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Gerber aposta na integração do design ao corte

Novas versões do software e soluções do design ao corte integradas e sem intervenção humana estiveram em destaque nas propostas da Gerber Technology na Texprocess, que trouxe ainda a visão da indústria na conferência “From Instagram – to Instant Fashion: How digitalization empowers the world of apparel to stay on trend”.

Silvia Schöning, Michele Caldirola, Ketty Pillet, Gerd Willschütz, Jelle Vanlaer, Gerd Müller-Thomkins e Michael Lock

A empresa multinacional de origem norte-americana apresentou na Texprocess uma solução do design ao corte sem intervenção humana, incluindo software e hardware, respondendo à procura por uma cada vez maior digitalização dos processos.

«Fazemos a impressão através do software AccuMark da Gerber, criamos os moldes, criamos o modelo, imprimimos numa plotter de impressão digital [da Mimaki] e vai direto a uma máquina de corte, que está preparada especialmente para ler automaticamente as peças e cortar imediatamente. Desde a criação com o AccuMark até ao corte, passando diretamente à confeção, temos um processo totalmente fluído e contínuo, que permite ter uma peça pronta a usar em poucos minutos», explicou, ao Portugal Têxtil, Francisco Aguiar, diretor comercial para os mercados indiretos EMEA e Portugal da Gerber Technology.

Além desta, uma outra solução chamou a atenção dos visitantes da feira de processamento de têxteis e materiais flexíveis da Messe Frankfurt, uma máquina que faz a leitura automática de riscas e xadrez, «um processo que até agora era totalmente manual e intensivo em termos de mão de obra», afirmou Francisco Aguiar. «Depois tem um robô para pegas nas peças e passar para uma máquina de costura – tudo totalmente integrado e automático», revelou.

Duas soluções que, assegurou o diretor comercial para os mercados indiretos EMEA e Portugal da Gerber Technology, se adaptam perfeitamente às necessidades das empresas portuguesas. «Obviamente que cada uma tem o seu mercado específico e os seus clientes específicos, dependendo das necessidades. Mas são duas soluções totalmente automatizadas que se adaptam ao nosso mercado», acrescentou.

A Gerber Technology apresentou ainda as novas versões de toda a gama de softwares, desde o YuniquePLM, para gestão de produto, ao AccuMark, para a criação de moldes, passando pelo AccuPlan, para gestão da sala de corte, e pelo AccuNest, para marcada automática.

«O cliente neste momento, tendo este software todo integrado, consegue introduzir os dados do modelo, quantidades e tamanhos e o processo é todo automático até ao corte», sublinhou Francisco Aguiar.

Digital em toda a linha

As novas soluções correspondem a uma aposta cada vez mais evidente na digitalização por parte da indústria da moda. Na conferência “From Instagram – to Instant Fashion: How digitalization empowers the world of apparel to stay on trend”, promovida pela Gerber Technology, os intervenientes foram unânimes quanto à necessidade de as empresas serem digitais para responderem a um consumidor também ele cada vez mais digital.

«É um grande desafio», reconheceu Jelle Vanlaer, diretor de desenvolvimento de negócio da empresa de sourcing Grosso Moda. «A questão que fazemos é: porquê mudar a forma de trabalhar? Porque o consumido quer. Antigamente era comum ter a experiência de compra, que agora mudou. O consumidor é digital. Toda a gente tem a sua vida no digital. Também temos que digitalizar os produtos», destacou.

Michele Caldirola, designer sénior de modelação da Calvin Klein Menswear, confessou que o digital é um objetivo, com a empresa a ambicionar «ter um showroom totalmente digital». Para isso, «temos que mudar a forma como trabalhamos», admitiu. «O desafio diário é fazer com que o modo de produzir moda se torne próximo dos consumidores. Queremos ser uma marca de lifestyle e não de moda», assumiu Michele Caldirola. «Seria maravilhoso ver algo no Instagram e conseguir comprar rapidamente e receber em casa numa semana. É o futuro», garantiu.

Michael Lock, diretor de desenvolvimento do negócio de software da Gerber Technology, frisou, contudo, que «a digitalização não é um projeto – é um mindset» e, como tal, «não é nada que se possa adiar», até porque «o 3D é acessível e está disponível».

Do lado das empresas, Jelle Vanlaer assimiu que «precisamos de coragem para o fazer. Temos o scan do tecido e temos tudo digitalizado, mas os designers querem sempre ver as coisas fisicamente. É preciso coragem e tomar decisões a partir do digital».

Algo que a Calvin Klein Menswear começa a fazer, sobretudo na roupa interior. «O 3D ajudou-nos e deu-nos a possibilidade de criar um avatar da pessoa. Estamos a usar o 3D para criar o corpo do nosso consumidor», adiantou Michele Caldirola.

Em Portugal, afiançou Francisco Aguiar ao Portugal Têxtil, as empresas que atuam na área da moda estão empenhadas em integrar os conceitos da indústria 4.0. «Portugal está a aceitar bastante estas novas tecnologias, a integração, e isso tem-nos dado, a nós, uma base de trabalho bastante alargada. Estamos numa fase de começar a assimilar estas novas ferramentas que estamos a propor ao mercado e estamos a ser bem aceites», contou. «Portugal está nitidamente a aderir, não há, neste momento, aquela mentalidade de “vamos ver, vamos esperar”. Não. Vamos à frente, estamos a apostar e isso nota-se nos resultados», concluiu o diretor comercial para os mercados indiretos EMEA e Portugal da Gerber Technology.