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Fepsa usa fibras sintéticas em feltros

Num projeto com a Universidade do Minho, a empresa está a introduzir fibras sintéticas e a funcionalizar os seus feltros além da impermeabilização. O NanoFelt, como foi batizado, deverá permitir à Fepsa diversificar a oferta e, dessa forma, expandir-se para novos mercados, incluindo o da saúde.

[©Fepsa]

A escassez da lã, que está a ser cada vez mais usada em diversas áreas e a fazer aumentar os preços, levaram a Fepsa a procurar alternativas para os seus feltros. «Surge num contexto de necessidade de criar dinâmicas de inovação e num momento em que se começa a notar uma escassez de lã a nível mundial, porque as lãs que usámos são lãs superfinas», explicou Acácio Coelho, diretor técnico e de I&D da Fepsa durante o webinar “Fibras Naturais como Driver de Sustentabilidade”, promovido pela plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho.

Habituada a trabalhar com matérias-primas com preços elevados – as lãs variam de 15 a 40 euros por quilograma e, nos pelos, o valor pode ascender a 300 euros –, a empresa decidiu procurar novos materiais para introduzir na sua cadeia produtiva e usar o know-how, acumulado desde a sua criação, em 1969, para expandir a sua oferta.

Acácio Coelho [©Fibrenamics]
«Com esta parceria com a Universidade do Minho foi-nos proposto desenvolver um produto com feltros diferenciadores com a introdução de fibras sintéticas. Obviamente que as fibras sintéticas não feltram, mas o objetivo foi melhorar o grau de incorporação dessas fibras no feltro produzido nas nossas instalações», afirmou Acácio Coelho. Além disso, o projeto pretendia ainda «proceder à funcionalização dos mesmos em multiescala», adiantou.

Para conseguir isso, «foi necessário proceder a alterações, quer na própria fibra [sintética], quer no processo, para permitir essa incorporação», indicou o diretor técnico e de I&D da Fepsa.

Novas perspetivas

O NanoFelt permitiu à empresa produzir feltros com mistura de fibras naturais, nomeadamente lã e pelo de coelho, com fibras sintéticas (até 30%), obter uma melhoria das propriedades mecânicas, permeabilidade ao ar e hidrofobicidade e funcionalidades antimicrobianas, autolimpantes e antiestáticas nos feltros. Neste âmbito, foi estudada a incorporação de poliéster, acrílico e poliamida, sendo que «a que sortiu melhor resultado foi a poliamida», revelou Acácio Coelho. A funcionalização foi feita «quer na mistura das fibras, quer no próprio feltro após a feltragem», acrescentou.

«As fibras sintéticas têm um preço de mercado inferior a 2,5 euros por quilo. Quando comparadas com os preços médios das nossas fibras, que andam nas várias dezenas de euros por quilo, induz aqui uma redução significativa no produto e permite também produtos para segmentos específicos», salientou o diretor técnico e de I&D.

[©Fepsa]
Isso, a juntar às novas funcionalidades, deverá alargar a abrangência da oferta da Fepsa. «O mercado que dominamos atualmente é o chamado mercado de nicho e, portanto, temos todo o interesse em entrar em novos mercados para fazer com que a empresa cresça», admitiu Acácio Coelho.

Para já foram desenvolvidos protótipos distintos, nomeadamente um chapéu técnico, artigos para calçado e o revestimento de próteses e ortóteses para membros superiores e inferiores.