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Filipe Faísca borda tradição

Não é a primeira vez nem será a última. Filipe Faísca há muito se comprometeu em não deixar morrer tradições e, este ano, reaviva os Bordados da Madeira, não numa, mas em duas coleções. A primeira foi já desvendada na 50.ª edição da ModaLisboa.

No último inverno, Filipe Faísca reinterpretou os antigos Cobertores de Papa da Beira Interior e, antes disso, em 2007, já a coleção “Portugal Portugal” havia desfilado diferentes técnicas de artesanato na passerelle. Agora, chegou a vez do Bordado da Madeira, com a coleção outono-inverno 2018/2019 de Filipe Faísca a mostrar que a tradição já não é o que era – é tendência.

«Foi um convite feito pelo Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira para trabalhar e, sobretudo, divulgar o Bordado da Madeira. É um convite que acaba por ser uma coincidência, porque eles não sabiam que eu desenvolvia um trabalho já ao longo do tempo com o artesanato português», explicou o designer ao Portugal Têxtil, à margem do desfile na edição comemorativa da ModaLisboa (ver ModaLisboa faz a festa).

Esse, iniciou-se com a projeção de um vídeo de várias costureiras a produzirem à mão o famoso Bordado da Madeira, feito de flores em relevo. O bordado ganhou, entretanto, vida, em vestidos, saias e blusas leves – opacas ou transparentes – com uma dose reforçada de romantismo. No final, a assistência reunida no Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, levantou-se para aplaudir.

«Este trabalho vai-se desenvolver durante todo o ano, portanto, são duas edições de ModaLisboa. Nesta primeira, o que resolvemos fazer foi um “ready made”, usar o que estava feito. O Bordado da Madeira tem várias vertentes, mas é usado sobretudo na “art de la table”, na composição de uma mesa. O que fiz foi recortar toalhas de mesa e transportá-las para o guarda-roupa», revelou.

Filipe Faísca visitou a Região Autónoma da Madeira, a convite do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, com o objetivo de estudar e avaliar as características dos bordados. Durante a visita, o designer conheceu várias casas de Bordado e contactou com algumas bordadeiras a fim de bem compreender o processo produtivo.

Nesta coleção, com o nome de “6 Sentido”, Filipe Faísca contou ainda com outra importante parceria. A ótica Olhar de Prata – Icons of Luxury desenvolveu uma edição exclusiva, em colaboração com o designer, batizada “Senso”.

«Estes óculos são uma forma de homenagear um visionário chamado Prince. Os óculos com três lentes simbolizam a ideia de proteção, da intuição», elucidou Filipe Faísca sobre os modelos, totalmente produzidos em Portugal.

A coleção está à venda em exclusivo nas lojas Olhar de Prata e no atelier do designer.

Salto internacional

Naquela que foi a 50.ª edição da ModaLisboa, Filipe Faísca – um dos designers que testemunhou a edição 0 do evento – lamentou a luta desigual das marcas de autor nacionais face à concorrência internacional.

«Sinto-me ainda frágil enquanto marca. Somos um país muito vulnerável aos ataques da indústria internacional e não temos nenhum tipo de protecionismo em relação ao mercado e às marcas», afirmou.

Para contornar estas dificuldades, o designer está a trabalhar em duas alternativas. A primeira é «investir no mercado internacional, levar a marca lá para fora».

A segunda é o lançamento no mercado da segunda linha da Filipe Faísca – apresentada em junho último no Showcase ModaPortugal, em Paris (ver (A)mar Portugal em Paris). A proposta mais acessível, pensada para mulheres dos 18 aos 81 anos e 100% confecionada em Portugal «será lançada em breve» e com o globo nas mãos.