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Fibras mais sustentáveis precisam de empurrão

O mercado de fibras e matérias-primas com uma melhor pegada ambiental está a aumentar. O ritmo de crescimento, contudo, não é ainda suficientemente rápido, de acordo com um estudo recente da Textile Exchange, que considera que a transição para este tipo de materiais tem de ser uma decisão «não-negociável».

[©Pixabay/keepwakin]

Segundo o estudo Preferred Fiber and Materials Market Report 2021, da Textile Exchange – que analisa o mercado de fibras de plantas como algodão, cânhamo e linho; fibras provenientes de animais como lã, mohair, caxemira, alpaca, penugem, seda e couro; fibras celulósicas artificiais como viscose, liocel, modal, acetato e cupro; e fibras sintéticas como poliéster e poliamida –, a quota de mercado de fibras e materiais com um perfil mais sustentável em termos sociais e ambientais (a que chama de preferíveis) aumentou significativamente em 2020.

Os números da entidade sem fins lucrativos revelam que, entre 2019 e 2020, a quota de mercado de algodão com credenciais mais sustentáveis subiu de 24% para 30% e a do poliéster reciclado passou de 13,7% para 14,7%. Já a caxemira registou um aumento de 0,8% para 7% e o mohair com certificação Responsible Mohair Standard atingiu uma quota de 27% no seu primeiro ano de existência em 2020. A quota de mercado de fibras celulósicas artificiais com certificação FSC (Forest Stewardship Council) e/ou PEFC (Programa para o Reconhecimento da Certificação Florestal) subiu para cerca de 55% a 60%, sendo que, refere a Textile Exchange, é de esperar que a quota de fibras celulósicas artificiais recicladas, que atualmente ronda os 0,4%, suba significativamente nos próximos anos.

O número de marcas interessadas na utilização de fibras mais sustentáveis registou um forte crescimento (+75%), sendo que atualmente existem cerca de 30 mil fábricas em todo o mundo que estão certificadas com pelo menos um dos standards da Textile Exchange, que incluem o Global Recycled Standard (GRS), Organic Content Standard (OCS), Recycled Claim Standard (RCS), Content Claim Standard (CCS), Responsible Down Standard (RDS), Responsible Wool Standard (RWS), Responsible Alpaca Standard (RAS) e Responsible Mohair Standard (RMS).

Produção em crescimento

Apesar destes aumentos, o estudo sublinha que as fibras preferenciais representam apenas um quinto do mercado mundial de fibras e que menos de 0,5% do mercado global de fibras diz respeito a têxteis reciclados pré e pós-consumo.

No total, a produção mundial de fibras quase que duplicou nos últimos 20 anos, de 58 milhões de toneladas em 2000 para 109 milhões de toneladas em 2020. Ainda sem ponderar um potencial impacto da pandemia ou de outros fatores, a produção mundial de fibras deverá aumentar 34% até 2030, para 146 milhões de toneladas, se a indústria mantiver o mesmo passo. No entanto, ressalva a Textile Exchange, se este ritmo de crescimento continuar, será cada vez mais difícil para a indústria responder aos objetivos científicos para o clima e a natureza.

[©Textile Exchange – Egedeniz]
«Quer para o negócio atual ou para o pós-pandemia, a produção e utilização de fibras e materiais preferíveis tem de ser uma decisão não-negociável», sublinha La Rhea Pepper, fundadora e CEO da Textile Exchange. «Este é o momento para acelerar a transição para práticas cada vez mais sustentáveis para reduzir a pegada da produção de fibras e matérias-primas convencionais no planeta», acrescenta.

A Textile Exchange quer ser uma impulsionadora das ações para a proteção do clima e a sua estratégia Climate+ tem como objetivo que a indústria têxtil reduza, nas fases pré-fiação, as emissões de gases com efeito de estufa em 45% até 2030 em comparação com 2019, ao mesmo tempo que tem em atenção outras áreas como a água, a biodiversidade e a saúde dos solos.

«Aumentar o consumo de fibras e matérias-primas preferíveis, proliferar as práticas regenerativas, mitigar a mudança na utilização dos solos, apoiar a transição para energias renováveis e encorajar a inovação e a circularidade são soluções conhecidas para o objetivo da Climate+», enumera Liesl Truscott, diretora de benchmarking corporativo da Textile Exchange. «A aceleração destas soluções tem de nos guiar nos próximos nove anos, que são tão decisivos para o futuro do nosso planeta e da vida na Terra», conclui.