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Gap otimista para 2012

Apesar dos esforços de reviravolta da Gap Inc parecerem ter pouco sucesso – com o lucro do terceiro trimestre a descer mais de um terço e com as vendas comparáveis a cair ao ritmo mais elevado até novembro de 2011 – ainda assim o patrão da empresa indica «sentir-se melhor» em relação a 2012. Descrevendo a marca Gap como um «trabalho em progresso», o diretor-executivo Glenn Murphy indicou aos analistas que os consumidores estão prontos para as mudanças nos produtos, em termos de design, qualidade e cor, introduzidas no início de dezembro. «Estou a sentir-me melhor com o que estou a ver a surgir para a primavera», afirmou Murphy, acrescentando estar a sentir-se «melhor em relação a 2012 no que diz respeito à Gap». Há muito que o retalhista culpa o negócio de senhora por ser um peso na performance geral da empresa. Com efeito, este continuou a ser o maior fardo nas comparações do terceiro trimestre, com uma queda de dois dígitos. Porém, a remodelação na equipa de gestão da América do Norte em fevereiro de 2011 – incluindo a substituição do presidente da Gap, Mark Hansen, por Art Peck, anteriormente responsável pela divisão outlet – ainda não deu frutos em termos de novos produtos. O lucro nos três meses até 29 de outubro caiu 36%, para 193 milhões de dólares (cerca de 149 milhões de euros), indicou o retalhista sedeado em San Francisco, ao passo que as vendas caíram 2%, para 3,59 mil milhões de dólares. Mais preocupante é q quebra de 5% das vendas comparáveis, com declínios em todas as divisões. Na América do Norte, as vendas comparáveis na Gap desceram 6%, as da Banana Republica caíram 1% e as da Old Navy desceram 4%. As vendas comparáveis a nível internacional caíram 10%. «Para mim, há apenas um número que interessa», afirmou Murphy: «a empresa registou uma quebra de 5% em termos comparáveis no terceiro trimestre e isso é inaceitável». Para além de problemas com o vestuário de senhora, o retalhista foi também afetado pelo aumento dos custos das matérias-primas, como o algodão, que causou um aumento de cerca de 20% do custo médio por unidade no segundo semestre de 2011, em comparação com o ano anterior. Esse aumento atingiu mais fortemente a Old Navy, que decidiu alargar a sua gama de produtos – e gama de preços – em 2010, e cujo impacto coincidiu com o “aperto dos cintos” por parte dos consumidores. «Essa mudança na nossa oferta provou ser um desafio para os nossos consumidores», indicou Murphy, acrescentando que o retalhista tem de fazer «alguns ajustamentos em termos de preço através de promoções ou reetiquetagem para seguir em frente». Dito isso, houve alguns pontos positivos, incluindo um aumento de 21% nas vendas on-line e o dinamismo na China, onde planeia abrir 30 novas lojas este ano. «É preciso investir na China. É um mercado agitado. Há muitas marcas a entrar e é preciso pôr dinheiro para marketing no negócio para assegurar que, a longo prazo, se tem uma marca sustentável, saudável e lucrativa», referiu. Apesar de acreditar que «vai ser um quarto trimestre muito agressivo», a Gap ainda mantém as suas previsões de lucro de 1,40 a 1,50 dólares por ação. A diretora financeira, Sabrina Simmons, avisa, contudo, que embora um foco em aumento de preços e promoções possa ajudar a aumentar as vendas de unidades, haverá ainda provavelmente uma «pressão significativa» nas margens. «Os nossos custos médios por unidade escalaram em cada trimestre de 2011 e podemos, por isso, enfrentar a nossa maior pressão nas margens no quarto trimestre». No entanto, «os preços na primavera serão definitivamente melhores», acrescentou, sublinhando que os preços do algodão estão a melhorar, «de modo que prenuncia coisas boas para nós à medida que avançamos no tempo».