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Fitor combate incerteza com inovação

Para superar os desafios causados pelo aumento acentuado do preço das matérias-primas, especialmente sintéticas, e pelo abrandamento do mercado, a Fitor está a apostar no dinamismo comercial e na inovação. Fios com ácido hialurónico e antibacterianos sem prata fazem parte das propostas da empresa.

Numa altura em que o mercado se apresenta com alguma instabilidade, a Fitor está a jogar os seus trunfos. «O sector está a passar um período de alguma instabilidade e há alguma incerteza: incerteza pelas encomendas; incerteza pelo abrandamento económico ligeiro, que não é grave mas que se nota na Europa; incerteza muito séria do preço das matérias-primas, que estão a subir, incluindo os custos com químicos e corantes – há corantes que aumentaram mais de 100% nos últimos dois ou três meses», afirma o CEO António Pereira.

A Fitor, que emprega 75 pessoas e dentro de portas tem uma capacidade produtiva de 70 toneladas mensais de fios de poliamida e de poliéster, está, por isso, a tomar medidas para enfrentar este período e diferenciar-se no mercado. «Uma das coisas é tentar passar os preços, que é o mais difícil, para a margem não cair. Depois é ter muito dinamismo comercial e promover mais as inovações. No fundo, ser mais aguerrido», explica.

Do ácido hialurónico ao anti-mosquito

Nesta versão mais ousada da Fitor cabem diversos artigos novos, que aproveitam as tendências atuais do mercado. É o caso do fio com ácido hialurónico, com propriedades antienvelhecimento para ser usado na produção de peças de primeira camada ou “next to skin”. «Tem um tratamento especial e muitas características. É antibacteriano e previne o envelhecimento», aponta o CEO.

Nesta área da inovação, a fiação conta também com fios antimosquito e antibacterianos sem utilização de prata, desenvolvidos em parceria com a Smart Inovation. «Isso é uma vantagem», sublinha António Pereira. «É uma área que tem vindo a crescer devagarinho, são fios muito interessantes», garante.

Na perspetiva mais moda, os reciclados são, atualmente, «o top» em termos de procura. «Já fazíamos reciclados há muito tempo, tínhamos algumas coisas, e, apesar de se falar muito, demorou tempo a pegar. Mas agora está na rampa de crescimento. Já temos muitos pedidos e acredito que ainda vamos ter mais», revela ao Portugal Têxtil.

O mesmo acontece com os fios mélange. «Têm tido muita saída» e estão a superar os fios estampados. «Os estampados foram um bocadinho moda e agora têm vindo a descer. Uma das razões tem sido o preço – o efeito do estampado é mais bonito, mas é mais caro. E o preço não passa», reconhece o CEO.

Fortalecer o “barco”

Face à instabilidade do mercado, a Fitor – que tem também desenvolvido artigos técnicos e funcionais, incluindo com fibra de carbono para as áreas da performance e saúde – tem como objetivo manter o volume de negócios, que em 2017 rondou os 7,5 milhões de euros, e, sobretudo, as margens. «Não estou a pensar num cenário negativo, mas há cinco ou seis anos que estávamos num ciclo de crescimento, sempre a subir, e agora parece que está tudo mais a estagnar», confessa António Pereira.

Uma conjuntura que se sente nas exportações, que representam atualmente cerca de 70% da produção da produtora de fios. «Os mercados que têm subido ligeiramente são mais os da Europa de Leste. Os outros estão estáveis ou a cair um bocadinho», indica António Pereira.

O crescimento está, por isso, em pausa neste momento, sendo a consolidação da Fitor o mais importante. «Também não há o objetivo de crescer muito, porque isso obriga depois a mais investimentos e a mais gente. O barco fica maior e barcos grandes são mais difíceis de manobrar. Tem corrido bem e é para continuar. Queremos reafirmar, manter o nome e expandir lá fora», adianta António Pereira. «Estamos no bom caminho. Continuamos a ser uma empresa bem vista, uma empresa líder. O único argumento que os nossos concorrentes têm é, eventualmente, um preço mais barato. Mas quando há qualidade, tanto no serviço, como no produto, os clientes trabalham connosco», conclui.