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Fibras não-naturais dominam mercado mundial das fibras

Segundo o último anuário estatístico do Comité Internationale de la Rayonne et des Fibres Synthétiques (Cirfs), as fibras celulósicas e sintéticas representam 63% do mercado mundial de fibras. Esta associação europeia que publica todos os anos, desde há quarenta anos, as estatísticas mundiais do sector: a evolução da produção mundial de fibras e fios não-naturais, de algodão e de lã, o consumo industrial de fibras têxteis em função das principais aplicações e os números do comércio externo dos têxteis não-naturais.
Em 2002, a produção mundial de fibras têxteis atingiu as 55,3 milhões de toneladas, o que representa uma produção 14,2 vezes superior à registada no início do século XX. Desde então, as relações entre as diferentes categorias de fibras evoluíram bastante: a quota de fibras naturais atinge actualmente 63% da produção mundial, a do algodão 35% e a da lã 2%. Apesar das modas pontuais mais viradas para as matérias naturais, as fibras não-naturais prosseguem a sua subida em flecha. Entre 1992 e 2002, a quota de algodão e de lã na produção mundial de fibras baixou, passando de 50% para 37%.
Os principais produtores de fibras não-naturais são a China (10,2 milhões de toneladas), a Europa Ocidental (4,2 milhões de toneladas), os EUA (4,1 milhões de toneladas) e o Taiwan (3,3 milhões de toneladas). A produção chinesa continua em ascensão (mais 19,4% em 2002), enquanto que as restantes mantêm-se praticamente estáveis. Em 2002, a quota da China na produção mundial de fibras não-naturais atingiu os 29,2%, enquanto que o segundo lugar – Europa Ocidental – chegou apenas aos 12%. E segundo as previsões, a quota do mercado chinês vai continuar a crescer.
A China tem também um papel importante como produtor de algodão. Em 2002, a sua quota na produção mundial de algodão ascendeu a 25,6%, enquanto que a dos EUA, o número dois mundial, atingiu apenas os 19,5%. No entanto, com a recente subida do preço do algodão, os analistas prevêem, para 2003-2004, uma utilização ainda mais importante das fibras não-naturais por parte dos chineses, o que terá inevitavelmente um efeito positivo na produção do gigante asiático.
As estatísticas do Cirfs relativas ao consumo industrial de fibras têxteis na Europa Ocidental mostram que o poliéster é a fibra mais consumida na Europa, com 1.427.000 toneladas, ou seja 27,8% de um total de 5.139.000 toneladas de fibras consumidas. De 1992 a 2002, na Europa Ocidental, o consumo industrial de poliamida desceu em 8%, para 559.00 toneladas, e o de acrílico em 35%, para 279.000 toneladas. Ao mesmo tempo, o consumo industrial de polipropileno aumentou em 57%, para 506.000 toneladas.
As fibras sintéticas totalizam 76% do consumo total industrial da Europa Ocidental, contra 17,9% para o algodão e 6,1% para a lã. Segundo as estatísticas no âmbito das aplicações finais das fibras na Europa Ocidental, o vestuário é o sector mais importante (com uma quota de consumo de fibras de 43,8%), seguido pelos têxteis-lar (33,4%) e pelas aplicações industriais (22,8%). Mas a quota do vestuário, ao contrário das aplicações industriais, tem sofrido uma ligeira descida: em 1996 era de 45%.
A relação exportações/importações indica que a competitividade internacional do sector europeu no âmbito das fibras não-naturais é fraca. Em 2002, os quinze membros da UE importaram mais de um milhão de toneladas de fibras sintéticas e celulósicas de países não europeus, enquanto que as suas exportações para fora da Europa apenas atingiram as 392.000 toneladas. À excepção da Finlândia e da Suécia, que importam menos fibras não-naturais do que as que exportam, todos os membros da Comunidade apresentam um défice.