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Gap prepara 2016

As ações da Gap caíram na semana passada, depois de horas de negociação, com os mercados a reagirem negativamente aos fracos lucros e perspetivas da gigante do retalho americana. Quão má foi a matemática? Os lucros do quarto trimestre caíram cerca de 33%, com os esforços de recuperação e um dólar forte a afetarem as vendas.

Houve, também, alguns passos em falso em termos de oferta de estilos, mas a empresa soube identificá-los atempadamente e tem vindo a fazer os ajustes que considera necessários.

De acordo com o portal de tendências WGSN, o CEO Art Peck mostra-se otimista perante este cenário, referindo que a estratégia de recuperação está no caminho certo, detalhando ainda novas iniciativas, como um desdobramento da marca Athleta para meninas entre os 6 e os 14 anos e intervenções online dos outlets Gap Factory e Banana Republic Factory.

Sobre os passos em falso, Peck admitiu que a cadeia da Banana Republic criou alguns blazers com mangas muito apertadas para a maioria das mulheres. O CEO referiu que a marca se havia tornado muito direcional e que se assumiria mais clássica para já na primavera. Peck referiu ainda que alguns erros que tinham prejudicado o desempenho da Old Navy no ano passado tinham sido já corrigidos.

E em termos de resultados? Os lucros do quarto trimestre caíram para os 214 milhões de dólares (aproximadamente 195,6 milhões de euros)/53 centavos (aproximadamente 0,48 cêntimos) por ação no período terminado a 30 de janeiro, em relação aos 319 milhões/75 centavos do ano passado, com a receita a cair 7%, para os 4,39 mil milhões.

As vendas globais comparadas da empresa baixaram 7%, enquanto na cadeia Gap desceram 6% e na Banana Republic 10%. A Old Navy conseguiu uma melhor performance, com vendas comparáveis constantes e um aumento das vendas líquidas.

O que esperar da empresa? Para começar, a Athleta vai continuar a expandir-se. A cadeia alastrou a sua presença para as 120 nos EUA até ao final de 2015 e está a programar abrir cerca de 15 lojas adicionais este ano. Uma nova categoria para a marca, a Athleta Girl, vai ser lançada no verão, oferecendo, segundo a empresa, roupas «versáteis, baseadas na performance, para meninas entre os 6 e os 14 anos».

«A minha equipa e eu temos muita urgência», começou por explicar Art Peck. «Eu sei do que esta empresa é capaz no seu melhor. Eu sei do que estas marcas são capazes no seu melhor. Eu e minha equipa estamos focados em alcançar não apenas isso num determinado momento, mas em consegui-lo com consistência», advogou.

Parte desse foco passa por melhorar os websites da retalhista e a sua estratégia omnicanal. O CEO explicou que, no passado, o momento da verdade acontecia quando os clientes entravam numa loja física, mas hoje, é «quando um cliente, através do seu telemóvel, vem à nossa loja digital e nós ganhamos ou perdemos a sua afeição, o seu feedback e, por fim, as suas vendas».

Por essa razão, no final do ano passado, os outlets Gap Factory e Banana Republic Factory lançaram uma plataforma de comércio eletrónico totalmente responsiva, que envolve o cliente numa experiência de compra multicanal.

«Com um ano de transição atrás de nós, estou confiante de que temos as estratégias certas para impulsionar o nosso crescimento a longo prazo. Fizemos progressos significativos em 2015, transformando o nosso modelo operacional do produto, o que nos permite ser mais responsivos às tendências e às condições de mercado», afirmou Peck. «As nossas marcas estão a reforçar as suas ligações com os clientes através do digital e, especialmente, do móvel. Melhorias que criam experiências mais ricas, quer nas compras online, quer nas lojas, ou em qualquer combinação de canais», acrescentou.

Em termos puramente financeiros, tudo isso deve resultar em ações posicionadas entre os 2,20 e os 2,26 dólares, bem abaixo das estimativas de 2,34 por ação – todavia, isto é, em parte, resultado das taxas de câmbio de um dólar forte.