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frica promove a sua moda

Os produtores de algodão, têxteis e vestuário em 18 países da África subsaariana estão a promover uma nova iniciativa para impulsionar a confiança no continente como local de aprovisionamento, bem como atrair novos compradores e investidores para a região. O objectivo é «promover o algodão africano e a cadeia de valor do vestuário, do campo até à moda», afirma Fred Kong’ong’o, director do programa na Africa Cotton & Textile Industries Federation (ACTIF), a associação de comércio regional que concebeu a estratégia. O objectivo da campanha “Brand Africa – Origin Africa” é, segundo Kong’ong’o, ajudar a África no desenvolvimento da sua marca no mundo da moda, mostrando aos compradores o âmbito da sua concepção, tecidos e fábricas. O responsável também refere que «anteriormente, estivemos a utilizar tecidos da Ásia e design da Europa ou dos EUA, e só cortávamos e cosíamos. Mas o que estamos a tentar provar é que podemos ser a origem do design, a origem do tecido e desenvolver a moda. Esperamos que nos próximos um ou dois anos a África leve a sua marca ao mundo da moda». A iniciativa começou por promover o perfil do vestuário desenvolvido localmente, com um desfile de moda que decorreu no final de Abril, na cidade de Nairobi, envolvendo designers da Tanzânia, Uganda, Quénia e Etiópia, bem como tecidos de algodão e de seda fabricados na África Oriental. Esta iniciativa será seguida por um evento maior nas Maurícias, em Novembro, que envolverá cerca de 20 designers de 18 países, usando tecidos africanos nos seus projectos. Kong’ong’o acredita que a produção da região é ideal para as necessidades dos retalhistas de fast-fashion «porque pode produzir pequenas quantidades muito rapidamente». o director do programa na ACTIF também vê espaço para nichos de mercado que exigem tecidos feitos de algodão orgânico, cultivado em áreas como o Norte do Uganda e a Tanzânia. Para além de fornecer feedback, espera-se que os compradores também seleccionem os modelos que serão desenvolvidos até ao nível de mercado, utilizando os tecidos da região, bem como a rede de confecção e acabamento. «Neste momento estamos concentrados nos próximos um ou dois anos, trabalhando com designers para criar a procura por esses desenhos e tecidos africanos», explica Kong’ong’o. O próximo passo será o de converter esse interesse num negócio de investimento no sector têxtil africano na produção de tecidos, bem como em ligações a montante às explorações agrícolas. A escassez de matérias-primas produzidas localmente e as infra-estruturas deficientes têm sido os principais desafios enfrentados pela indústria têxtil africana. Por exemplo, apesar da África produzir 12% do algodão do mundo, 90% da sua produção é vendida para o exterior.   Esta é também a razão pela qual a maioria das exportações isentas de impostos para os EUA ao abrigo do AGOA (African Growth and Opportunity Act) utiliza tecidos de países terceiros – principalmente asiáticos -, uma regra que está prevista terminar em Setembro de 2012. A menos que este regime seja renovado em breve, existem receios de que os compradores possam começar a perder a confiança na África como local de aprovisionamento. Kong’ong’o diz que enquanto a ACTIF está a fazer pressão para tornar o AGOA num acordo de longo prazo, o programa “Brand Africa – Origin Africa” vai apoiar esse esforço, criando uma cadeia de valor de longo prazo para a região. «O nosso objectivo é utilizar as vantagens competitivas da região para posicionar a indústria porque, na nossa opinião, a próxima paragem para a indústria vai ser África. Está agora a migrar da China para países como o Camboja, mas nos próximos 10, 20 ou mesmo 30 anos vai migrar para África. E, quando tivermos as nossas ligações a montante resolvidas, a recuperação será muito rápida», conclui o director do programa na ACTIF.