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Fim das quotas atinge o Vietname

A Comissão do Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC) classificou recentemente o Vietname, país do bloco comunista, como segundo – atrás apenas da China – em termos de competitividade, entre os produtores de têxteis e vestuário asiáticos.

O Vietname, um dos países mais pobres do mundo, aparece mesmo nesta lista, apesar do rol de acusações de práticas comerciais pouco claras e dumping que pairam sobre o estado asiático.

Agora que este país enfrenta uma galopante epidemia de gripe, as autoridades locais aguardam com expectativa a decisão da Organização Mundial de Saúde, que afirmou já temer tratar-se de um dos maiores surtos da referida doença, desde a chamada “gripe espanhola”, que causou milhões de vítimas em todo o mundo, em 1917.

Como seria de esperar, os responsáveis vietnamitas temem um surto em larga escala desta temível epidemia, semelhante à vaga de pneumonia atípica (SARS), que devastou a China há dois anos atrás, e que provocaria uma calamidade no comércio externo do Vietname, e em particular às suas exportações de têxteis e vestuário.

Inicialmente, o Vietname mostrou-se encantado com a decisão da União Europeia de levantar as quotas sobre as suas importações de vestuário, antes ainda da esperada adesão deste país à OMC, no final do ano passado.

No entanto, a realidade actual mostra que os países membros da Organização Mundial de Comércio, como a China, beneficiaram mais desta abertura dos mercados internacionais, em vigor desde o início do corrente ano.

Assim, o Vietname tem vindo a ressentir-se do abrandamento do seu comércio externo, desde que as referidas quotas foram eliminadas, tendo a procura dos produtos de vestuário mais vendidos no mercado europeu decrescido consideravelmente, ao mesmo tempo que os lucros dos exportadores também caíram de forma dramática.

Segundo o ministro da indústria do Vietname, já era esperado um abrandamento por parte das suas empresas, embora estas não estivessem preparadas para a enorme extensão dos danos da concorrência por parte da China.

Os lucros das exportações da indústria dos têxteis e vestuário vietnamita cresceram apenas 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo os 566 milhões de dólares, um valor consideravelmente abaixo das previsões para o ano inteiro (18%).

Em contraste, as exportações totais de têxteis e vestuário para a União Europeia atingiram os 800 milhões de dólares em 2004, montante que representou 18,4% do volume de negócios total da ITV vietnamita.

Os restantes mercados das exportações do Vietname, como os Estados Unidos, Canadá e Turquia, representaram cerca de 70% do volume de exportações nacional. Entre estes, os E.U.A. mantêm-se como o principal importador, embora as vendas do Vietname aos compradores americanos tenham estagnado, desde Janeiro passado.

Em 2004, as exportações vietnamitas de têxteis e vestuário para o mercado norte-americano cifraram-se em 2,4 mil milhões de dólares, assegurando 55,2% do volume de negócios da indústria deste país, e que cresceu 21,5% em relação a 2003.

De modo a fazer face a esta súbita quebra nas encomendas e ao crescente domínio da China nos mercados internacionais, o ministro vietnamita do comércio incentivou as empresas nacionais a apostarem em artigos produzidos a partir de matérias-primas e acessórios de origem local, de forma a reduzirem os seus custos de produção.

O governo do Vietname afirma igualmente que está a fazer tudo o que pode para assegurar que as quotas sejam cumpridas e as licenças de exportação sejam definidas com a maior brevidade possível.

Em síntese, os exportadores vietnamitas defrontam uma concorrência particularmente agressiva da parte das empresas chinesas que vendem principalmente aos clientes americanos e europeus.

As exportações chinesas registaram um crescimento de 40% a 60% na União Europeia, nas categorias de vestuário mais procuradas, como as calças, sweaters, T-shirts e camisas.

Os produtos chineses constituem uma quota de mercado que ronda os 80% nos maiores importadores mundiais, incluindo os Estados Unidos, Japão e União Europeia.