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Futuro a cores – Parte 2

A cor, entre conceito e aplicação prática, transpõe a barreira do acessório e, através de uma matriz funcional e expressão estética inovadoras, potencializa a sua aplicabilidade por via da tecnologia.

A cor enquanto linguagem identitária ou representação abstrata conjuga-se com a introdução de novas tecnologias na impressão 3D e conversão biológica, introdução de novas tonalidades e agregação a materiais e funcionalidades inovadoras, traduzindo aquele que é o seu potencial contemporâneo. (ver Futuro a cores – Parte 1)

Luz natural
O OLED tem ganho destaque recentemente e contribuído para a melhoria da qualidade dos mecanismos de iluminação ao dispor dos designers. Atualmente, o foco prende-se com a recriação de luz natural, que simule um ambiente exterior, mesmo quando dentro de um carro ou no subsolo.

Para criar luz natural é necessário replicar a atmosfera através da qual a luz natural passa. Este ano, a Coe Lux lançou um produto que utiliza nanopartículas que recriam a atmosfera terrestre, complementado por luzes LED, gerando a luz existente mais próxima da natural. Concebido pelo Bureauhub, a clínica de ortodôntica White Space na Sicília integrou OLED no seu teto, iluminando todo o espaço branco.

A pioneira empresa de iluminação Konica Minolta propõe a utilização de luzes OLED curvadas, adaptáveis ao perfil do formato interior, como um carro. O “Energy Curtain”, concebido por Johan Redström, Margot Jacobs, Linda Worbin, Ramia Mazé e Carolin Müller, é um conceito de iluminação no qual a cortina absorve a luz do sol durante o dia, emitindo-a à noite.

Ilusão de cor
Com o desenvolvimento progressivo do mapeamento 3D, este será utilizado num design mais orientado para o consumidor, oferecendo a possibilidade de criação de superfícies de cores momentâneas ou em movimento.

Tarek Mawad e Friedrich van Schoor colaboraram na conceção de “Bioluminescent Forest”, utilizando mapeamento 3D como forma de destacar os pequenos elementos do ambiente natural e fazê-los brilhar ou reluzir em cor e movimento. A Vizera Labs aplicou esta tecnologia em assentos, permitindo ao utilizador a alteração da cor ou padrão do têxtil através de um aplicativo, recorrendo a um tablet ou smartphone. O colar “Neclumi” da Pan Generator projeta cor no pescoço do utilizador e é reativo ao movimento, sendo igualmente controlado por smartphone.

O jato “Ixion Windowless” da Technicon, apesar de não desempenhar funções de projeção, cria uma experiência similar. A parte superior da cabine é revestida de ecrãs, nos quais podem ser replicadas imagens em tempo-real do exterior ou transformadas de forma a criarem qualquer tipo de ambiente.

Cor digital
O termo “wearable” vulgarizou-se em associação a smartwatches mas a integração de tecnologia nos próprios tecidos a utilizar em peças de vestuário está, também, em desenvolvimento e começa a transpor a categoria de dispositivo tecnológico, sendo estilizado em artigos de beleza e moda.

A Cute Circuit, um duo composto por um especialista tecnológico e uma designer de moda, causou impacto com uma recente coleção lançada na plataforma Pret-a-Porter, numa conjugação madura destas duas visões. A empresa tecnológica Madmapper também se aventurou no plano dos wearables, encenando um desfile de moda em 2014. A colaboração entre o designer londrino Richard Nicoll e o Studio XO na criação do vestido Tinkerbell é um testemunho óbvio desta tendência crescente, demonstrando como a tecnologia pode ser um acessório da moda. O vestido é, primeiramente, uma peça de design, que é complementada pela tecnologia.

Experiência multissensorial
Existe, cada vez mais, o desejo de experimentar a cor através de modelos mais imersivos, recorrendo a uma gama variada de perceções sensoriais. O “Audible Colour” desenvolvido por Hideaki Matsui e Momo Miyazaki é um instrumento interativo que é tocado através da cor. Uma gotícula é colocada sobre a moldura e, em função da sua cor e dimensão, ativa uma nota específica. “Sound of Light” de Marco Barotti e Marco Canevacci recorre a princípios similares, convertendo a luz solar nos seus elementos componentes, expressando-os através do som.

O evento promovido pela The Art of Dining, “The Colour Palate”, foi concebido em torno de cores específicas, que foram conjugadas com música, cheiros, sabores e iluminação, para uma experiência multissensorial à mesa. A instalação “Your Colour Perception” da designer Liz West recorre a diferentes intensidades de cor nas superfícies e luz através do espaço para criar uma experiência imersiva. A lâmpada “Living Colors Aura” da Philips recria estes princípios para o ambiente doméstico, através de iluminação que é sensível aos sons e movimento.

Coloração automóvel
Depois do forte impacto da recente recessão, o sector automóvel procura novamente retomar o investimento na vanguarda tecnológica. Enquanto a disponibilidade de cores exteriores tem sido expandida, os avanços tecnológicos na superfície da cor têm sido escassos.

O modelo “Light Cocoon” desenvolvido pela EDAG projeta uma serie de cores no exterior sobre um quadro em treliça. O modelo “Leaf” da Nissan oferece dois acabamentos exteriores: uma tinta com funcionalidades de autolimpeza e uma tinta fluorescente no escuro, que absorve a radiação ultravioleta e inclui materiais orgânicos como o aluminato de estrôncio, com um prazo de validade de 25 anos, o mesmo do veículo.

Os metais são uma outra área importante de exploração. O modelo Peugeot Exalt apresenta um exterior em aço nu moldado à mão, parcialmente coberto por “pele de tubarão”, um metal cuja textura granulada se assemelha à de um tubarão, que diminui o seu coeficiente de resistência aerodinâmica.

Por sua vez, enquanto o Lexus RC parece simplesmente vermelho, é composto por um complexo acabamento de quatro camadas. A camada de base de prata é coberta com um verniz transparente, um vermelho translúcido e, finalmente, um outro verniz incolor – um processo elaborado que será replicado noutros modelos premium no decorrer dos próximos anos.