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Gildan incorpora artigos médicos

Com a pandemia, a empresa canadiana começou a produzir batas e máscaras para responder à escassez no mercado. Agora a Gildan pondera incorporar este tipo de artigo na sua oferta, tornando um negócio que parecia temporário numa linha de produtos permanente.

A empresa, que normalmente produz t-shirts, roupa interior e outras peças básicas, encetou a produção de máscaras não-cirúrgicas e batas de isolamento na segunda semana de abril, nas suas unidades produtivas nas Honduras, para ajudar a responder à escassez deste tipo de produto.

No início de maio, com as encomendas a continuarem a cair, a Gildan vê a oportunidade de fornecer os clientes da América do Norte que, até agora, estavam dependentes da Ásia. «De repente tornou-se muito maior do que antecipávamos», justificou o CEO, Glenn Chamandy, à Bloomberg. «Pode tornar-se parte do nosso negócio daqui para a frente», acrescentou.

A produtora foi gravemente afetada pela crise do no coronavírus, sobretudo porque grande parte do seu volume de negócios é resultante da venda de peças de vestuário brancas que são vendidas para estampar, para eventos desportivos ou concertos musicais. As vendas no primeiro trimestre caíram 26% e as projeções para o segundo trimestre são de «uma perda significativa de lucro».

A Gildan planeia fabricar 150 milhões de máscaras e batas nas suas fábricas nas Honduras e na Nicarágua, com uma fiação nos EUA a dever abrir também parcialmente para o projeto, que tem sido documentado nas redes sociais. 95% dos seus cerca de 51 mil trabalhadores, no entanto, continuam em casa.

Produção dos EUA à América Central

A empresa está a vender os produtos a Governos locais e retalhistas, para fornecer organizações ligadas à saúde, especialmente nos EUA. A nova missão suscitou uma relação com grandes empresas de uniformes, que tradicionalmente compram vestuário de proteção na Ásia e não conheciam a capacidade produtiva da Gildan, contou Glenn Chamandy.

A Gildan, que detém também a marca American Apparel, criou uma cadeia de produção mundial que lhe permite competir com a Hanesbrands e a Fruit of the Loom. A empresa transforma algodão em fio nos EUA, envia esse fio para a América Central para confecionar as peças de vestuário e importa essas roupas para os EUA em menos de cinco semanas, garantiu o CEO. Um prazo curto que lhe dá uma vantagem competitiva numa altura em que tem havido dificuldades em assegurar equipamentos de proteção provenientes da China.

«Embora estejamos na América Central, estamos a uma hora e meia de Miami – não é como estar na Ásia, que é um hemisfério completamente diferente», sublinhou Chamandy. «Creio que isso é uma parte importante do nosso sucesso», assegurou.

Para já, a Gildan está a registar um lucro muito reduzido nesta produção de vestuário de proteção, até porque tem oferecido algum. «Se decidirmos tornar isto num negócio futuro, obviamente que teremos de ter um bom retorno económico», concluiu o CEO.