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Geração Z prefere a terapia de consumo

Os membros desta geração conhecida por ser inconstante primam conceitos como sustentabilidade, mas não estão dispostos a pagar mais por isso. Usam o consumo como forma de se sentirem bem com eles próprios e não dispensam as lojas físicas para o fazer.

De acordo com os dados revelados por um inquérito da AT Kearny, uma empresa de consultoria empresarial norte-americana, a geração Z é a mais preocupada com a saúde mental, pelo que é mais provável de agir sob stress comparativamente com os millennials e a geração X. No novo relatório, os consumidores apontaram algum stress face às redes sociais e afirmaram que essa fragilidade está a influenciar a forma como pensam e compram.

O Future Consumer Report explora o impacto que o apreço pela saúde e bem-estar tem na realidade dos retalhistas. O estudo envolveu 1.500 consumidores dos Estados Unidos e do Canadá e revelou algumas ideias-chave úteis para os retalhistas. A primeira informação a salientar é o facto da geração Z ser «uma geração em crise». De acordo com o relatório, esta geração está quase tanto preocupada com o bem-estar físico e psicológico como os baby boomers, ao contrário dos millennials inquiridos. Como consequência destas preocupações, os consumidores da geração Z compram produtos ligados à saúde e bem-estar mais regularmente que outros grupos, sendo que 46% referiram estar «muito» preocupados com estas temáticas. Com menos 1% seguem-se os baby boomers como resultado dos problemas de saúde que podem surgir com a idade.

O preço da sustentabilidade

Ao que tudo indica, a geração “inconstante” deseja viver num mundo melhor, mas não está disposta a pagar um preço elevado por isso. Os inquiridos indicaram valorizar produtos simples e sustentáveis, ainda que não queiram adquirir se considerarem o artigo caro. Deste modo, 67% preferem produtos feitos com ingredientes que consigam entender, 65% escolhem embalagens simples e 58% querem que a embalagem seja amiga do ambiente. Metade dos entrevistados da geração Z disse preferir produtos de origem local e 57% procuram produtos ambientalmente sustentáveis.

No entanto, apenas 38% aceitariam pagar uma maior quantia pelos produtos de origem local e 33% pelos produtos com embalagens sustentáveis. Esta geração de consumidores abrange as faixas etárias mais jovens pelo que o facto de terem um menor rendimento disponível pode ser a causa justificável para estes resultados. O estudo concluiu que a geração Z opta por gastar mais em produtos supérfluos do que nas principais necessidades.

«Perante tudo isto cabe às marcas obter a equação de valores correta, com a sugestão de que os produtos de menor custo ou de margens menores possam ser algo em que os fabricantes e retalhistas devem apostar» destacou a AT Kearny.

Desconectar na loja física

Apesar de serem conhecidos como nativos digitais, os membros da geração Z afiançaram depender das lojas físicas. A experiência de compra em loja é mais valorizada em todas as fases para os nascidos entre 1990 e 2010 do que para os millennials e a geração X.

A geração Z foi a que teve mais inquiridos a asseverar que as lojas permitem «desconectar das redes sociais e do mundo digital». Esta declaração deve ser motivo de reflexão, uma vez que as lojas físicas estão a adicionar cada vez mais elementos digitais à experiência de compra. Para outras gerações, estas inovações podem ser uma das principais atrações para a deslocação, mas o que leva a geração Z até à loja é a descoberta de novos produtos, a possibilidade de poder experimentá-los e recebê-los no momento de compra.

Não se trata de uma forma de escape do digital mas sim do fator personalização, que é de grande importância para a geração Z. Ainda assim dizem valorizar «uma experiência de loja bem organizada e focada num número limite de produtos».

Necessidade de aprovação e intolerância

As tendências estão na origem da pressão que a geração Z alega sentir. Dos inquiridos, 26% veem as compras como uma forma de elevar a confiança mesmo que isso os deixe com dificuldades financeiras. Já 30% chegam mesmo a comprar produtos que não podem pagar porque, segundo algumas justificações, fazer compras ajuda a sentirem-se mais seguros e confiantes.

Ainda no âmbito da conexão pessoal, 26% admitiram comprar produtos semelhantes aos dos influenciadores para se sentirem conectados com eles próprios e até mesmo com as figuras digitais, 27% confirmaram sentir essa ligação.

«Mais do que qualquer outra geração, os inquiridos da geração Z confiam na opinião dos influenciadores, das figuras públicas e também de pessoas próximas» sublinha a AT Kearny. «No que toca a decisões, a opinião dos influenciadores pesa muito mais que a opinião dos amigos» garante.

A última conclusão do estudo é que os retalhistas devem estar atentos ao serviço que apresentam, visto que esta geração é muito intolerante e não vai fazer compras abaixo do nível a que está habituada. Os seus membros são muito mais intransigentes no que diz respeito a um mau serviço do que as outras gerações. Como consequência, uma má experiência pode impedir compras futuras muito facilmente, ao contrário de outras gerações.