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Fitecom continua imparável

O início de 2016 arrefeceu as vendas no ano passado, mas a Fitecom não tremeu e lançou-se na execução de novos projetos para crescer em 2017, incluindo um novo conceito de coleção, a aquisição de mais tecnologias e um aumento da capacidade da fiação, para produzir fios cardados de lã para consumo interno.

Ao contrário de 2016, o início de 2017 trouxe consigo um aumento «ligeiro» das vendas para a Fitecom, que continua a fazer investimentos com o crescimento em linha de mira. A produtora de lanifícios, fundada em 1993, investiu recentemente cerca de um milhão de euros, incluindo uma nova râmula na ultimação e dois contínuos para a fiação. «É uma pequena parte da fiação mas, dada a configuração dos contínuos, com duplas estiragens, permite-nos fazer fios mais finos», revela João Carvalho, administrador da empresa, ao Portugal Têxtil.

Atualmente, a fiação da Fitecom tem uma capacidade diária de cerca de três toneladas, que são usadas apenas internamente. Embora a produção não seja suficiente, até porque a empresa usa também fios de lã penteada para fabricar os seus tecidos, o controlo deste processo produtivo tem uma «grande importância» estratégica para o negócio. «Cada vez mais, o prazo de entrega das encomendas vai-se encurtando. Tendo a fiação dentro de portas, faz-se o planeamento a seu bel-prazer. Fora de portas as coisas não funcionam dessa maneira. Tem de se ter stocks», explica o administrador. «Só que quando falamos de moda, eu trabalho, entre fios e cores, com mais de 2 mil diferentes – é impossível ter stocks de todas as cores –, de modo que ter fiação própria tem essa vantagem», acrescenta. Aliás, refere João Carvalho, «já pensei várias vezes em montar uma pequena fiação de penteados para resolver esta questão da moda rápida».

Foi já a pensar nesta questão da moda rápida que, no ano passado, a Fitecom apresentou um novo conceito de coleção. «Há um novo conceito que foi introduzido na coleção e apresentado na Première Vision, a que foi dado o nome “Five to Seven”», adianta o administrador, que na construção das propostas utiliza «cinco a sete fios, cinco a sete cores por cada fio, cinco a sete padrões por cada desenho, cinco a sete cores por cada cartaz, a um preço de cinco a sete euros, para entregar produção de cinco a sete semanas e entregar cartazes de cinco a sete dias». Um conceito que pretende responder às necessidades do consumidor atual. «Sete cores por fio é o suficiente para fazer uma coleção que vá ao encontro do perfil do consumidor moderno. Por outro lado, é muito importante também para a distribuição o facto de conseguir num curto espaço de tempo ter à disposição os tecidos para poder confecionar e dentro de um preço que seja um target dentro do grande consumo do mundo da lã», garante João Carvalho.

O conceito tem ainda a particularidade de introduzir, a cada estação, coisas novas. Para a primavera-verão 2018, a coleção da Fitecom com este conceito, apresentada na última edição da Première Vision Fabrics (ver Lição de bons têxteis em Paris), inclui, por exemplo, modal. «A ideia foi criar tecidos com o brilho do mohair a preços mais baixos. Depois combinei o modal com a lã, com o linho, e fez-se mais uma minicolecção com coisas diferentes e que teve muito boa aceitação», explica João Carvalho.

Com uma quota de exportação de 97%, a Europa mantém-se como o principal mercado da empresa, que em 2016 faturou cerca de 11 milhões de euros. Inglaterra, Alemanha e Países Nórdicos, cujo crescimento compensou a queda sentida no mercado francês, destacam-se entre os principais mercados. A América está, contudo, na linha de mira. «Estamos a tentar apostar no continente americano todo», aponta o administrador da Fitecom, referindo os EUA, mas também o Canadá e países da América do Sul, como Colômbia, Argentina e Chile. «São mercados que demoram muito tempo a criar, mas estamos a avançar, pé ante pé. Temos estado a crescer e estamos com boas perspetivas», afirma João Carvalho ao Portugal Têxtil.