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Fibrenamics destaca materiais avançados

Na primeira edição das Ignite Sessions, que decorreu no passado dia 4 de julho, a plataforma Fibrenamics, da Universidade do Minho, mostrou algumas das tendências em materiais que vão moldar o futuro. O potencial do grafeno, a monitorização de soldados e veículos mais leves foram alguns dos temas em debate.

Na primeira Ignite Sessions, dedicada aos materiais, o grafeno foi rei, mas a sessão, que reuniu muitos interessados no Paço dos Duques, em Guimarães, abordou outras matérias-primas e tecnologias que vão, definitivamente, fazer parte do futuro.

Um trabalho que a plataforma Fibrenamics, da Universidade do Minho, está a desenvolver e a promover junto da indústria. «Estamos a aplicar os conceitos de nano, ecológico e inteligente, multifuncional e multimaterial para desenvolver materiais que são solicitados de várias formas, respondendo a imensas questões fora do normal», explicou Raul Fangueiro, coordenador da Fibrenamics. «Estamos a partir para outro nível de desenvolvimento de materiais, sendo que todo o nosso conhecimento se destina a ser aplicado em desafios concretos», sublinhou.

Raul Fangueiro

Entre as tendências identificadas pela unidade de Intelligence da Fibrenamics estão, de resto, várias áreas distintas, desde a possibilidade de monitorização em tempo real do estado de saúde de um militar num teatro de operações, a redução de peso dos veículos e consequente poupança de combustível ou materiais inteligentes aplicados a infraestruturas urbanas – questões abordadas no painel de discussão que reuniu José Borges, diretor do Cinamil – Military Academy Research Center, André Bulhosa, que lidera a equipa de engenharia de processos da Caetano Bus, do Grupo Salvador Caetano, Tânia Calçada, diretora da área de tecnologia do futuro da Sonae, e Raul Junqueiro, diretor de desenvolvimento de negócio e cidades inteligentes do grupo de construção civil DST.

A era do grafeno

Mas foi o grafeno que esteve em destaque nesta primeira Ignite Session, com a intervenção de Bruno Figueiredo, cofundador e CEO da Graphnest, a realçar o potencial deste material, descoberto apenas em 2013, em várias indústrias, apesar de ser ainda pouco usado. «Poucas indústrias têm utilizado este material porque, para além de ser muito difícil de produzir a grande escala e com uma qualidade que seja considerada fiável, muitas das empresas que depois tentam utilizá-lo não têm desenvolvimento suficiente para tirar este material do laboratório para a indústria», esclareceu o cofundador e CEO da Graphnest, reconhecendo, contudo, que «já começa a haver algum nível de maturidade». Para já, o material está no chamado “vale da morte”, que terá de ser ultrapassado para gerar receitas.

A Graphnest, fundada oficialmente em 2015, desenvolveu uma tecnologia, patenteada para a Europa, EUA e Canadá, para produzir grafeno de forma económica e mais ecológica. «Pegamos na grafite, o minério natural, e vamos exfoliando até ao número de camadas mínimo», partindo de 14 fontes diferentes de grafite, indicou Bruno Figueiredo. Resultado do processo, a Graphnest obtém quatro produtos: grafeno monocamada, grafeno de poucas camadas, grafeno de multicamada e grafite micromizada (que não é exfoliada a uma escala suficientemente baixa para ser grafeno).

Bruno Figueiredo

Com dificuldade em penetrar no mercado com estes produtos muito a montante na cadeia produtiva, a empresa alterou ligeiramente o modelo de negócios nos últimos tempos e deu mais um passo em frente na cadeia produtiva, desenvolvendo uma tinta com escudo eletromagnético, reciclável e capaz de aderir a diferentes materiais, rígidos e flexíveis, e uma resina para incorporação em fibra de carbono para aumentar a resistência de materiais de alta performance, que já foi aplicada num caiaque de mar da empresa Sipre.

O potencial do grafeno é enorme, garantiu Bruno Figueiredo, que apontou a eletrónica impressa, têxteis condutores, indústria aeroespacial e embalamento como mercados interessantes, onde a Graphnest começa a dar os primeiros passos. Aliás, a empresa, em parceria com a Universidade de Aveiro, a Universidade do Minho e o Instituto Ibérico Internacional de Nanotecnologia, tem um projeto aprovado no valor de 1,6 milhões de euros «para desenvolver três aplicações distintas, para além daquilo que é a expansão da capacidade produtiva da Graphnest: vamos desenvolver tintas anticorrosivas baseadas em grafeno; polímeros com escudo eletromagnético; e sensores de telas táteis capacitivas com uma empresa com sede em Braga, que é a Displax», anunciou o cofundador e CEO da Graphnest.

As Ignite Sessions que decorrem até 2019, estarão de volta em breve, tendo como temas as tendências em tecnologia e em produtos.