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Filasa alarga portefólio

Criada inicialmente para suprir as necessidades do grupo Lasa, a Filasa ganhou vida própria e está agora a apostar na diversificação de produtos, com coleções onde pontuam fios especiais e matérias-primas nobres, incluindo fios com algodão da Better Cotton Initiative e as propostas space dye.

Fios liocel, modal, misturas poliéster/viscose, bambu, em cor e em cru, misturas com acrílico, poliéster e viscose fazem parte da oferta da Filasa, mas segundo a diretora industrial Marta Guimarães, «ainda vai haver mais. Já estamos a olhar para a frente, queremos outras coisas diferentes», afirmou ao Jornal Têxtil, num artigo publicado na edição de fevereiro.

Para já, a coleção para outono-inverno 2018/2019 inclui vários tipos de fibras, com uma forte aposta na diferenciação. «A Marlene [Fernandes, designer] teve a preocupação de criar algo que fosse versátil, flexível para o cliente, permite acrescentar valor à peça final, e depois teve também o cuidado de apresentar aos clientes uma coleção que lhes vai mostrar um pouco do design e das novas tendências», revelou Marta Guimarães. «Todas as fiações têm os seus catálogos, mas os nossos servem de inspiração. Além de ter a malha, o fio e as propostas de cor, também temos imagens que ajudam o cliente a inspirar-se na coleção final», acrescentou Marlene Fernandes.

«Temos mesmo de cativar o cliente», sublinhou Marta Guimarães. «Vamos ser sempre o fornecedor aqui à volta nos básicos e em grande escala, mas também queremos ser o fornecedor dos fios diferenciados», admitiu a diretora industrial.

Fundada por Armando da Silva Antunes, em 1986, a Filasa «é uma empresa muito importante, onde fizemos grandes investimentos», referiu a administradora Fátima Antunes, filha do fundador, ao Jornal Têxtil. «Tenho um carinho especial por esta empresa», confessou.

Com uma produção média de 26 toneladas por dia, realizadas em nove sistemas open-end, num total de 2.712 fusos, cinco contínuos de anel, com 4.800 fusos, e duas máquinas de jato de ar, a empresa tem vindo a realizar investimentos constantes. Na fiação entraram já novas máquinas, mas está previsto um novo investimento superior a um milhão de euros, apoiado pelo Portugal 2020. «É para otimização de linhas de produção, melhoria de processos, aumento de flexibilidade face à procura dos nossos clientes, de modo a podermos responder de forma mais rápida e com mais diferenciação de produto», explicou Marta Guimarães.

O ano de 2016, onde o volume de negócios estimado terá sido de 37,4 milhões de euros, ficou marcado pela procura de produtos diferenciados, nomeadamente os fios orgânicos, o mesmo acontecendo com os fios vortex. «Éramos fortes nas misturas básicas e, neste momento, já oferecemos vários tipos de misturas aos clientes, o que que para nós foi um mercado novo e interessante. Porque é um fio com um mundo de aplicações, tanto para tecelagem como para malharia e que ainda pode ser explorado noutras vertentes, o que será uma das próximas premissas da Filasa», adiantou Marta Guimarães.

Os fios com algodão da Better Cotton Initiative continuam igualmente a ser uma aposta, assim como os fios space dye. «Os efeitos são excelentes – já foram testados em têxteis-lar, também é usado em vestuário, meias, por exemplo. Há vários tipos de aplicações», apontou Marlene Fernandes.

Dos fios que saem da Filasa, que emprega 225 pessoas, 10% vão para os mercados externos, onde a Europa, especialmente Espanha, domina. Atualmente, a fiação está a endividar esforços para entrar em Itália e antecipa a chegada à Alemanha também para breve. «Infelizmente começámos com a exportação bastante tarde, também porque a fiação teve um crescimento muito gradual conforme as necessidades», justificou a administradora Fátima Antunes.

Para 2017, a expectativa, face à recetividade sentida no ano passado, é de crescimento. «Notamos que os clientes têm gostado, têm desenvolvido coleções próprias com os nossos produtos e se vão entrar nas coleções vamos ter frutos», concluiu a diretora industrial da Filasa, Marta Guimarães.