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Floor-Ready Merchandise: vantagens para a indústria têxtil – Parte 1

Basicamente, o chamado“floor-ready merchandise”refere-se à mercadoria que é pré-etiquetada e pré-registada, com todos os detalhes e informações necessários para a loja do retalho, antes de chegar a essa mesma loja.

Esta mercadoria pode ser empacotada ou mesmo pendurada em cabides, tal como seria se já estivesse na loja retalhista, podendo ainda ser colocados mecanismos de segurança para a proteger de eventuais roubos.

Ao adoptarem este sistema, os retalhistas poderão levar os artigos directamente para os locais de venda, pois estes já se encontram etiquetados e marcados com os respectivos tamanhos, medidas e preços, e assim prontos a colocar à venda.

Por definição, estas actividades devem ter lugar no“ponto mais adequado da cadeia de produção”.

No entanto, para várias empresas, este ponto passou da loja retalhista para os chamados centros de distribuição regionais, e em alguns casos mesmo para as centrais de distribuição, ou ainda para a própria fábrica onde os artigos são produzidos.

O principal motivo de mudança para o sistemafloor-ready merchandise assume assim três vertentes: reduzir custos, melhorar a velocidade na cadeia de produção, e libertar os elementos da loja de retalho das tarefas de embalagem, etiquetagem, etc..

O conceito defloor-ready merchandise (FRM) não é propriamente novo no sector da moda e vestuário, existindo neste ramo há cerca de duas décadas, sob uma ou outra forma.

Um estudo efectuado na década de 80 nos Estados Unidos revelou que, no que toca à cadeia de produção e venda de vestuário, era gasto mais tempo nas actividades paralelas de informação, encomenda e embalagem de artigos, do que nas actividades produtivas propriamente ditas.

Este estudo levou ao surgimento da filosofia“Quick-Response”, que se centrou na redução dos tempos improdutivos ao longo das cadeias de produção, de modo a que as peças pudessem ser produzidas e enviadas para as lojas de retalho mais rapidamente (junto à respectiva estação), reduzindo assim a acumulação destocks e as respectivas devoluções.

Em 1986, uma iniciativa baptizada Comité do Comércio Inter-industrial (VICS) juntou diversos retalhistas, fornecedores, empresas de transporte e logística, e empresas desoftware e consultoria, tendo trabalhado em conjunto na área dofloor-ready merchandise (FRM), bem como em outras áreas como os códigos de barras, oElectronic Data Interchange (EDI) e o Planeamento Conjunto (CPFR).

A partir do sector do vestuário, este movimento alargou-se e adoptou a forma do“Efficient Consumer Response”, de forma mais eficaz e disseminada, para os sectores dos produtos alimentares e supermercados.

De acordo com este sistema, antes de ser expedido do fabricante de vestuário, os produtos devem ser marcados e etiquetados, para envio às respectivas lojas.

Nalguns casos, se eles forem pendurados na loja em vez de serem colocados em prateleiras, os artigos devem ser colocados em cabides adequados (incluindo os cabides com diferentes códigos de cores, para identificarem os diferentes tamanhos ou secções na própria loja).

Para tal, o fabricante deve naturalmente adquirir os artigos específicos, como as etiquetas e cabides, junto de um fornecedor previamente aprovado pelo retalhista, que pode também ele próprio fornecer os referidos materiais.

Depois, o fabricante terá que registar cada peça quando as colocar nas caixas, aproveitando aqui para confirmar o conteúdo enviado em cada caixote ou contentor.

As caixas devem ser arrumadas de modo a que cada uma delas – ou lote de caixas – seja depois expedido para as respectivas lojas, sendo marcadas com um código de barras no exterior, para melhor identificação.

O fabricante pode então criar um aviso de expedição, a partir dos códigos de barras das caixas enviadas, e enviá-lo ao retalhista.

Quando essas caixas são enviadas, tantos os operadores de logística como os centros de distribuição regionais do retalhista devem poder “ler” os códigos de barras no exterior das caixas e redistribui-las.

Se esses centros de distribuição se encontrarem devidamente equipados, ao nível informático e de sistemas automáticos comoscanners e tapetes rolantes, poderão efectuar estas tarefas mais rápida e eficazmente.

A mercadoria pode assim chegar às lojas em poucas semanas, ou mesmo dias, mais depressa do que através das tradicionais cadeias de produção e distribuição de artigos de vestuário.