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Fio inteligente muda de cor

Mudar a cor da camisola ou receber a informação do tempo que falta até chegar o próximo autocarro são algumas das aplicações da tecnologia Ebb desenvolvida por investigadores de Berkeley envolvidos no Projeto Jacquard da Google.

A colaboração entre a Escola de Informação de Berkeley e o Projeto Jacquard – uma iniciativa do grupo de Tecnologia e Projetos Avançados da Google – deu origem à Ebb, uma tecnologia que os investigadores afirmam que pode ser usada para criar vestuário e outros têxteis com mudança dinâmica de cores ou padrões.

A tecnologia central da Ebb consiste em fios condutores, revestidos individualmente com tinta termocromática, que aquece e muda gradualmente de cor quando recebe eletricidade. Para o projeto de investigação inicial, a equipa de Berkeley usou o fio inteligente para criar sete tecidos e malhas diferentes.

As aplicações sugeridas incluem vestuário que permite ao utilizador customizar a cor ou o padrão para o dia, uma camisola com um slogan que é automaticamente atualizado para corresponder à situação do utilizador no Facebook e um lenço às riscas que oferece informação em tempo real sobre os autocarros, com as riscas a desaparecerem uma a uma para indicar o número de minutos que falta até o autocarro chegar.

Batizada Ebb porque «a mudança de cor cria imagens de uma diminuição e fluxos das marés, em vez das mudanças rápidas dos ecrãs tradicionais», o projeto foi apresentado na CHI Conference on Human Factors in Computing Systems em 2016, onde venceu o prémio de Melhor Trabalho.

Inicialmente, vários delegados presentes na conferência mostraram-se céticos, segundo a informação publicada no website da Escola de Informação de Berkeley. «Não quero usar um ecrã», admitiu um participante, enquanto outros lembraram experiências passadas com vestuário que emite luz: «camisolas de Natal a piscar, ténis infantis que se iluminam quando a criança anda ou óculos que se iluminam obtidos em feiras populares e parques de diversões».

Mas os investigadores lembram que a Ebb não é um ecrã que emite luz: é apenas um têxtil que muda de cor. Ao toque, um dos participantes destacou que o resultado «parece mais muito mais tátil e algo como um tecido em vez de plástico… Creio que é mais íntimo e mais fácil de gostar».

A equipa de investigadores, liderada pela estudante de doutoramento Laura Devendorf, acredita que «não é provável que encontre roupas com a tecnologia Ebb numa loja em breve. Embora o Projeto Jacquard esteja a explorar uma variedade de abordagens à computação wearable, a tecnologia atual não é adequada para a utilização a larga escala», acrescentando que «a investigação da Ebb foi útil para despoletar ideias e descobrir o que as pessoas reais pensam e sentem sobre roupas computorizadas».