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Gap de pedra e cal

O gigante americano do retalho Gap Inc mostra-se otimista face às perspetivas de crescimento de longo-prazo na China, apesar da deflação da moeda deste país, assegurando estar no caminho certo com a sua reestruturação estratégica.

Chinese carries national flags walk past a U.S. retailer GAP's newly-opened flagship store in Beijing Tuesday, Nov. 16, 2010. During the last week annual summit of the Asia-Pacific Economic Cooperation forum, Chinese President Hu Jintao said his country will remain open to foreign trade and investment and oppose protectionism, while gradually adjusting the value of its currency. (AP Photo/Andy Wong)

Apesar da desvalorização do yuan, que tem preenchido as manchetes deste mês, o CEO Art Peck descreveu o Império do Meio como «uma importante área de crescimento de longo-prazo para nós», acrescentando que continuam «muito otimistas sobre as oportunidades na China».

«Vamos processar a desvalorização da moeda e a equipa está a trabalhar nisso atualmente. Não creio que isso nos cause transtornos significativos, num momento em que consideramos o crescimento contínuo do negócio chinês», explicou.

A Gap mantém uma «robusta» pipeline de lojas na China, observou Peck, acrescentando que não existe qualquer mudança de estratégia, direção ou intensidade em território chinês, reiterando a «oportunidade de crescimento de longo-prazo significativa» neste país.

Estratégia atualizada
A empresa reportou um declínio de 34% nos ganhos do segundo trimestre, fixados em 219 milhões de dólares, enquanto as vendas caíram 2%, para 3,90 mil milhões de dólares, afetadas pelas tendências de câmbio, questões portuárias na costa oeste e pela reestruturação da marca Gap.

Peck revelou-se satisfeito com os progressos realizados pela Gap no respeitante à reestruturação da empresa. O grupo mantém o plano de encerramento de cerca de 140 das 175 lojas anunciadas no início deste ano, depois de ter fechado cerca de 30 no primeiro semestre do ano.

Relativamente à marca Gap, o CEO afirmou que a equipa de Jeff Kirwan, presidente global, se encontra, atualmente, concluída, tendo nomeado recentemente Stephen Sare para o cargo de diretor de merchandising global. «A equipa está focada na primavera de 2016 e estou confiante de que estão a fazer o trabalho certo para que o negócio retome o seu caminho à medida que nos aproximamos do ano seguinte», explicou.

Simultaneamente, a equipa tem vindo a reconstruir os processos de produtos da marca. Recorrendo à Old Navy como modelo, foram construídos modelos responsivos, que permitem a leitura e consequente reação e compreensão dos melhores artigos de venda. Apesar de Peck não ter revelado a percentagem da coleção que constituirá parte do programa, referiu que este envolve a colocação de produtos em loja e teste, seguindo-se a resposta no decorrer da temporada.

A Old Navy, descrita por Håkon Helgesen, analista da Conlumino, como o membro mais novo da família – «cheio de energia e entusiasmo» – foi a única marca do gigante de retalho a registar um crescimento no segundo trimestre, com um aumento de 3% nas vendas de loja comparáveis.

O CEO reverenciou a consistência da Old Navy. «Assenta sobre uma plataforma de processos de produtos que [a equipa] construiu ao longo do último par de anos e que estão agora a executar implacavelmente temporada após temporada», reconheceu.

E são esses mesmo processos de produtos que a Gap está interessada em instalar na sua marca epónima, assim como na marca Banana Republic, com Peck afirmando que «a Old Navy continua a ser o nosso ponto de teste para produtos em construção, executando tendências, cumprindo junto da marca, da qualidade e da consistência do produto, para o resto da empresa».

«Prevemos um longo crescimento para a Old Navy. Ganhou cerca de mil milhões de dólares de quota de mercado ao longo dos últimos três anos. Continua a construir a sua resposta às capacidades da cadeia de aprovisionamento e plataformas de tecido, tornando-se cada vez mais rápida na resposta às necessidades dos consumidores», acrescentou.

Relativamente ao sector de vestuário, Peck explicou que «vejo um consumidor que tem confiança, vejo dólares despendidos e vejo uma oportunidade para continuar a receber mais do que a parte que nos diz respeito. Enquanto estou ansioso, estou também muito otimista dado o trabalho que está a ser realizado no seio da Gap e da Banana e devido à contínua consistência que vejo na Old Navy».

Qualidade e fit
Simultaneamente, o CEO da Gap mostra-se otimista relativamente ao fit, que acredita que deve ser um «ativo» da empresa. Embora a marca Gap tenha enfrentado alguns desafios no ajuste das suas peças de vestuário, Peck acredita que isso é algo que a equipa está «resolutamente focada em solucionar», acrescentando que tem assistido a alguns «progressos significativos».

O grupo está, também, focado na restauração da qualidade em lugares-chave, nos quais é relevante, percetível e diferenciador para o cliente. Este, apontou Peck, tem sido o foco particular da Banana Republic e da Gap.

Explicou que a Gap poderia escolher um fio mais caro para o fabrico das suas camisolas, tendo por base o toque que oferece, mas o fio não atende aos padrões de design da empresa e, portanto, o cliente poderia encará-lo como sendo de baixa qualidade. Isto, observou Peck, está «no radar» das equipas da marca, acrescentando que «o cliente tem uma expectativa de qualidade que é uma oportunidade para nós». Os clientes poderão testemunhar as melhorias de qualidade implementadas na segunda metade do ano, concluiu.