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Gierlings Velpor sobre rodas

A empresa, atualmente controlada pela Lantal Textiles, está a terminar um investimento superior a dois milhões de euros para se tornar na referência nos têxteis para os transportes terrestres – uma área de negócio que deverá crescer para cerca de 8 milhões de euros em 2019 e para mais de 15 milhões de euros no futuro próximo.

A nova vida da Gierlings Velpor é uma evolução do negócio concretizado há cerca de dois anos, que incluiu a aquisição por parte da suíça Lantal Textiles da quota maioritária da empresa ao Grupo Amorim, que manteve 16% do capital.

«Em 2016, quando a Lantal toma a posição maioritária, a estratégia é clara: transformar a Gierlings Velpor numa Homebase do negócio», explica Constantino Silva, CEO da empresa produtora de veludos.

2019 será o ano de concretização desta estratégia, após os investimentos de 2 milhões de euros realizados desde 2017, que incluíram o reforço da tecelagem – que de seis passou para 10 teares –, a recuperação de uma nova râmula, ainda em curso, e a aquisição de equipamentos para os acabamentos. «A Gierlings Velpor vai ser um player no mercado mundial de tecidos para transportes de solo. Esse é objetivo maior. Estamos a preparar a empresa, do ponto de vista de estrutura: administrativa, customer service, vendas,… a preparação de todas as valências da empresa», afirma ao Jornal Têxtil.

Além da produção de tecidos de veludo – que já integram os comboios que circulam na Ponte 25 de Abril, o metro e os comboios da SNCF em França e autocarros em Espanha, entre outros –, a empresa portuguesa será ainda responsável pelas vendas de todos os artigos envolvidos na decoração dos transportes terrestres. «Passamos a vender também os produtos que são produzidos pela Lantal e outros que não produzimos», revela o CEO da Gierlings Velpor.

«A partir do final de 2019, toda a faturação passa a ser a partir de Portugal e a empresa passará a ter uma visibilidade maior», refere Constantino Silva, que espera um forte crescimento desta área de negócio. «A parte dos transportes hoje vale 40%. Mas vai disparar exponencialmente. Em 2019 vamos apontar para, só no transporte, 7 a 8 milhões de euros. Como Homebase, a empresa vai ter em breve um turnover só nos transportes superior a 15 milhões de euros», aponta.

Dos palcos aos hotéis

Atualmente, a produção anual da Gierlings Velpor ronda os 600 mil metros anuais, mas, adianta Constantino Silva, «podemos chegar aos 700 mil metros». A acompanhar este crescimento na produção está o aumento do número de trabalhadores, que passaram de 125 em 2017 para 132 em 2018. «E vamos contratar mais, quer na produção, quer na área administrativa também», garante o CEO.

A empresa distingue-se ainda pela diversidade de segmentos em que trabalha. «Os nossos concorrentes normalmente estão focados num negócio só: se faz transporte público, como era o caso da Lantal, só faz transporte público; se faz decoração, só faz decoração», destaca Constantino Silva.

Na Gierlings Velpor, pelo contrário, as vendas estão divididas entre os transportes, a moda (20%) e a decoração (35% a 40%) – esta última dividida entre o mercado residencial, hotéis e teatros. «Os produtos de valor acrescentado para o mercado cénico pesam mais de 50% do total», indica o CEO, acrescentando que esta é, à semelhança dos transportes, uma área de aposta da empresa.

Com cerca de 90% de quota de exportação, sobretudo para Alemanha, Inglaterra, Espanha, Ásia e EUA, a Gierlings Velpor, que registou um volume de negócios de cerca de 8 milhões de euros, antecipa um forte crescimento para este ano. «Em 2019 vamos apontar para os 15 milhões de euros», admite Constantino Silva.