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Fibrenamics desenvolve fibras de leite

Um projeto da plataforma de I&D da Universidade do Minho com o INOVA – Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores vai desenvolver fibra de caseína a partir de leite não alimentar produzido na região dos Açores. O Milkfibre pretende impulsionar a utilização deste tipo de fibras nas indústrias têxtil, alimentar e na saúde, entre outras.

[©Lorimoon]

O projeto tem um financiamento de 300 mil euros por parte dos Açores 2020 e uma duração prevista de três anos. Durante este tempo, 10 investigadores vão dedicar-se aos «estudos necessários ao desenvolvimento de fibra da caseína a partir do leite não alimentar produzido nas pastagens dos Açores», com o objetivo principal de «despoletar a utilização das fibras obtidas a partir dos desperdícios do leite em diversas aplicações, tais como têxtil, alimentar, saúde, entre outros», revela a Fibrenamics em comunicado.

O Milkfibre será desenvolvido pelo Núcleo de I&D constituído pelo consórcio do qual fazem parte a Fibrenamics Azores, por via da empresa CIMPA, promotora do projeto e detentora do conhecimento nos domínios do desenvolvimento de materiais fibrosos através de diversos processos tecnológicos, e o INOVA, copromotor do projeto.

De acordo com a informação veiculada pelo Fibrenamics, o projeto terá três fases. Numa primeira parte, será feita a separação da proteína caseína do leite, com a respetiva análise dos processos, metodologias, tecnologias e materiais associados.

Na segunda fase do Mikfibre deverá ser possível produzir fibras a partir da proteína obtida, «sendo essa produção estudada a nível macro e a nível nano».

Por último, será analisada a funcionalização das fibras obtidas, incluindo as nanofibras, para conferir propriedades adicionais, «como por exemplo rugosidade topográfica, ação antibacteriana, entre outras, possibilitando assim o aumento do leque de possíveis aplicações dos materiais obtidos».

Resultados em três frentes

«No que diz respeito aos resultados científicos, prevê-se o desenvolvimento de conhecimento que irá resultar em publicações científicas em jornais de referência, participações em conferências e, acima de tudo, um efeito mobilizador do conhecimento. Na perspetiva tecnológica, serão explorados novos processos para a obtenção e funcionalização da fibra do leite, quer à escala macro quer à escala nano/micro. Na perspetiva do produto, está prevista a dinamização de projetos no que diz respeito à transferência do conhecimento gerado para o tecido empresarial. Paralelamente, irá ocorrer uma divulgação ampla dos resultados do projeto para a sociedade», explica Raul Fangueiro, coordenador da plataforma Fibrenamics.

[©Nonagon]
Para João Carlos Nunes, diretor científico do INOVA, «existe um potencial enorme ainda por descobrir nestes materiais que têm um papel tão marcante para a economia da região. Este é um novo caminho de valorização da fileira do leite, que contribui para uma utilização mais sustentável dos subprodutos e que pode trazer mais valor ao sector, contribuindo para a chamada economia circular».

O potencial do projeto foi igualmente focado pelo Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, que na apresentação, que decorreu no Nonagon – Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel na passada sexta-feira, 25 de setembro,  desacou que o Milkfibre «é a prova de que a transferência de conhecimento entre empresas e centros de investigação é o caminho para o desenvolvimento de ideias e projetos inovadores, que podem tirar partido dos recursos existentes na nossa região, neste caso concreto, a partir de resíduos do leite, potenciando-os e criando riqueza».

De acordo com a Textile Today, a fibra de leite foi inventada nos anos 30 em Itália por Antonio Ferratti com o objetivo de concorrer com a lã, com quem partilha diversas propriedades, incluindo o toque e o aspeto, bom isolamento térmico e resistência mecânica. São necessários cerca de 35 litros de leite desnatado para produzir um quilo de caseína. A fibra de leite é ainda considerada amiga do ambiente.