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Fiação em estado grego

A fiação de algodão Naoussa, de origem grega, que reivindica o lugar de líder europeu na sua especialidade, com uma panóplia de 17 unidades, admite ter sido simultaneamente afectada pela recessão internacional que se tem vindo a fazer sentir no sector e pelo aumento dos preços das matérias-primas. O seu volume de negócios consolidado passou, assim, de 217,8 milhões de euros em 2001 para 211,5 milhões de euros em 2002. O grupo grego foi obrigado a reorganizar-se também devido à desvalorização do dólar. «O euro forte veio perturbar as nossas trocas com os EUA», explica Nikos Resperis, do departamento de marketing da Naoussa. «Tivemos que reduzir os custos, nomeadamente nas compras», acrescenta. O francês Jules-Edouard Guilbert, director-geral desde 1999, foi substituído há um ano pelo responsável financeiro do grupo: Nikos Serakos. O antigo patrão da La Lanière de Roubaix tinha encetado uma viragem importante no plano do marketing, passando dos fios básicos para os fios de fantasia, assim como desenvolvendo a exportação. Uma política que, de acordo com as declarações de Nikos Resperis, não é renegada actualmente: «Esperamos continuar a colaborar com Jules-Edouard Guilbert no plano do marketing». A evolução dos produtos, com o fio Zen, uma mistura de modal e Tencel lançada há quatro estações para substituir a viscose, prossegue. Uma unidade, até ao momento reservada aos fios sintéticos, foi reconvertida no início do ano para fios de fantasia de algodão e misturas. Os básicos não representam mais do que 30% da actividade da Naoussa, contra os 35% a 40% de há dois anos, enquanto que os fios de fantasia passaram de 20% para 30%. O desenvolvimento desta oferta em fios de fantasia permitiu ao grupo seduzir particularmente os clientes gregos, mas também os compradores italianos, portugueses e espanhóis, enquanto que os franceses e os alemães preferem os algodões penteados básicos. A quota das exportações aumentou, atingindo actualmente os 55%. Estas vendas exteriores são essencialmente realizadas na Europa, no Magrebe, na Turquia e nos países de Leste, contra os 50% de há dois anos atrás. Em particular, a Naoussa duplicou o seu volume de negócios em Itália, que atinge presentemente os 20%. A sua presença também se acentuou em Espanha e Portugal, representando cada um 5% das vendas. Não obstante, o grupo, que tinha aberto uma unidade comercial em França, decidiu encerrá-la por razões económicas e passar a utilizar neste caso um agente.