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Fiação da Graça aposta na malha

Decidida a diversificar o seu portefólio de produtos, a Fiação da Graça alargou o core business dos fios laneiros para tecidos às malhas, num projeto cujo sucesso se deve tanto à inovação tecnológica realizada dentro de portas como ao trabalho de equipa do efetivo.

A produção de fios para malhas abriu novas perspetivas de negócio para a Fiação da Graça, não só além-fronteiras mas também no mercado interno. «Contrariamente àquilo que muitas vezes é a ambição das empresas, conseguimos fazer mais o mercado nacional, nomeadamente na parte das malhas», revelou, ao Jornal Têxtil, a diretora-geral Carla Freitas, num artigo publicado na edição de fevereiro.

Os fios para tecidos representam ainda 50% da atividade da fiação, enquanto para malhas constituem 20% e os fios técnicos são responsáveis pelos restantes 30%. «Fazemos também alguns desenvolvimentos para o sector dos estofos, mas ainda não tem impacto em termos da faturação», acrescentou.

Mantendo-se fiel à matéria-prima primordial – a lã –, a Fiação da Graça está a desenvolver mais funcionalidades para os fios e novas misturas. «Fomos um bocadinho pioneiros em alguns desenvolvimentos de fibras longas com Tencel, trabalhamos com linho e poliéster e agora também com poliéster reciclado», destacou Carla Freitas. A sustentabilidade nos processos é também uma preocupação. «Temos projetos de racionalização energética e estamos a antecipar-nos às nossas próprias metas», afirmou a diretora-geral, que explicou ainda que «temos ideias para utilizar alguns dos nossos próprios desperdícios e desenvolvermos uma linha de produtos totalmente reciclada».

O mercado nacional constitui 20% das vendas, que em Portugal estão centradas em fios para malhas circulares. «Posicionámo-nos num mercado de nicho de produtos de valor acrescentado para malha circular. Não é propriamente fio para fast fashion, é fio para desporto ou para aplicações com mais-valias», referiu a diretora-geral.

A diversificação de produtos exigiu mudanças ao nível dos equipamentos, que tiveram de ser adaptados para produzir fios mais finos. «Tivemos de adaptar, de investir, seja no sistema compact, seja no sistema de bobinagem», admitiu Carla Freitas, apontando um investimento de dois milhões de euros «para evolução qualitativa».

E os investimentos vão continuar nos próximos 18 meses. «Num projeto do Portugal 2020, que já foi aprovado, fizemos a aquisição de equipamento, neste caso de uma bobinadeira de última geração, que vai ser instalada ainda neste primeiro trimestre», revelou. Projetado está ainda um investimento entre meio e um milhão de euros para a área da preparação.

No entanto, para Carla Freitas tão ou mais importante do que os equipamentos são as 140 pessoas que trabalham na empresa. «Muitos deles estão cá há 44 anos, desde o início. Entraram para aqui muito jovens, foram progredindo e são agora os responsáveis», sublinhou. Aliás, reconheceu, no passado houve a possibilidade de deslocalizar, «mas percebemos logo que íamos perder a alma da Fiação da Graça se o fizéssemos».

A empresa, que fez o primeiro quilo de fio nas vésperas da revolução do 25 de Abril, produz atualmente cerca de 1.100 toneladas por ano e, em 2016, registou um crescimento de 10%, para um volume de negócios de 13 milhões de euros. «O objetivo é tentarmos antecipar o que podem ser as possibilidades do mercado, dos produtos funcionais e técnicos, e perceber aquilo que podemos acrescentar e fazer evoluir em termos de projetos», afirmou Carla Freitas. «Temos alguns projetos em plataformas de inovação, com parcerias, para tentarmos produtos que sejam interessantes daqui a cinco anos», concluiu.