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Finera cresce na cama

Com uma nova vida desde setembro do ano passado, tendo transitado para a empresa Classytex, a Finera mantém a aposta nas toalhas de felpo, mas é na cama que o crescimento mais se manifesta.

Gil Macedo

Conhecida pelas toalhas de felpo bordadas, é a cama, contudo, que mais tem crescido dentro da Finera. «Até há cerca de três anos, as nossas vendas estariam em cerca de 60% toalhas e os restantes na cama. Nos últimos tempos temos vindo a crescer mais em cama. No ano transato já terminámos com um volume de vendas de cerca de 55% ou 58% em cama. E este ano, a cama vai claramente continuar nessa tendência», adianta Gil Macedo, diretor de vendas internacionais.

A mudança é fruto de uma alteração de estratégia da empresa, mas também da tipologia dos clientes. «Nós vendemos para o mundo inteiro, nomeadamente para a América Latina. Temos, por exemplo, um cliente que compra contentores e, de repente, os contentores também começaram a revelar essa mesma divisão: em vez de ser, por exemplo, 60% toalhas e 40% cama, passou a ser até mais de 60% em cama», explica ao Portugal Têxtil.

Este investimento na cama tem trazido um aumento do volume de negócios. «A partir do momento em que o produto mais vendido tem um valor de faturação superior, os resultados são sempre mais favoráveis. O que nos apraz muito, porque o nosso objetivo não é volume de vendas, é valor acrescentado e margem sobre o produto», confessa Gil Macedo.

Nos quatro cantos do mundo

Os clientes da Finera são, essencialmente, importadores e distribuidores, repartidos por quase todos os continentes – a exceção é a Oceânia. «A empresa cresceu um bocadinho ao bom sistema português. Primeiro, sendo uma empresa de origem iminentemente familiar, como quase todas as empresas de têxteis-lar em Portugal, começou por crescer através do vizinho. Começámos a expandir o negócio por proximidade geográfica: Espanha, França, Inglaterra… Também vendemos para os EUA – muito concentrado na zona dos importadores de Brooklyn, em Nova Iorque – e para o Canadá, e vendemos também para a América Latina, essencialmente Colômbia e Chile», enumera o diretor de vendas internacionais. Nem a Ásia escapa à Finera. «Até vendemos para a China, porque também há clientes no país que têm um grau de exigência de produto europeu. Cada vez isso acontece mais», afirma Gil Macedo, reconhecendo, todavia, que são ainda «vendas residuais».

Este ano, a Finera tem sentido uma quebra no mercado inglês, resultado do Brexit, que tem sido compensada por um forte crescimento em França. «O mercado francês tem crescido muito para nós, penso que fruto da exclusividade das nossas linhas em cama e, acredito, também muito pelos acabamentos, um certo toque handmade que ainda damos aos nossos produtos de cama, nomeadamente a aplicação de rendas», aponta Gil Macedo, sublinhando que «o made in Portugal é muito bem visto em França», assim como noutros mercados.

As vendas são feitas tanto em private label como com a marca própria. «Logicamente tentamos sempre vender a nossa marca, porque se a nossa marca estiver presente nas estantes, há uma disseminação e ela torna-se conhecida para o cliente final – e se correr bem, ele vai pedir a marca Finera», indica Gil Macedo.

Em setembro do ano passado, a marca Finera transitou para a Classytex, liderada por Edgar Neto, numa estratégia já alinhavada anteriormente de transição para a terceira geração da família. Dentro de portas manteve-se, a nível produtivo, a execução dos bordados, com as restantes etapas a serem subcontratadas a parceiros.

2019 auspicioso

primeiros resultados nesta nova organização mantêm o crescimento que a Finera tinha vindo a sentir nos últimos anos.

Os primeiros seis meses de 2019 «foram fortíssimos», assegura o diretor de internacionalização. «Tivemos algumas dificuldades de adaptabilidade da própria produção, porque temos um enorme cliente em França, com mais de 400 lojas, que nos fez uma encomenda em novembro para entrega em janeiro, que foi um sucesso e, por isso, a encomenda foi duplicada para entrega até março. As vendas dispararam, foi uma loucura», conta Gil Macedo.

Um dos exemplos que permitiram que o primeiro semestre do ano tenha corrido «claramente acima das expectativas».