dólares, e o quinto maior fornecedor de cortinas para banho, totalizando vendas no valor de31 milhões de dólares. Lipton adiantou ainda que«trata-se que, para todas as partes envolvidas, para continuar a crescer e manter-se dinâmico todosnecessitarem de ter uma margem de lucro. Todos sabem que é necessário importar para conseguir obter essa margem. Se e quando a pressão sob os preços diminuir, poderemos assistir novamente a um crescimento da indústria nacional». A Saturday Knight Ltd descreve-se como uma das primeiras empresas americanas a optar pela importação de acessórios de banho. «Penso que os retalhistas que estão a importar directamente,vão descobrir em breve o que nós já sabemos há muito tempo, isto é, que existem muitas desvantagens na importação directa. É preciso ponderar se os benefícios acabam por ultrapassar os malefícios, por exemplo a necessidade de controlar o stock, e se o investimento inicial é suportável na parte final do processo» sustentou Dianne Weiman, vice-presidente da área das vendas e design.É um processo que envolve muita gente, desde quem gere e controla o stock e escolhe os artigos até quem analisa a aceitação do produto. Será que os custos envolvidos ainda possibilitam a rentabilidade? «Só o tempo o dirá», acrescentou. Salo Grosfeld, da J. R. United, está optimista e afirmou que o tempo está do lado dos fornecedores americanos. «Penso que a importação directa estabilizará até ao final do ano e os retalhistas voltarão a ser retalhistas, isto é, preocupar-se-ão com o aspecto das lojas e como podem atrair os clientes às mesmas. Se se centrarem apenas no preço eliminar-se-ão a eles próprios».