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Gipanolar e Crishome em sintonia

O segredo já não é a alma do negócio e as parcerias são, cada vez mais, entendidas como uma mais-valia para as empresas de têxteis-lar portuguesas. A Gipanolar e a Crishome são exemplo desta onda de sinergias e negócios.

Desde o início que a Crishome percebeu que a união faz a força e, se não fosse pela Gipanolar, provavelmente nem teria chegado a ver a luz do dia. «É uma parceria desde o início. Hoje em dia já se vê muita gente a fazer parcerias. Nós já temos esta parceria há seis anos e não é fácil eles aturarem-me», confessa Cristina Teixeira, CEO e fundadora da empresa especialista em roupa de cama, ao Jornal Têxtil. «Havia alguma confiança entre nós e, um dia, a Cristina disse-me que queria sair da empresa onde trabalhava. Dei-lhe a minha opinião e ela resolveu estabelecer-se», conta, por sua vez. Gil Neiva, CEO da Gipanolar. Nascia a Crishome nas instalações da Gipanolar. «Consegui trazer a Cristina para esta sinergia, mas a partir daí foi ela que me arrastou sempre para o resto», revela o CEO.

Oferta complementar

Crishome
Gipanolar

E o resto é tudo, desde as coleções às feiras e expansão para novos mercados. «Ela desenvolve um produto na linha de cama e nós vamos atrás na linha de banho, a tentar complementar. Ela é fenomenal, ajuda-nos imenso», admite Gil Neiva. «Esta complementaridade do produto ajuda, porque partilhamos contactos», acrescenta Cristina Teixeira. «Normalmente, o cliente que compra cama compra banho e vice-versa. Nem sempre resulta, nem sempre os clientes compram comigo, mas arrastamos sempre um ou outro», adianta a CEO da Crishome.

«Temos vários clientes em comum, que compram cama e depois banho, ou ao contrário. Até atrai o próprio cliente, pois os clientes procuram centralizar tudo quando não têm capacidade para muitos volumes e tentam encontrar uma solução. Eu tenho o cuidado de me apresentar como fabricante de artigo de banho e tenho também sempre o cuidado de referenciar a Cristina para artigo de cama. E quando eu tenho negócios com alguns clientes que precisam de uma coisa e de outra, muitas vezes eu compro a ela a roupa de cama, centralizo tudo numa ata de crédito para não abrir duas, faço a exportação e depois faço contas com ela. E o contrário também acontece. As coisas vão funcionando», explica Gil Neiva.

Outra área em que a parceria tem vindo a ser mutuamente benéfica é na abordagem aos mercados externos. «A Cristina já tinha o hábito de participar em feiras, começou a ir e a dizer para eu ir. Arrastou-me e de lá para cá nunca mais deixamos», assume. «Eu tenho uma visão de que as feiras são muito importantes. Nas feiras encontramos quem não conhecemos. Acho que as feiras são inevitáveis, temos de estar lá», afirma Cristina Teixeira.

Não há duas sem três?

O sucesso da parceria faz com que a Gipanolar esteja mesmo a equacionar adicionar uma terceira empresa ao negócio. «Devia haver mais sinergias. Nós já desafiamos uma outra empresa, que não tem nada a ver com cama nem banho, para expor connosco na Heimtextil mas para já ainda não quis. Pode ser que um dia queira», desvenda Gil Neiva.

A Gipanolar exporta atualmente cerca de 80% de tudo o que produz. «Temos uma parceria com uma fábrica de felpos na zona de Guimarães, onde compramos os atoalhados todos em cru e depois convertemos. A confeção também é subcontratada. O desenvolvimento é que tentamos que seja dentro de portas», esclarece o CEO da Gipanolar.

Luís Gil Neiva e Gil Neiva

Com um ano de 2017 que «não foi mau, mas também não foi bom», as duas empresas partilham também alguma preocupação com 2018. «Para já tem sido ou tudo ou nada. Está a ser um ano difícil embora em termos de faturação esteja equivalente», adianta Cristina Teixeira. «Os primeiros três meses foram terríveis, começou a melhorar e agora esperamos que a coisa se mantenha», refere Gil Neiva. O segredo, acredita Luís Gil Neiva, a segunda geração envolvida na Gipanolar, é manter-se atento. «Temos que estar sempre atualizados e isso, por si só, é um desafio», resume.