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Fibrenamics oferece manuais para EPIs

A plataforma da Universidade do Minho está a disponibilizar gratuitamente manuais para a produção de máscaras, toucas e cogulas, batas e luvas. Diferenciação dos produtos, materiais e técnicas a usar, características para certificação e instruções de utilização fazem parte dos tópicos abordados.

Estes “white papers”, disponíveis no website da Fibrenamics foram já descarregados mais de 10 mil vezes, segundo indicou a plataforma da Universidade do Minho em comunicado. Para fazer o download, é necessário estar registado na plataforma (um passo igualmente gratuito).

A ideia de criação desta coleção, que atualmente é composta por quatro e-books – máscaras, toucas e cogulas, batas e luvas – foi, segundo Raul Frangueiro, coordenador da Fibrenamics e investigador do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) da Universidade do Minho, clarificar e agrupar informação sobre a forma correta destes equipamentos de proteção serem construídos e utilizados. «Muitas empresas perceberam que na Universidade do Minho há fortes competências na área e temos sido contactados para desenvolver soluções inovadoras em conjunto», realça.

Da ciência à aplicação

Em cada documento são descritos os tipos de proteção em função dos materiais, agentes de risco e processos envolvidos na sua confeção e certificação.

No caso das máscaras, a atenção está focada nas máscaras auto-filtrantes, nomeadamente as máscaras cirúrgicas. « A maioria das máscaras cirúrgicas são compostas principalmente por três camadas de tecido não-tecido (NT) de polipropileno (PP), com densidade entre 18 e 25 g/m². No entanto, poliestireno, policarbonato, polietileno ou poliéster poderão igualmente cumprir os requisitos deste tipo de aplicação», pode ler-se no e-book, onde além da caracterização dos materiais é descrito ainda o processo de confeção.

Já no das batas cirúrgicas para uso único ou múltiplo, são apontadas exigências como elasticidade, biocompatibilidade, resistência, além de características como serem hipoalergénicas, não tóxicas e fáceis de vestir/despir. «Para a produção de batas de uso único, o uso de não-tecidos é privilegiado, destacando-se o Spunbond/Meltblown/Spunbound», refere o respetivo e-book. Já no caso das batas reutilizáveis, anteriormente «eram produzidas através de materiais baseados em poliéster e algodão, apresentando uma elevada capacidade de retenção de líquidos. Contudo, não possuíam a capacidade de manter esta propriedade ao longo dos diferentes ciclos de lavagem (obrigatória para este tipo de batas). De modo a ultrapassar este obstáculo, surgiram os tecidos compostos por fios microfilamentosos, com fibras de poliéster contínuas, onde são incorporadas fibras de carbono durante a tecelagem», descreve.

Quanto às toucas e cogulas reutilizáveis, os materiais de eleição são misturas de algodão e poliéster e, se forem descartáveis, sugere-se a confeção por ultrassons com não-tecidos, em formato fino e flexível.

Em relação às luvas, podem ser de látex, borracha sintética, vinil, neopreno e nitrilo, e para a sua validação mede-se aspetos como resistência a degaste, corte, rasgo, perfuração, radiação e o perfil ergonómico – por exemplo, o látex natural é ideal para a luva cirúrgica e de exame, permitindo excelente sensação e ajuste, mas pode provocar alergia.

Atualizações em curso

De acordo com os dados da Fortune Business Insights, citados pela Fibrenamics o mercado dos EPI deve atingir 78 mil milhões de euros em 2026, com a Europa a seguir a líder América do Norte. A atual pandemia tem levado à procura exponencial de EPI pelos cidadãos e à reconversão das empresas para a sua produção. «O sector deverá ser impulsionado com o aumento das despesas governamentais na saúde, da consciencialização sobre segurança pessoal no trabalho, da promoção de fontes de energia renováveis e do uso crescente de materiais ecológicos», aponta a Fibrenamics em comunicado, acrescentando que «há fabricantes a colocar produtos de qualidade inferior para rentabilizar o momento, mas há também quem já pensa a longo prazo, como luvas de nitrilo biodegradáveis, que são facilmente descartáveis e reduzem o impacto ambiental».

Por isso mesmo, revela Raul Fangueiro, «estamos a estudar novos materiais e condições», também para responder à procura, cada vez maior, de produtos reutilizáveis e recicláveis, que permitam reduzir a pegada ambiental.

Além destes e-books, a plataforma Fibrenamics organizou recentemente a Fibrenamics Impulse #athome, uma conferência virtual de cinco dias, entre 20 a 24 de abril, onde abordou diversos temas relacionados com a pandemia e não só, desde o seu impacto na Europa às medidas de apoio, passando pela utilização da nanotecnologia em resposta ao Covid-19 e o futuro pós-pandemia, incluindo os novos padrões de consumo.