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Fiação revitaliza ITV britânica

Uma nova fiação de algodão localizada no norte da Inglaterra pode vir a revitalizar as cadeias de aprovisionamento do Reino Unido assim que entre em atividade, ainda este outono – a English Fine Cottons tem potencial para chegar às 12 mil toneladas/ano.

A English Fine Cottons, a única fiação de algodão comercial no Reino Unido, está a produzir fios de luxo para os mercados doméstico e mundial e deverá fiar mil toneladas de fio de algodão por ano, inicialmente, com espaço e potencial para chegar às 12 mil toneladas. O equipamento instalado foi desenvolvido pela Saurer e pela Trutzschler.

Em declarações ao portal Just-style, Tracy Hawkins, vice-presidente de vendas e marketing da English Fine Cottons, explica que a empresa espera, através do novo empreendimento, construir uma cadeia de aprovisionamento de algodão no Reino Unido e acredita ainda ser viável ter a produção “de volta a casa” numa escala comercial.

«Várias marcas britânicas construíram-se a partir deste património de tecidos de algodão produzidos no Reino Unido e gostariam de continuar a produzir aqui, mas quando a fiação de algodão foi deslocalizada para o exterior, tudo se tornou muito mais difícil. Por mais que as marcas gostassem de comprar fios britânicos não podiam e a maré começou a voltar-se contra a indústria têxtil britânica», defende Hawkins.

A fiação espera assim ajudar a desenvolver uma cadeia de aprovisionamento semelhante à da lã em Yorkshire, que conseguiu manter-se, apesar de agora ter menor expressão do que teve no seu apogeu, no final do século XIX.

O vice-presidente de vendas e marketing da English Fine Cottons acrescenta que estão em curso conversações com potenciais clientes de vestuário, muitos dos quais estão à espera que a fábrica inicie a sua produção. A par das marcas e grandes armazéns de luxo do Reino Unido, a empresa deverá também trabalhar com a retalhista Marks & Spencer, que está interessada no primeiro lote de algodão da fiação. Além disso, a fiação está a explorar oportunidades de exportar para a Europa.

Tracy Hawkins afirma estar a receber pedidos para fios finos, bem como para tecidos produzidos a partir de fios da English Fine Cottons. «Por isso, não vamos apenas vender fios, porque muitos clientes querem comprar tecido e alguns querem mesmo comprar o produto acabado», adianta.

Apoiada pela empresa-mãe e especialista em têxteis técnicos Culimeta Saveguard, a fiação fabrica variedades de algodão de fibra extralonga, principalmente Supima, Sea Island e Suvin.

Como estratégia, a fábrica vai manter stocks de Suvin e Supima, a fim de oferecer, aos produtores de tecido, a flexibilidade de obter fios quando e onde for necessário, em vez de investirem em grandes quantidades provenientes do exterior. «Se estamos a tentar fornecer um fio de grande qualidade, precisamos de começar com uma matéria-prima de grande qualidade», advoga Hawkins. «O tipo de fibra dita a sua qualidade, mas quando se pergunta que fibra foi usada muitas vezes fica-se sem resposta», acrescenta.

Com efeito, há uma necessidade premente na indústria de vestuário por uma maior transparência em termos de matérias-primas. Apesar de marcas como a Gap, C&A e Marks & Spencer estarem a optar por divulgar as principais fábricas fornecedoras, ainda é difícil para uma marca saber exatamente a origem do algodão que utiliza nos seus produtos.

Por sua vez, o aprovisionamento na English Fine Cottons ajudará à transparência da cadeia de aprovisionamento das marcas, desde a matéria-prima até ao vestuário. Hawkins atesta que a fiação está a construir relacionamentos com fornecedores e produtores de todo o seu algodão – do Sea Island ao Supima. E a decisão de aprovisionar matérias-primas mais caras como estas é a chave para a qualidade que a empresa pretende injetar nos seus produtos.

A fiação tem beneficiado de um investimento significativo: cerca de de 4,8 milhões de libras (aproximadamente 5,4 milhões de euros) de capital próprio, além de uma bolsa concedida pelo programa britânico Textile Growth Programme no valor de 1 milhão de libras.

Hawkins sublinha ainda que a empresa não se vai limitar a impulsionar a indústria têxtil no Reino Unido, mas também fora de portas. A fiação está a colaborar com a Sea Island para produzir «culturas maiores e com melhor rendimento», trabalhando em estreita colaboração com o poder local; com a West Indian Sea Island Cotton Association (WISICA) e os agricultores da região. Acordos e práticas semelhantes estão também a ser desenvolvidos com fornecedores indianos.

Os investimentos futuros poderão passar por incluir um sistema de fiação open end para reutilizar os restos de fibra resultantes da penteação e outras fibras recicladas.