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frica é tendência

A moda nunca esteve tão centrada em África e os designers africanos na Dakar Fashion Week comprovaram isso mesmo, dando a sua própria interpretação aos estampados e tecidos que têm vindo a inspirar celebridades e casas de moda. O evento terminou no dia 10 de Julho com um desfile final cheio de glamour, que mostrou o que está na moda esta estação, com exemplos desde o Mali à Guiné Equatorial, passando pela Costa do Marfim. Os estampados africanos estão actualmente a inspirar grandes nomes desde Beyoncé à Burberry, com as fotografias da colecção para 2012 da icónica marca britânica a serem impressas sobre material com estampado batik brilhante. A cantora e designer Gwen Stefani também adoptaram o tema em 2011. Os designers em Dakar, como a senegalesa radicada nos EUA Yolande Mancini, foram na onda. Mancini mostrou, por exemplo, um vestido vermelho com ombros em batik e um vestido dourado com uma capa com estampado brilhante. A colecção da designer do Mali Maria Bakhoum foi elaborada em tons terra com o tradicional bogolan (também chamado tecido de lama, por ser tingido com corantes naturais extraídos da lama), enquanto o designer da Guiné Equatorial Alfredo Monsuy misturou cetim e seda com tradicionais estampados com cera. Já Meryem Boussikouk, de Marrocos, apresentou uma colecção de cafetãs em «cores quentes africanas» e cortes contemporâneos. Mas ser um designer africano não é apenas trabalhar com estampados étnicos, como mostrou Patrick Asso, da Costa do Marfim, com a sua colecção em azul. «Há designers africanos a fazerem coisas muito bonitas que não são africanas», sublinhou Almamy Lo, o director artístico do evento, responsável pela escolha dos designers. A responsável pela organização Adama Paris, uma antiga modelo e agora designer, começou o evento há nove anos, apesar das grandes dificuldades e da ausência de apoio por parte do governo desta nação da África Ocidental. «Acredito mesmo que há um mercado, que há um público. As pessoas adoram moda em África, compram. Não sei porque não está estruturado. Eu vendo, as pessoas vendem, mas não temos canais de distribuição, por isso cada um vende apenas onde pode», indicou Paris. «A coisa mais difícil é mostrar os designs», acrescentou. Não há um local em Dakar para um evento deste tipo e a organização é forçada a realizae os desfiles em restaurantes e em hotéis. O orçamento foi reduzido este ano, com a crise financeira a desencorajar os patrocinadores, e o evento teve um início hesitante, com uma noite de abertura silenciosa, já que o gabinete de direitos de autor do país obrigou a desligar a música, alegando que a devida taxa não foi paga. Apesar das dificuldades, Adama Paris prossegue com o seu sonho. «Temos tantos talentos. Eles apenas precisam de um empurrão», referiu, sublinhando que ninguém deve subestimar um fashionista africano. «Mesmo a rapariga que vive numa aldeia vai ao cabeleireiro pelo menos uma vez por mês», exemplificou. Mas tal como muitos outros designers, o seu maior desafio é pôr os africanos a comprar local, uma vez que os designers e as marcas europeias são ainda os mais procurados. «Este é o momento para a moda e tecidos africanos. São coloridos e é algo diferente. Queremos mostrar uma África diferente, não apenas a guerra e a morte que o Ocidente mostra, mas um pouco de glamour», concluiu.