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Gap e Li & Fung aumentam encomendas das Filipinas

Fontes da indústria afirmaram que a Gap e a Li & Fung efectuaram só em Janeiro encomendas equivalentes a 63 por cento das suas encomendas anuais como parte dos esforços de adaptação ao novo mercado mundial realizados por ambas as empresas. As fontes acrescentaram que as encomendas realizadas pela Gap no último mês alcançaram os 250 milhões de dólares, sendo de salientar que o valor das encomendas anuais da empresa aquando da vigência do sistema de quotas chegava aos 400 milhões. O grupo Li & Fung também aumentou o volume das suas encomendas no mesmo mês e o montante relativo às suas encomendas anuais situava-se apenas nos 100 milhões de dólares durante a vigência das quotas. Ainda de acordo com as fontes, «o simples facto de terem aumentado as suas encomendas apenas no primeiro mês não faz com que deixemos de esperar que cheguem mais encomendas durante os restantes 11 meses».

Serafin Juliano, director executivo da já extinta Comissão de Exportações Têxteis e de Vestuário (GTEB) transmitiu aos participantes do fórum intitulado: Indústrias no limite: Uma nação em alerta, que as Filipinas deverão beneficiar da extinção das quotas. Neste fórum patrocinado pela Fair Trade Alliance, Today e United Nations Development Program, Juliano afirmou ainda que os exportadores do sector têxtil e de vestuário do país registaram um aumento de 30 por cento nas encomendas no mês passado, mas este aumento representou uma descida de 10 por cento em termos de preço. «As quotas não construíram o nosso negócio, restringiram-no. As quotas são uma limitação. As quotas não eram o salvador, mas uma restrição». Sublinhou que todas as principais marcas já reactivaram as suas múltiplas plataformas de fornecimento em vários países do sudoeste asiático como parte da estratégia para enfrentar a nova conjuntura.

Para além das empresas Gap e Li & Fung, o director executivo da GTEB previu desde cedo que as Filipinas deveriam provavelmente vir a beneficiar com as novas estratégias dos produtores de grandes marcas como a Liz Clairborne, Polo Ralph Lauren e Ann Taylor. Estas empresas, na sua opinião, estão a planear expandir as suas actividades de outsourcing das Filipinas para fazer face à procura dos seus produtos no exterior.

O GTEB prevê que os ganhos da indústria local cresçam dez por cento aproximando-se este ano dos 3 mil milhões de dólares comparativamente aos 2,69 mil milhões do ano anterior, período em que a indústria registou um aumento ligeiro de três por cento relativamente aos 2,61 mil milhões do ano de 2003.

Juliano também citou um estudo da OMC intitulado, A Indústria Têxtil e de Vestuário Global pós Acordo de Têxteis e Vestuário, que previa uma expansão do mercado mundial de exportações na ordem dos 70 por cento, enquanto o mercado de exportação dos EUA cresceria 40 por cento. «Uma percentagem de mercado vai desviar-se para a China e Índia. As Filipinas terão uma percentagem menor, mas uma percentagem menor de um negócio maior». Os registos mostram que desde 2001 até ao primeiro semestre do último ano abriram 388 novas fábricas, tendo-se registado 269 encerramentos. Consequentemente,os investimentosalcançaram os 19 mil milhões de dólares e ganhos líquidos de 119 novas operações fabris, para além da criação de 1.903 novos postos de trabalho.

George Siy, da Confederação dos Exportadores de Vestuário das Filipinas (CONGEP), afirmou que o governo deveria ser cauteloso no que diz respeito à liberalização das indústrias, especialmente dos sectores em risco como o sector têxtil e vestuário. Este sector é o segundo maior gerador de ganhos logo depois do sector da electrónica. George Siy explicou ainda que as Filipinas estão a baixar as tarifas em quase todos os produtos mais rapidamente do que os seus vizinhos na região da Ásia. «O jogo esta a decorrer e nós ainda não fomos derrotados. Depende de como vamos continuar a jogar».

Arsénico Tanco, da Manila Bay Spinning Mills (produtor de fio), também sublinhou a necessidade de ogoverno alargar as medidas de protecção à indústria para que esta possa sobreviver.