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Furtos aumentam no retalho

Esta taxa de perda desconhecida global representa um aumento de 6,6% face ao ano passado, sendo que a Europa foi a região que registou uma maior subida do índice de variação de perdas, com um crescimento de 7,8%. Segundo o Barómetro Global do Furto no Retalho, promovido pela Checkpoint Systems, é a taxa mais alta registada desde 2007. O estudo monitorizou o custo da perda desconhecida (furto externo e interno e erros administrativos) no retalho global entre Julho de 2010 e Junho de 2011. Constatou-se que as perdas aumentaram em todas as regiões analisadas (América do Norte, América Latina, Médio Oriente/África, Ásia/pacífico e Europa). Os furtos efectuados por clientes, incluindo o furto por impulso e o crime organizado no retalho, cresceram 13,4%, tendo sido a principal causa na maioria dos países pelas perdas. Para os retalhistas, representam um custo de 38.434 milhões de euros, significando 43,2% das perdas totais. Os empregados foram responsáveis por 31.080 milhões de euros, ou seja, 35% das perdas globais. Na Europa, a tendência mantém-se, com a maioria dos retalhistas a afirmar que os clientes são a principal fonte da perda desconhecida ao serem responsáveis por 17.299 milhões de euros de perdas (47,7% do total). Já o furto interno (praticado por empregados) representa 30,2% das perdas totais. No entanto, na Europa, o valor médio furtado por incidente pelos funcionários (1.381,40€) é maior do que a média furtada pelos clientes (93,85€). «Embora alguns especialistas vejam o crime no retalho como inofensivo ou um fenómeno social intrigante ou simplesmente como um custo próprio do negócio, não se pode ignorar o impacto das quadrilhas criminosas, crescentes, os níveis de violência contra funcionários e clientes e as ligações entre o crime no retalho e as drogas, fraude e extorsão», afirma Joshua Bamfield, director do Centre for Retail Research e autor do estudo. «Além disso, o crime no retalho tem um custo médio para as famílias, nos 43 países analisados, de 149 euros extra na conta das compras, acima dos 139 euros do ano passado. Na Europa, esse valor atinge os 150 euros». O estudo de 2011 revela que os retalhistas, a nível global, aumentaram os gastos em prevenção da perda e segurança em 5,6% relativamente a 2010, para os 21.120 milhões de euros. Contudo, neste investimento, a quota de aquisição de sistemas anti-furto, na realidade diminuiu ligeiramente. Esta pode ter sido a razão que levou à diminuição do número de ladrões detidos a nível global. Na Europa foram detidos 3.150.408 ladrões de lojas e 134.739 empregados desonestos. Os países que verificam a maior taxa de perdas são a Índia (2,38% das vendas do retalho), Rússia (1,74%) e Marrocos (1,72%). As menores taxas de perdas foram registadas em Taiwan (0,91%), Hong Kong SAR (0,95%) e Japão e Áustria (ambos com 1,04%). A taxa de perdas na Europa atinge 1,39%, o equivalente a 36.281 milhões de euros do total das vendas. As perdas variam de acordo com o tipo de negócio, área de actividade e país. Em 2011, algumas das taxas médias de perdas mais altas foram encontradas no sector do vestuário e moda / acessórios (1,87%), seguida pelos cosméticos / perfume / saúde & beleza / farmácia (1,79%). Entre os ítems com maiores perdas está o queijo (3,09%). As perdas nos ítems de saúde & beleza como eyeliner e eye shadow aumentaram 30% para uma taxa de 2,14% das vendas totais e as perdas no vestuário subiram 15,3% para uma taxa de 2,94%. Enquanto isso, as perdas de calçado cresceram 1% para uma taxa de 0,99%. «Como o crescimento económico global estagnou no ano passado, os retalhistas não aumentaram as despesas em sistemas anti-furto ao mesmo ritmo com que o fizeram com o resto das suas despesas ao nível da prevenção das perdas», explica Farrokh Abadi, Presidente da Shrink Management Solutions, da Checkpoint Systems. Quebras em Portugal sobem 7,3% Ao contrário do que vem acontecendo desde 2004, em que se verificou um ciclo descendente do índice das quebras, Portugal regista este ano um total de 372 milhões de euros em perdas (equivalente a 1,33% das vendas totais do retalho), apresentando um crescimento de 7,3% face a 2010. Apesar da subida da taxa de perda desconhecida, este valor mantém-se abaixo da média europeia, que atinge 1,39% das vendas do retalho. «O crescimento da perda desconhecida verificado em Portugal veio ao encontro das expectativas que apontavam um possível aumento das quebras, resultado da crise económica que Portugal atravessa. O crime no retalho custa, em média, a cada família portuguesa 107,44 euros extras nas suas compras», indica Iván Baquero, director comercial para Portugal e Espanha da Checkpoint Systems. O furto por parte dos clientes, incluindo pequenos furtos e furto organizado, continua a ser a principal causa da perda desconhecida em Portugal, com uma ligeira subida, ao atingir um índice de 48,9%. Em segundo lugar surge o furto interno, proveniente dos empregados, que representa uma taxa de 28,4%. Por último, os fornecedores representam 6,5% e os erros internos 16,2% da causa das perdas. Em Portugal, os custos de crime no retalho atingiram os 410 milhões de euros, dos quais 312 milhões de euros correspondem a crimes por furto e 98 milhões de euros ao investimento efectuado em soluções anti-furto. «Com a actual situação económica vivida em Portugal e com o orçamento de estado aprovado são estimadas alterações nos comportamentos de consumo, sobretudo com reflexo na diminuição do poder de compra, o que tende a provocar o aumento do furto nas lojas. A par desta situação, os retalhistas deparam-se com um tipo de furto mais sofisticado, tanto ao nível do furto por impulso como ao crescente fenómeno de crime organizado», conclui Iván Baquero.