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Gap em desacordo

Questionado na reunião anual de acionistas da empresa, que decorreu em maio, Glenn Murphy descreveu o Bangladesh como atravessando uma «situação complicada» que precisa de «uma abordagem única». Mas, embora concorde que «a ideia de uma aliança» para resolver os problemas de segurança nas fábricas do Bangladesh seja «o caminho certo» e que a Gap apoia 90% do que chama «o acordo europeu», as mudanças que pretendia não foram consideradas. Cerca de 40 marcas e retalhistas – predominantemente europeus – comprometeram-se a apoiar o Acordo sobre Incêndio e Segurança de Edifícios no Bangladesh, que tem a duração de cinco anos e foi instigado pela IndustriAll e o Uni Global Union. O compromisso surgiu na sequência de uma série de tragédias, incluindo o colapso de um edifício nos arredores de Daca, onde perderam a vida mais de 1.100 trabalhadores. H&M, Inditex, Primark, C&A e Tesco aderiram à iniciativa, que se destina a melhorar a segurança nas empresas de vestuário do Bangladesh. Mas, à exceção da PVH (que detém as marcas Calvin Klein e Tommy Hilfiger) e da Abercrombie & Fitch, as empresas norte-americanas primaram pela ausência. Em vez de aderir ao acordo, um grupo de retalhistas norte-americanos seguiu o seu próprio caminho, trabalhando na nova Safer Factories Initiative, para a qual poucos pormenores estão disponíveis. A Gap referiu que o grande obstáculo para a assinatura do acordo alargado foi a forma como as disputas seriam resolvidas, ou seja, o risco potencial de ações judiciais nos EUA, se alguma coisa correr mal. Para além de defender a possibilidade de chegar a um acordo global, Murphy também reiterou os atuais esforços da Gap para melhorar os padrões de segurança nas empresas de fornecedores localizados no Bangladesh, incluindo o desenvolvimento de um plano de quatro pontos anunciado no final do ano passado para impulsionar melhorias – incluindo o apoio financeiro até 22 milhões de dólares, na forma de empréstimos e compensações para os trabalhadores, enquanto as mudanças estão em curso. O retalhista norte-americano já investiu mais de 1 milhão de dólares em segurança contra incêndios e inspeções de edifícios e em outubro conta ter concluído a verificação das 73 empresas suas fornecedoras no Bangladesh. E alguns fabricantes já estão a fazer melhorias nas suas instalações. «Ao fim e ao cabo, o que me interessa é a segurança dos trabalhadores e, nessa base, estamos de acordo», afirmou Murphy. «Desejamos que pudesse existir uma aliança global? Sim. Pensamos que vamos simplesmente aceitar o acordo atual assinado pelos europeus desde que tenha uma pequena alteração para acomodar os retalhistas norte-americanos? Sim. Eu não acho que seja uma grande alteração. Poderá haver uma aliança americana em vez disso? Possivelmente. Acho que nas próximas semanas existirão mais novidades sobre este assunto», concluiu o CEO da Gap.