Início Arquivo

Gigante asiático resiste

De acordo com um estudo do Institut Français de la Mode (IFM), o abrandamento económico mundial não deverá afectar gravemente a China, cujo crescimento nos próximos anos deve ficar sensivelmente em linha com os resultados passados: o seu PIB deverá aumentar 8% em 2009, após crescimentos de 11,9% em 2007 e 9,5% em 2008. A indústria têxtil ocupa ainda um lugar significativo na economia chinesa, embora tenha conhecido em 2006 e 2007 profundas mutações. A produção de fios e tecidos conheceu um certo relançamento: entre Agosto de 2007 e Maio de 2008 foram produzidas mais de 17 milhões de toneladas de fios, o que representa um crescimento de 11% em relação ao ano anterior. De igual forma, as entregas para o exterior foram melhores em 2008 do que em 2007. O crescimento das exportações têxteis foi de 8,5% nos primeiros 10 meses do ano, após um aumento de 5,9% em 2007. O mercado europeu, livre do constrangimento de quotas, foi o principal destino dos têxteis chineses, à frente de Hong Kong, EUA e Japão. Outros países, cuja indústria de confecção se está a afirmar rapidamente, estão a consolidar-se como clientes importantes da indústria têxtil chinesa: é o caso do Vietname (mais 26,5% de exportações de Janeiro a Outubro de 2008) e do Bangladesh (mais 23,6%). Estes resultados permitem à China ocupar um lugar central nas trocas mundiais de têxteis: em 2007, estava na origem de 23,5% das exportações mundiais. No entanto, este sector ocupa um lugar cada vez menos importante nas exportações chinesas: 4,6% das exportações de bens produzidos em 2007, contra os 5,4% em 2005, de acordo com a Organização Mundial de Comércio. Outro sinal do menor compromisso dos industriais para o sector: a China ocupa um peso menor nos investimentos mundiais em maquinaria têxtil. Na fiação de fibras curtas e tricotagem de malhas circulares, o ritmo de crescimento nas compras de material é menos acentuado. No entanto, as suas capacidades de produção são tais que será prematuro falar de relegação para segundo plano da indústria têxtil. Quanto à indústria de vestuário, de acordo com o IFM, em 2007, uma em cada três peças de vestuário saiu de uma fábrica chinesa. Isso mostra o lugar que a China ocupa nas indústrias de confecção e a sua implantação nos mercados mundiais. No entanto, com a reviravolta brutal da conjuntura, esta abertura à exportação pode revelar-se penalizadora. As importações americanas de vestuário conheceram, nos 10 primeiros meses do ano, um recuo de 3%, enquanto que as entregas provenientes da China caíram 1%. As importações japonesas de vestuário chinês estão também em queda (menos 3% de Janeiro a Outubro de 2008). Só a União Europeia ainda não foi tocada por este movimento: as suas importações de vestuário provenientes da China aumentaram 6% nos oito primeiros meses de 2008. Por mais que os confeccionadores compensem as consequências da crise na sua actividade, há outros factores que pesam a médio prazo na sua competitividade: a valorização do yuan, que torna as exportações mais caras, o aumento dos custos salariais Os poderes públicos também decidiram apoiar os industriais do vestuário aumentando o reembolso das taxas de exportação, que passou de 11% para 14%. Nestas condições, não é de todo surpreendente que o mercado chinês apareça como uma oportunidade de compensar estas quebras. Com efeito, a par com o seu volume e a progressão do nível de vida dos seus habitantes, o mercado chinês de vestuário torna-se apetecível. Em 2010, vai ocupar um lugar entre os grandes mercados mundiais e deverá mesmo ultrapassar o do Japão. Os gastos com vestuário das famílias chinesas urbanas aumentaram 15,5% em 2007 e atingiram um valor médio de 1.042 yuans (cerca de 100 euros). A população chinesa gosta cada vez mais de moda e não é raro ver os consumidores economizar um mês de salário para adquirir um produto de uma marca conhecida. As marcas ocidentais ocupam o lugar cimeiro, daí que os industriais e distribuidores se baptizem muitas vezes com nomes cuja sonoridade se assemelha à italiana ou à francesa (Bossini, Giordano,). Mas a abordagem ao mercado chinês revela-se tão complexa para as marcas estrangeiras como para os produtores locais. Com efeito, estes últimos têm ainda demasiadas vezes uma abordagem sob o ângulo da produção e negligenciam a análise do mercado e a necessidade de criar um imaginário de marca.