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Futuro da moda premiado no Porto

Do vestuário ao calçado, 29 designers provenientes de algumas das escolas mais reputadas da Europa apresentaram, ontem, as suas propostas no âmbito da quinta edição do Concurso Europeu de Jovens Designers do CENIT. Entre eles, nove foram premiados, dos quais dois – Zhikai Yang (vestuário) e Stephanie Grosslercher (calçado) – em duplicado.

Depois de dois dias de contacto com a indústria portuguesa, as atenções dos 29 designers que competiam pelos vários prémios do Concurso Europeu de Jovens Designers centraram-se na Alfândega do Porto. Ontem o dia foi dedicado às avaliações do júri e a noite às premiações dos jovens designers, que provinham de escolas de países como Alemanha, Espanha, França, Itália, Reino Unido e Portugal.

Os criadores de moda foram avaliados por um júri internacional, presidido por Eduarda Abbondanza, presidente da associação ModaLisboa. «Achei a resposta das escolas muito mais interessante do que no ano passado, o que é bom. Significa que o concurso começa a ganhar músculo internacionalmente. Houve ainda uma melhoria considerável no calçado», resumiu ao Portugal Têxtil.

Para a responsável máxima do júri, o concurso internacional – promovido pelo CENIT – Centro de Inteligência Têxtil e pela ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção, em parceria com a APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes e Artigos de Pele e Seus Sucedâneos e a ModaLisboa – «é muito importante para a afirmação do país. Os concursos ganham força no seio académico», sublinhou.

Os premiados

O prémio de Melhor Coleção Geral de Vestuário, no valor de 5.000 euros, foi atribuído a Zhikai Yang da ESMOD Paris (França) e o de Melhor Coleção Geral de Calçado, com igual valor, foi conquistado por Stephanie Grosslercher da Polimoda (Itália).

Zhikai Yang

Na cerimónia, foram distribuídos ainda mais nove galardões por país, no valor 2.500 euros. Zhikai Yang e Stephanie Grosslercher acumularam os prémios dos respetivos países, ou seja, cada um dos dois designers recebeu um total de 7.500 euros.

Em relação ao vestuário, por país, Artur Dias do Modatex foi o vencedor português, Frank Lin da Akademie Mode&Design venceu o prémio para a Alemanha, Giulia Masciangelo, da Polimoda, foi a vencedora italiana, Carolina Koziski, da IED Madrid, para Espanha e Yelim Cho da London College of Fashion arrecadou a distinção para o Reino Unido.

No calçado, Beatriz Vasconcelos da Academia de Design e Calçado venceu o prémio por Portugal e, por Espanha, a vencedora foi moncayo (marca de Jacqueline, da IED Madrid).

Dois vencedores, quatro prémios

O jovem chinês Zhikai Yang, a estudar atualmente em Paris na ESMOD, acumulou dois prémios, num total de 7.500 euros. O designer inspirou-se precisamente no local onde nasceu – Hainan, uma ilha no sul da China – para criar a sua coleção de vestuário masculino.

«Misturei esta nova geração, que eu represento, com as tradições chinesas. Inspirei-me em Hainan, no modo de vida de quem lá vive e na forma como comunicam com a natureza, resultando numa coleção que combina tecidos tradicionais chineses com materiais modernos», indicou ao Portugal Têxtil. «Estou muito feliz. Receber estes prémios é muito especial para mim. Vou trabalhar muito mais e com mais motivação», garantiu.

Stephanie Grosslercher

O jovem criador, que também venceu o International Young Designers Festival em 2017, e estagiou na Yves Saint Laurent, confessou que o montante servirá para regressar à China, onde quer desenvolver o seu trabalho. «Sempre que vou a Hainan, vou com o objetivo de pesquisar sobre os tecidos e as técnicas lá utilizadas. Agora, posso usar este dinheiro para ir lá e pagar aos artesãos locais para trabalharem comigo. Assim, posso continuar com o meu projeto», elucidou.

Zhikai Yang

Quem também acumulou dois prémios foi a italiana Stephanie Grosslercher, finalista da Polimoda, que, depois de ter trabalhado durante quatro anos como designer gráfica, se dedicou por inteiro ao calçado nos últimos três anos. «É um sinal de confiança no meu trabalho e no meu futuro. Mudei a minha carreira e a minha vida. É algo em que acredito e que me dá mais força para continuar. Agora, estou à procura de um estágio. Quero trabalhar e continuar a aprender», assumiu.

Quanto ao calçado que apresentou, Stephanie Grosslercher contou que foi inspirado em «Man Ray, um pintor, fotógrafo e cineasta norte-americano, figura do dadaísmo e, depois, do surrealismo, numa mistura com a estética dos anos 70». Uma coleção – que também inclui acessórios e malas – totalmente a preto e branco, «com foco nos volumes», acrescentou.

Quem são os vencedores nacionais?

Artur Dias do Modatex venceu o prémio de Melhor Coleção por País de Vestuário por Portugal, com a mesma coleção que apresentou na última edição ModaLisboa, em outubro, no âmbito do Sangue Novo, na altura integrado na dupla Opiar. O designer, que estagiou com Ricardo Andrez, mostrou a coleção “Rapture”, uma «união entre o ready-to-wear e a alta-costura», esclareceu. «É inspirada numa cidade voadora, numa espécie de uma utopia que eu criei», acrescentou.

Artur Dias

O jovem designer luso, que terminou o curso de Design de Moda na Modatex em 2017, tem se dedicado à coleção que irá apresentar em março de 2019, na segunda fase do Sangue Novo, na ModaLisboa. O prémio, que representa «uma motivação extra», servirá para «comprar uma máquina de costura industrial». «Eu faço todo o processo, da idealização até à confeção do produto final, e, de facto, tenho feito as coleções no Modatex, que nos fornece tudo, mas uma máquina industrial vai ser útil porque quero apostar na minha marca», admitiu.

Calçado

Também a representar Portugal, Beatriz Vasconcelos, da Academia de Design e Calçado, venceu o prémio da Melhor Coleção por País de Calçado, com uma criação inspirada numa necessidade sua: «ir para o mar para pensar», reconheceu. «Quando estava a pensar no conceito do projeto, pensei em homens que vivem em grandes cidades, como Nova Iorque ou Londres, em que tudo acontece muito rápido e não têm tempo para pensarem neles. Criei um sapato que simboliza o mar, a névoa, daí ser escuro e azul para lembrar os barcos e o mar. Usei sempre pele, sola em borracha, pensando na chuva», revelou a designer que terminou em janeiro o curso de Design de Calçado e agora, além de estar a estagiar no Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP), está a fazer um curso noturno de modelação na Academia de Design e Calçado.

Este prémio traz «motivação, oportunidades, liberdade e é um incentivo», referiu a jovem criadora. «Quando acabar o curso e o estágio, quero viajar e viver um bocado, mas quero estar sempre ativa e a ter ideias», concluiu.