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FS Baby faz apostas múltiplas

A marca de moda infantil está a diversificar a oferta e, para a primavera-verão do próximo ano, apresentou fatos de banho e acessórios em verga. As máscaras fazem também parte da nova realidade, assim como o reforço do canal digital.

Rodney Duarte

«Não é fácil inovar» quando se trabalha para um público entre os zero e os 36 meses, reconhece Rodney Duarte, mas a FS Baby recusa acomodar-se e, por isso, para a próxima estação quente está a propor novos artigos. «Fizemos uma aposta em três ou quatro modelos de fato de banho e também temos uns produtos de verga, feitos à mão, seja nos cestos, seja nuns chapéus – é a primeira coleção», revela o diretor comercial ao Jornal Têxtil. Um risco que parece estar a ser bem sucedido. «Até ver, os clientes estão a gostar», garante Rodney Duarte, que antecipa que «no próximo verão talvez até aumentemos um bocadinho a coleção de fatos de banho».

Os últimos meses, tal como para a maioria das empresas, não foram fáceis para a FS Baby, que recorreu à confeção de máscaras para se manter em atividade, tendo em conta alguns cancelamentos de encomendas. «Foi uma solução que encontrámos para não fechar as portas e não forçar férias antecipadas aos funcionários. Foi uma ajuda para não irmos para lay-off», explica o diretor comercial. «Começámos a fazer máscaras e posteriormente avançámos com a certificação», indica, acrescentando que atualmente a FS Baby produz máscaras personalizadas para empresas e outras entidades, como câmaras municipais. «É um nicho de mercado para a nossa empresa, vai ajudando qualquer coisa, mas não é o que vai salvar o futuro da empresa. É uma ajuda mas temos que continuar com o nosso negócio, que é a produção de roupa de bebé», ressalva.

Esta, de resto, não é a primeira crise que a FS Baby sente na pele. Fundada em 1993, em 2008, face ao declínio das encomendas de private label com a abertura do mercado europeu à China, a empresa decidiu responder com a criação da marca epónima, que hoje representa 80% da produção, com presença em lojas multimarca em Itália, Grécia, Espanha e Irlanda. «Perdemos alguns clientes muito importantes em private label, mas como já fazíamos muitas feiras no exterior, mesmo com private label, este processo acabou por acontecer de uma forma natural para nós», conta. «A única coisa que fizemos foi criar realmente uma entidade, uma marca e basicamente continuar a fazer as feiras, mas a trabalhar as coisas de maneira diferente, a trabalhar mais com agentes e com lojas multimarca. Em vez de termos 20 clientes grandes, temos 500 a 600 pequenos», afirma.

Foco no digital

Com uma quota de exportação de 90%, distribuída por cerca de 70 países, as feiras têm efetivamente feito parte da estratégia de crescimento. Com a falta de eventos físicos, a FS Baby aderiu ao digital e está a participar na edição online da Pitti Bimbo. Embora até ao momento com poucos contactos, «é melhor estarmos presentes do que não estarmos. É mais um sítio, mais uma forma de estarmos visíveis», aponta Rodney Duarte, que sublinha que a decisão se prendeu, sobretudo, com o facto do mercado italiano ser «bastante importante» para a empresa.

O online não é, contudo, uma novidade para a FS Baby, que tem uma loja virtual própria para servir quer os clientes B2B, quer o consumidor final. «Como as lojas estavam fechadas, houve um aumento das vendas para particulares. Os bebés continuam a crescer e as famílias precisam de os vestir. Além disso houve a mudança de estação, do inverno para a primavera», justifica o diretor comercial. Também a nível profissional houve um «ligeiro aumento», explicado pela falta de oportunidade por parte dos agentes de visitar as lojas. «Foi uma aposta que fizemos há alguns anos e agora foi mesmo ganha», considera Rodney Duarte.

O aumento do comércio eletrónico não compensou a redução das vendas em lojas físicas, «mas ajudou e atenuou um bocadinho as perdas», assume o diretor comercial. Juntamente com as máscaras, estão a permitir que a FS Baby, que emprega 20 pessoas, esteja «a conseguir manter mais ou menos» o mesmo volume de negócios do ano passado, «o que para nós é como se fosse uma vitória muito grande, depois de todos estes meses conturbados. Manter vai ser, sem dúvida, um prémio para toda a empresa», destaca Rodney Duarte.

Para 2021, a FS Baby pretende continuar o enfoque em coleções «mais orgânicas e artigos sustentáveis», «fazer as feiras que achamos que são mais relevantes para a empresa», assim como missões empresariais, e «apostar cada vez mais no digital, que é uma aposta do passado e, sem dúvida do futuro, seja em marketplaces, seja em feiras online», assevera o diretor comercial.