Início Notícias Vestuário

Fermir mais “verde”

O crescimento da empresa, que recentemente inaugurou um novo pavilhão para uma melhor organização e eficiência, está a ser acompanhado por novos investimentos em energia fotovoltaica, que visam contribuir para uma produção mais amiga do ambiente.

António Fernandes, Emanuela Novais e Nuno Fernandes

O investimento em energia solar começou em 2017, com a criação de uma central fotovoltaica, para autoconsumo, com uma potência instalada de 110,2 kWp (quilowatt pico). «Criámos um departamento de sustentabilidade que abrange o ambiente e a economia e foi nesse contexto que pusemos os painéis solares», justifica António Fernandes, que fundou a empresa com Emanuela Novais, partilhando ambos a administração da mesma com o filho Nuno Fernandes.

Fermir Tech

Só em 2019, o investimento, no valor de 90 mil euros, permitiu evitar a emissão de 68 toneladas de CO2, calcula a Fermir, valores que sairão reforçados com a ampliação prevista ao nível dos painéis fotovoltaicos, tanto no pavilhão principal como no segundo pavilhão onde a empresa instalou a Fermir Tech. Aí já são 250 kVA (quilovoltampere) e estão incluídos num investimento de 250 mil euros realizado pela empresa nesta nova unidade. «Não tínhamos mais terreno para crescer aqui [em Mesão Frio] e tivemos que nos deslocar para uma zona industrial em Sande. Aí temos 25 mil metros quadrados de terreno, onde temos já um pavilhão de quatro mil metros quadrados e estamos com um projeto para fazer mais dois mil metros quadrados cobertos», revela António Fernandes.

O pavilhão da Fermir Tech agrega atualmente a estamparia, tanto por sublimação como digital, «mas a ideia é colocarmos aí a lavandaria e tudo o que seja húmido», conta António Fernandes. Isso inclui uma tinturaria, um projeto que a pandemia colocou em stand-by, mas que faz igualmente parte da estratégia. «A ideia é ser o mais vertical possível», assume o administrador.

Subir de gama

Atualmente, a empresa, que emprega 190 pessoas, apenas não tem dentro de portas a confeção das produções – que faz junto de parceiros e na fábrica que detém em Marrocos –, mas também isso consta dos planos, embora direcionada para um tipo de confeção especializada.

Fermir

«Atualmente temos confeção, mas só produz amostras», explica Daniela Xavier, diretora-geral da empresa. «Indiretamente devemos ter, à vontade, 2.000 a 2.500 pessoas na parte da confeção. Se tivéssemos essas pessoas todas diretamente, com todos os custos e dada a instabilidade do mercado, seria muito arriscado», sublinha Nuno Fernandes. A ideia é, por isso, «ter uma confeção de 40 ou 50 pessoas», adianta António Fernandes, «mas sempre para a gama média-alta», acrescenta Nuno Fernandes.

Esse é, de resto, um dos objetivos da Fermir, que realiza 99% do seu volume de negócios nos mercados internacionais – de Espanha a Hong Kong, passando por Inglaterra, Rússia, Estónia e Bélgica – e trabalha sobretudo com a Inditex, a Mango, a Primark e a Desigual. «Estamos agora a entrar em clientes de gama média-alta. Queremos servir os dois tipos de clientes: a fast fashion e a gama mais alta», aponta António Fernandes.

De olho nos EUA

O futuro da Fermir faz-se também com a sustentabilidade ambiental e social em mente. Na primeira, a empresa tem diversas certificações – como a Organic Standard Content ou o Recycled Claim Standard – assim como o projeto Feel 360º, onde, por exemplo, recolhe o seu desperdício, que é depois reciclado e transformado em novos fios. Na segunda, além da doação de peças com defeito a associações, tem particular preocupação com os trabalhadores, para os quais criou condições melhoradas, nomeadamente nos espaços comuns, que foram reformulados até para minimizar o impacto da pandemia no quotidiano, e com o emprego local.

Daniela Xavier

«Houve casos em que tínhamos encomendas alocadas a Marrocos mas pusemo-las aqui, para manter os nossos parceiros», desvenda Nuno Fernandes. Essa é, de resto, uma das “obrigações” que a Fermir assume. «Queremos continuar a construir emprego, dar cada vez mais emprego às pessoas da freguesa e continuar a estar próximo da localidade», garante.

Nesta expansão, o mercado americano é uma das ambições, embora a curto prazo a meta seja «sustentar o negócio», indica Daniela Xavier. Em 2020, a empresa registou uma queda de 36% no volume de negócios, que passou de 49,5 milhões de euros em 2019 para 32 milhões de euros no ano passado. «Mas acho que estrategicamente a Fermir até está um passo a frente do que estava no ano passado», assegura a diretora-geral da empresa, dando conta de um forte investimento na equipa comercial. «Estamos aqui para trabalhar estes novos clientes, tanto os comerciais como os nossos designers e responsáveis de desenvolvimento de amostras», salienta.