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Forte dinamismo e vigor

No segundo ano da moeda única o enquadramento macro-económico sofreu alterações fundamentais.  A economia europeia demonstrou um forte dinamismo e vigor, tendo levado inclusivamente à alteração  da condução da política monetária por parte do Banco Central Europeu. A economia europeia atingiu durante este último ano uma taxa de crescimento elevada, tendo em conta a sua natural rigidez estrutural, tendo-se registado uma variação no PIB da União Europeia de 3,3%, face a uma taxa de crescimento de 2,5% em 1999.

 

Quanto à zona do Euro, a taxa de crescimento do PIB foi inclusivamente superior à registada para a totalidade da União, atingindo um valor de 3,4% em 2000, face a 2,5% em 1999. Contudo, o crescimento da economia europeia é, neste momento, fortemente dependente da procura externa. As exportações da zona Euro terão crescido 11,7% (10,9% no conjunto da U.E.), as importações cresceram 10,4% (10,0% na U.E.), mas o consumo final das famílias abrandou ligeiramente durante este último ano. Na zona Euro, o consumo final das famílias cresceu 2,6%, face a um valor de 2,8% em 1999. Em comparação, estima-se que a economia dos Estados Unidos terá registado uma taxa de crescimento de cerca de 5,0%, ou seja, 0,8 pontos percentuais acima da taxa de crescimento registada em 1999. Apesar do crescimento da economia europeia ser inferior ao da economia americana, a verdade é que o espaço da União ainda é caracterizado por uma forte rigidez estrutural, apesar das políticas de maior flexibilização e liberalização seguidas por um conjunto alargado de países, pelo que os resultados em termos de crescimento económico devem ser considerados como bastante positivos. Aliás, segundo a OCDE, o PIB da zona Euro durante o ano 2000 terá sido inferior ao produto potencial apenas em 0,2%, pelo que apesar de ainda existir alguma margem para um crescimento superior do PIB que não ponha em causa os objectivos ao nível da inflação, esta margem já é algo reduzida.

 

Face a este enquadramento, e tendo em conta a forte aceleração da taxa de inflação na área do Euro, que atingiu os 2,4% em 2000 face a 1,1% em 1999, o Banco Central Europeu optou por adoptar uma postura menos expansionista na condução da política monetária. Acompanhando a evolução desfavorável do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor, outros indicadores de preços e custos, como os preços na produção industrial e os preços das matérias primas, sinalizavam uma hipotética pressão sobre as tensões inflacionistas na área do Euro. Assim, durante  o ano 2000, o BCE alterou as taxas de juro de referência para a absorção e cedência de liquidez em seis ocasiões, registando-se uma variação positiva de 175 pontos base entre Janeiro e Dezembro. Este aumento das taxas de juro de referência foi logicamente transmitido às taxas praticadas pela banca a retalho. O custo do endividamento aumentou de forma algo significativa entre Janeiro e Dezembro de 2000. Nas operações activas de prazo inferior a um ano, o aumento da taxa de juro média foi de 127 pontos base, enquanto que nas operações activas de prazo superior a um ano o aumento cifrou-se nos 71 pontos base.

 

Apesar da evolução das taxas de juro, instrumento que foi utilizado não só com o objectivo de obstar às pressões sobre os preços que se estavam a verificar no espaço do Euro, mas também numa lógica de sustentação da evolução da moeda europeia face ao Dólar dos EUA, o dinamismo da economia americana e os elevados fluxos de capitais para investimento nos mercados dos EUA impediram que a acção do BCE alcançasse o objectivo de inverter a evolução da cotação Dólar/Euro. No início do ano a cotação USD/EUR encontrava-se próxima da paridade, nos 1,007 Dólares por Euro. No final do ano, após uma desvalorização do Euro de aproximadamente 6,5%, cada unidade da moeda europeia já só valia cerca de 0,941 Dólares. Relativamente à economia real, os principais indicadores apontam para uma melhoria do sentimento, quer dos consumidores quer dos produtores. Apesar de uma ligeira desaceleração no consumo privado e no investimento, a pressão da procura externa levou a um forte crescimento na produção industrial, aumentando a ocupação da capacidade instalada para níveis bastante elevados. Contudo, os indicadores relativos ao início de 2001 apontam para a possibilidade de um abrandamento no ritmo de expansão da economia da área Euro. A melhoria registada na conjuntura económica da União Europeia repercutiu-se num aumento da taxa de emprego e numa redução da taxa de desemprego. Assim, além do crescimento económico intensivo, demonstrado pelo aumento do ritmo de crescimento da produtividade, registou-se também um crescimento algo extensivo, através da entrada ou regresso ao mercado de trabalho de um elevado número de desempregados e inactivos.