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Fibras biodegradáveis: o novo benefício do vestuário

A GlobalData defende que as marcas de vestuário devem tomar medidas para se distanciarem do uso de plástico nas respetivas cadeias de aprovisionamento, dado que um novo estudo descobriu que os microplásticos libertados a partir dos tecidos de fibras sintéticas podem danificar as células pulmonares.

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Segundo um estudo da Groningen University, The Netherlands Organization for Applied Scientific Research e Plymouth Marine Laboratory, as fibras de poliéster, que são facilmente inaladas, podem impactar nocivamente o crescimento e a reparação do tecido das vias respiratórias. Isto acontece porque os microplásticos são libertados através das peças de vestuário, tanto durante o uso da roupa como na lavagem.

«Na nova era Covid, a ideia de que o vestuário pode impedir a recuperação plena da saúde é uma má notícia. Um estudo apoiado pela Fisheries and Oceans Canada revelou, recentemente, que as fibras sintéticas constituem cerca de 92% da poluição microplástica encontrada em amostras de água do mar próximas à superfície do Oceano Ártico. Cerca de 73% dessas fibras são de poliéster e assemelham-se às fibras usadas nos têxteis e vestuário», explica Hannah Abdulla, correspondente de vestuário da GlobalData.

Nesse estudo, os cientistas destacaram negativamente a poliamida e o poliéster como materiais prejudiciais para o pulmão, pelo que, a solução passa por fibras biodegradáveis como o algodão. Com esta alternativa, contudo, surge um conjunto de desafios, nomeadamente de sustentabilidade, incluindo o consumo excessivo de água nas plantações de algodão e a utilização de produtos químicos perigosos. Mesmo assim, tem havido um aumento do uso de algodão sustentável, indica a GlobalData. Em 2020, os membros da Better Cotton Initiative forneceram 13% mais de algodão de qualidade superior comparativamente ao ano anterior.

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A escolha de fibras biodegradáveis tem vindo a crescer com a inovação do mercado, que disponibiliza uma maior variedade para os players da indústria têxtil e vestuário. A fabricante de fibra sustentável Spinnova estabeleceu uma parceria com a produtora de celulose Suzano para a construção de uma fábrica, num investimento na ordem dos 27 milhões de dólares (22,37 milhões de euros) com o objetivo de escalar a produção. A fibra obtida a partir da madeira e de resíduos, que promete eliminar a aplicação de produtos químicos nocivos, estará disponível já no próximo ano. Por sua vez e a comprovar os esforços das marcas neste sentido, a Allbirds investiu dois milhões de dólares em matérias-primas sustentáveis na Natural Fiber Welding (NFW) e no couro vegetal da start-up.

«Este tipo de inovação pode ajudar a reduzir a quantidade de plásticos que as marcas utilizam nas suas coleções. Com estudos a sugerir que as microfibras libertadas pela roupa que vestimos estão a afetar a nossa própria saúde, a procura por alternativas certamente vai aumentar e as marcas vão beneficiar ao pensarem como podem responder, mais cedo ou mais tarde, a esta procura», resume a correspondente de vestuário da GlobalData.