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Fim das quotas agita mercado dos têxteis – Parte 2

Depois daprimeira parte, apresentamos a conclusão deste estudo sobre as conclusões de um evento onde foi mais uma vez discutido o fim das quotas no comércio internacional de têxteis.

Ainda a propósito das consequências do fim das quotas no comércio internacional de têxteis e vestuário, John Walker considera que “as empresas devem criar valor acrescentado além dos produtos, e devem tornar-se mais ligadas aos seus clientes, além de se mostrarem perto deles e compreenderem as suas necessidades, aspectos que no futuro próximo ditarão quem sobreviverá e quem não se manterá em actividade”.

Embora reconhecendo que as parcerias são o caminho mais fácil para o gigantesco mercado chinês, “as empresas mais eficazes são aquelas que trabalham com os parceiros certos, e o Banco da China está presentemente preocupado porque enfrenta um enorme défice da balança comercial, sendo este um grande problema do referido país”, acrescenta este analista, que conclui que “a China já concorre com o Ocidente nos preços e na qualidade e sabe que tem que cumprir as exigências de entrega em 30 dias dos seus compradores internacionais, pelo que está disposta a fazer tudo o que for necessário para ser bem sucedida – a China é imparável”.

Jorge Silva, director daCastor Holdings e especialista internacional em gigantes do retalho como aThe Gap e oArcadia Group, falou de como as empresas britânicas podem maximizar a sua vantagem competitiva, adoptando estratégias de compra de vestuário mais rápidas e flexíveis.

Este analista afirmou que “a chamadafast fashion é apregoada por muitos, mas executada apenas por poucos”.

Para Jorge Silva, é necessário “uma radical reformulação da produção, tendo em vista a redução dos tempos de entrega, o que exige naturalmente recursos e tempo, nunca menos de dois anos, e uma especial atenção a todos os detalhes”.

O primeiro passo neste sentido é a revisão de todo o processo de compras, desde o design à distribuição.

Na opinião de Jorge Silva, os retalhistas devem investir em pessoas que se dediquem exclusivamente à gestão das compras de vestuário, libertando assim os estilistas, emerchandisers das tarefas administrativas, viagens e comunicações adicionais, associadas aos apertados ciclos de entrega a clientes estrangeiros.

O segundo passo passaria pela selecção dos fornecedores, escolhendo aqueles que possuíssem operações verticalizadas e que à partida terão maior capacidade de resposta, enquanto o terceiro passo assenta na pesquisa e identificação de fornecedores que actuem em áreas geograficamente concentradas, e com um elevado número de fabricantes de têxteis e vestuário.

Del Stark, director de novos negócios do Instituto Britânico de Nanotecnologia, aproveitou esta conferência para informar os representantes desta indústria dos mais recentes desenvolvimentos neste campo.

Assim, os actuais projectos em curso neste instituto incluem sensores que podem ser incorporados nos tecidos, para monitorizar a pressão arterial, o ritmo cardíaco ou o nível de açúcar no sangue.

A partir destes tecidos, os fabricantes podem produzir peças de vestuário à prova de odores e nódoas, com repelentes de insectos, camufladas e à prova de bala, e que podem mesmo mudar de cor de acordo com o ambiente envolvente ou o clima.

Numa vertente mais lúdica e hedonística, os produtores de vestuário podem ainda apostar em peças que se ajustem ao corpo, com “almofadas vibratórias” para estimular a circulação, com cápsulas perfumadas destinadas a combater os cheiros corporais desagradáveis, com música e sistemas de comunicação incorporados e mesmo com módulos de adaptação a longas viagens, como por exemplo de avião!

Finalmente, Stephen Dorrell, especialista em vestuário de protecção doFaithful Group, referiu que “a China está a entrar em força no mercado internacional e isso terá efeitos nunca antes observados, pelo que não existe nenhum padrão de medida que possa avaliar o resultado final…”.

“No entanto, o comércio é uma estrada de dois sentidos e a globalização não pede licença, sendo a exclusão das trocas comerciais internacionais que empobrece realmente os países – ao fazer comércio entre si, os países ajudam-se mutuamente”, conclui este responsável.