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Flor da Moda conquista os mais exigentes

A Itália e o Japão são as mais recentes adições à já longa lista de mercados da Flor da Moda, que conseguiu atrair clientes nestas latitudes, não só com a qualidade da confeção em private label mas também com a marca própria Ana Sousa.

Os dois mercados surgem depois de alguma persistência, num percurso que, no caso do Japão, representa quase uma década de prospeção. «Fiz uma visita ao Japão há cerca de oito anos e fiquei um bocadinho triste na altura, porque preferiam as marcas deles, mais baratas porque eram feitas na China», revelou, ao Jornal Têxtil (edição de junho), o administrador Nuno Sousa. «Mas, efetivamente, o paradigma que existia alterou-se e hoje já querem marcas e produção europeias», acrescentou.

O Japão foi uma conquista realizada no ano passado, assim como o mercado italiano, onde a empresa conseguiu angariar clientes como a Max Mara, Iceberg e Liu Jo. «Há dois anos seria praticamente impossível», afirmou, mas «com a exigência que o mercado está a ter, a nível de qualidade e rapidez de resposta, foi possível conquistar mais esse país». Mesmo no Reino Unido, um mercado onde está implantada há vários anos, com clientes como Victoria Beckham e Paul Smith, a Flor da Moda conseguiu novas contas, como os grandes armazéns Whistles

Estes clientes novos contribuíram para o crescimento da empresa em 2016 – que, sozinha, faturou cerca de 16 milhões de euros – e abrem boas perspetivas para o corrente ano. «Pela conjugação destes fatores, dos vários clientes que temos externos ao grupo, e a própria marca Ana Sousa cresceu, o saldo que fazemos de 2016 é bastante positivo, permite ter um 2017 com crescimento e reforçar o posicionamento da empresa nos diferentes mercados», explicou Nuno Sousa.

O mercado interno representa atualmente 55% da produção da Flor da Moda – que, incluindo os subcontratados que trabalham em exclusivo para a empresa, emprega diretamente cerca de 600 pessoas –, mas o equilíbrio absoluto deverá chegar ainda este ano, com a exportação a atingir os 50%. «Não vamos perder o mercado nacional», ressalvou o administrador. «Tem a ver a com o volume total, que vai permitir que, com os novos clientes, a exportação seja mais forte», apontou, apontando, por exemplo, oportunidades decorrentes da nova política americana. «Este cerrar fronteiras que os EUA estão a tentar fazer com o México faz com que alguns países da América Latina tenham que encontrar alternativas. E, seja para os EUA ou a América Latina, temos de estar atentos porque vão surgir oportunidades», admitiu.

Um processo que faz parte da estratégia de diversificação da empresa, até porque, assegurou Nuno Sousa, «não quero esta dependência de um só mercado ou cliente».