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Fios de algodão em queda em 2019

O mercado de fios de algodão registou uma queda no consumo em 2019, que foi sentida também nas importações mundiais deste tipo de produto. Portugal, contudo, revelou estar em contraciclo e aumentou em 2% a compra de fios de algodão, estando entre os países que mais compraram.

Depois de dois anos de crescimento, o mercado mundial de fios de algodão caiu 2%, para 77,2 mil milhões de dólares (cerca de 62,7 mil milhões de euros) em 2019. Segundo o estudo World – Cotton Yarn – Market Analysis, Forecast, Size, Trends And Insights da IndexBox, no geral, o consumo continua a indicar uma tendência de relativa estagnação.

A taxa de crescimento mais proeminente foi observada em 2018, quando o valor do mercado somou 18% em termos anuais. O consumo mundial atingiu um pico em 2013, com 81 mil milhões de dólares. No entanto, entre 2014 e 2019, manteve-se em valores mais baixos.

China lidera consumo…

Os países com maiores volumes de consumo de fio de algodão em 2019 foram a China (8,1 milhões de toneladas), a Índia (4,3 milhões de toneladas) e o Paquistão (3,2 milhões de toneladas), que em conjunto representam 74% do consumo.

Entre 2013 e 2019, os maiores aumentos foram sentidos na Índia, enquanto o consumo de fio de algodão por parte de outros líderes mundiais evidenciaram ritmos de crescimento mais modestos.

Em termos de valor, a China (38,9 mil milhões de dólares) liderou o mercado. A segunda posição no ranking foi ocupada pela Índia (12,8 mil milhões de dólares), seguida pelo Paquistão.

Os países com os níveis mais elevados de consumo de fio de algodão per capita em 2019 foram o Paquistão (16 quilos por pessoa), Turquia (16 quilos por pessoa) e Coreia do Sul (7,55 quilos por pessoa).

… e produção

A China continua a ser líder mundial em termos de produção e consumo de fio de algodão. «A indústria têxtil chinesa experienciou uma transformação rápida ao longo das últimas duas décadas. Como tal, houve um aumento na indústria de fios sintéticos na China desde o final dos anos 1990, enquanto a produção de fio de algodão se manteve relativamente estável», refere a IndexBox.

De acordo com o estudo, isto deveu-se ao forte desenvolvimento do sector da construção na China, especialmente infraestruturas e construção urbana, graças ao forte crescimento da economia e rápida urbanização. «O aumento da construção exige muitos não-tecidos sintéticos usados como geotêxteis e como componente para a produção de materiais compósitos», justifica a IndexBox. Um outro impacto, avança, diz respeito ao aumento da disponibilidade de fibras sintéticas devido ao crescente consumo de petróleo, com as matérias-primas para fibras a constituírem um derivado da destilação de petróleo.

Tendo em conta esses fatores, a produção de vestuário com fibras sintéticas também cresceu. Já a produção de fio de algodão continuou relativamente estável porque é utilizado apenas para vestuário e ficou pressionada pelo aumento da oferta de fibras sintéticas. Como tal, «a quota de fio de algodão em termos da produção total de fios na China contraiu de cerca de 50% em 2000 para quase 22% em 2019», aponta a IndexBox. Ainda assim, representou 6,4 milhões de toneladas em 2019.

Com este valor, a China lidera a produção mundial de fio de algodão, seguida da Índia (5,3 milhões de toneladas) e do Paquistão (3,7 milhões de toneladas) – juntos detêm uma quota de 72% da produção mundial deste tipo de produto. A IndexBox estima que a Turquia, o Vietname, os EUA e o Brasil, que seguem os três principais produtores, representem, em conjunto, uma quota de 16%.

Entre 2013 e 2019, a taxa de crescimento mais notável em termos de produção de fio de algodão entre os principais países produtores foi registada pelo Vietname (+24,2%).

Portugal entre os mais importadores

Em 2019, foram importadas cerca de 4,5 milhões de toneladas de fio de algodão em todo o mundo, o que representa uma queda de 3,1% face ao ano anterior, embora, no geral, as importações continuem a mostrar uma certa tendência de estagnação. Em termos de valor, a IndexBox estima que as importações de fio de algodão tenham caído para 13,7 mil milhões de dólares.

A China lidera também aqui, com a importação de 2 milhões de toneladas de fio de algodão – o que representa aproximadamente 45% das importações totais em 2019. O Bangladesh, com 248 mil toneladas, tem uma quota de 5,5%, o que o coloca em segundo lugar, seguido das Honduras (5,3%) e Turquia (4,7%).

Portugal surge nesta lista de mais importadores, com 106 mil toneladas de fio de algodão importado em 2019 – aliás, os números da IndexBox revelam que as importações para Portugal somaram mais 2%.

Em termos de valor, a China, com 5,6 mil milhões de dólares, é o principal mercado para as importações de fio de algodão, representando 41% das importações mundiais. A segunda posição foi ocupada pelo Bangladesh (772 milhões de dólares), com uma quota de 5,6%, seguido das Honduras, com uma quota de 5,4%.

O preço médio das importações de fio de algodão situou-se em 3.064 dólares por tonelada em 2019, com uma descida de 5,4% em comparação com o ano anterior. Os preços variaram significativamente por países de destino: o país que mais pagou foi Hong Kong (4.190 dólares por tonelada), enquanto a Rússia, com 1.901 dólares por tonelada, foi a que pagou menos.