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Flanela alimenta sonho americano da Texser

Os EUA foram o principal mercado da Texser em 2018 e deverão continuar a crescer este ano, graças ao sucesso da flanela portuguesa junto dos americanos. O reforço da aposta no Japão e investimentos em maquinaria e painéis solares estão igualmente em equação para o futuro próximo da produtora de tecidos.

Num ano «equilibrado» para a Texser, como descreve a CEO Carla Pimenta, os EUA destacaram-se entre os principais mercados da empresa, que exporta diretamente 40% da sua produção. «Foi o que cresceu mais», revela. «Temos um cliente americano, que vende para a América do Sul, que procura muita flanela. Como somos muito fortes na “portuguese flanel”, como eles dizem, penso que foi um fator importante», explica ao Portugal Têxtil. «Praticamente não trabalhávamos com eles», afirma, o que justifica o crescimento no mercado. «Temos também um outro cliente, em que enviamos diretamente para os EUA, de menor quantidade, mas que também é um cliente que pensamos ter tendência para crescer», acrescenta a CEO.

Os EUA fazem parte de uma lista de mercados encabeçada por Espanha, que no ano passado também se destacou, mas pela negativa. «A Turquia fez-nos um pouco de concorrência, a nível de preços», reconhece Carla Pimenta, que admite também que «tem a ver com a Inditex».

O mesmo aconteceu com o Japão. «O mercado japonês é um mercado muito bom. Mas baixámos um pouco. Talvez tenha sido o nosso agente que não funcionou tão bem. Estamos agora a ver se crescemos um bocadinho este ano», adianta.

Verão sustentável

Entre os trunfos para crescer em mercados como o Japão está a flanela portuguesa, na qual a empresa tem já um longo historial, mas também uma aposta em matérias-primas sustentáveis. Para a primavera-verão 2020, a coleção da Texser integra algodão orgânico, cupro, linho e tecidos com uma mistura de liocel, linho e algodão. «Tivemos que nosa justar à produção de tecidos orgânicos e na tinturaria estamos já devidamente certificados», indica a CEO.

O próximo passo na sustentabilidade passa pela parte energética. «Já temos um recuperador de vapor da caldeira, em que reaproveitamos todo o vapor produzido», admite, reconhecendo que este recuperador já permitiu reduzir a fatura do gás. Agora, «vamos instalar painéis solares», desvenda Carla Pimenta.

Este projeto, que deverá ser submetido na próxima ronda de candidaturas para apoio do Portugal 2020, está atualmente em estudo. «Temos de ver qual é a nossa exposição solar. Apesar de já termos alguns estudos e orçamentos, ainda é uma coisa um pouco vaga», confessa. A eficiência energética da Texser, que emprega 65 pessoas, deverá ainda ser reforçada com outras medidas, incluindo a substituição das janelas para permitir o aproveitamento energético.

A caminhos dos 5 milhões de euros

Além do projeto para os painéis solares, a produtora de tecidos tem estado empenhada em renovar o parque de máquinas. Em 2017, adquiriu cinco teares e, num projeto no âmbito do Portugal 2020 que ainda está em curso, investiu num programa de desenho de debuxo e num laboratório para o desenvolvimento de cores. Fez ainda alterações ao layout, com um armazém novo. «Tem 600 metros quadrados. Precisávamos de mais espaço para a expedição», justifica a CEO.

Depois do início do mês de janeiro ter sido «um bocadinho parado», o negócio parece estar «a mexer bastante» atualmente. «Estamos a ter mais procura e mais pedidos», afiança Carla Pimenta.

Sem ter conseguido atingir o objetivo de crescimento em 2018, tendo mantido um volume de negócios semelhante a 2017, nos 4,8 milhões de euros, a meta para este ano é ultrapassar os 5 milhões de euros. «Estou convencida que 2019 vai ser melhor», assegura. «Às vezes basta um mês menos bom para desequilibrar, mas noto agora que estamos a receber muitas encomendas seguidas. Isso já é um bom princípio», garante a CEO da Texser.