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Financiamento europeu impulsiona Myanmar

A indústria de vestuário do Myanmar deverá assistir a um crescimento de 300% nas suas exportações até ao final de 2019, graças a um financiamento europeu de 2,8 milhões de euros, referente à entrada em vigor da segunda fase do projeto SMART.

A segunda fase da iniciativa tem como objetivo impulsionar a produtividade e criar mais de 300 mil postos de trabalho para trabalhadores com qualificações baixas durante os próximos quatro anos.

Foi implementado por um consórcio de parceiros, que incluem a alemã Sequa, a Foreign Trade Association of German Retail Trade (AVE), o grupo de moda sustentável Madeby, a Myanmar Garment Manufacturers Association (MGMA) e a Association of Development Financing Institutions in Asia and the Pacific (ADFIAP).

Jacob Clere, líder da equipa no SMART Myanmar II, referiu ao just-style que «o foco do projeto é melhorar a conformidade social e ambiental em fábricas de vestuário, melhorando e integrando algumas das atividades-piloto lançadas durante a primeira fase do projeto em 2013-2015».

«O nosso alvo é conseguir melhorias na conformidade social em 100 fábricas durante os próximos quatro anos, bem como fornecer gestão de recursos humanos a 400 gerentes de fábrica», acrescentou.

Outras atividades incluem informar os trabalhadores das fábricas sobre legislação, qualidade e segurança no trabalho; trabalhar com o governo em torno dos procedimentos de adjudicação de contratos públicos; e formar os bancos locais sobre produtos e serviços financeiros, que passam pela introdução ao conceito de “finanças verdes”.

O objetivo final do projeto SMART, que tem vindo a decorrer há três anos, é ajudar a indústria de vestuário do Myanmar a tornar-se competitiva no mercado global. No seu arranque, foram investidos cerca de 2 milhões de euros, numa tentativa de melhorar a produção e o consumo de peças de vestuário de produção sustentável.

Os parceiros do projeto esperam que outros resultados sejam, também, alcançados, tais como uma redução de 20% na produção de resíduos em 100 fábricas de vestuário. As exportações de vestuário também deverão assistir a um aumento de 300%, a partir de 2015 e até ao final de 2019.

O consórcio espera ainda que pelo menos 150 fábricas de vestuário melhorem as suas condições de trabalho, como consequência de participarem nas SMART Compliance Academies. Trinta instituições bancárias deverão participar em cerca de oito workshops sobre “finanças verdes”. Além disso, o programa tem como meta a formação de 15 consultores de Safer Consumer Products (SCP), para entregarem programas de melhoria das condições nas fábricas.

Espera-se que a iniciativa crie ainda novas oportunidades de negócio, por exemplo, entre fábricas em Myanmar e marcas europeias.

Na cerimónia de lançamento, o embaixador da UE, Roland Kobia, comemorou as conquistas da indústria de vestuário do Myanmar, observando que o valor das exportações de vestuário mais do que duplicou nos últimos anos, tornando-se «um sector catalisador da transição económica no Myanmar».

O projeto SMART Myanmar é financiado pela iniciativa europeia SWITCH Asia, que, ao promover e apoiar a produção sustentável do vestuário “Made in Myanmar”, se esforça para aumentar a competitividade internacional das pequenas e médias empresas do sector. O projeto também visa impulsionar a capacidade das associações empresariais, ajudando a associação local MGMA a elaborar o primeiro Código de Conduta para os seus membros.

A diretora do projeto, Simone Lehmann, sublinhou que o foco da próxima fase será o «apoio e a capacitação técnica» através de workshops que alcancem os industriais. Lehmann referiu ainda que «o sector do vestuário se transformou rapidamente no principal sector exportador de Myanmar, depois do petróleo e do gás. O valor das exportações mais do que duplicou em menos de dois anos e deverá continuar a crescer de forma exponencial nos próximos anos», acrescentando que «o crescimento do sector de vestuário irá contribuir para o crescimento do sector industrial e para a criação de emprego».