Início Notícias Moda

Google ilumina Zac Posen

A moda e a tecnologia desfilaram de mãos dadas na mais recente colaboração entre o designer americano Zac Posen e o gigante tecnológico Google, prometendo iluminar a passerelle, literalmente.

Num auditório lotado do espaço Industria Superstudio Zac Posen apresentou a linha Zac by Zac Posen, dando o pontapé de saída da movimentada Semana da Moda de Nova Iorque. O conjunto final revelou-se diferente de qualquer coisa já apresentada em desfiles passados – e deslumbrou o público. O vestido, de confeção única, revestido de LED, iluminou, literalmente, a passerelle, com luzes brilhando sob a sua bainha.

A peça foi criada com segmentos de LED, cujo brilho produz diferentes padrões, inspirados, explicou Posen, por «Los Angeles depois do escurecer». O designer criou o vestido com a ajuda de Maddy Maxey, uma engenheira de moda e mentora da “Made with Code”, uma iniciativa desenvolvida pelo Google. O vestido foi concebido com um circuito imbuído no tecido, de forma a apresentar diferentes animações.

Posen refere que ele e Maxey colaboraram em todas as etapas do processo. Depois de selecionar o padrão da peça, ambos decidiram como seria disposto o posicionamento do sistema LED. «É um processo longo, do ponto de vista da tecnologia e de uma perspetiva de moda», afirma. «Eu pretendia, claro, que a tecnologia funcionasse perfeitamente, mas estava, também, muito cauteloso sobre qual seria o aspeto final da peça de vestuário», acrescenta. «O meu processo de conceção tem, definitivamente, beneficiado desta experiência e vou continuar à procura da próxima tecnologia que poderá ganhar vida através das minhas criações», continua Posen.

O produto final era não apenas esteticamente aprazível, mas, também, um olhar sobre a experimentação da moda com a tecnologia wearable. Esta tecnologia está na moda, literalmente, e a indústria está a investir amplamente na mesma. O Google, por exemplo, acredita que os wearables irão crescer em importância. Até ao momento, a empresa tem realizado experiências com produtos como o Google Glass e o Project Jacquard, que procura infundir tecnologia nas próprias fibras da roupa.

Isso, no entanto, não altera a persistente falta de mulheres nos diversos campos tecnológicos, como a ciência da computação e a engenharia. Também por isso, a colaboração de Posen com a iniciativa “Made with Code” é tão importante. Esta destaca as possibilidades e o divertimento associado ao uso da codificação, capacitando e incentivando ao envolvimento das jovens na área.

«Muito poucas jovens mulheres veem a informática como uma parte do seu futuro – na verdade, menos de 1% das jovens frequentadoras do ensino secundário selecionam esta área como campo dominante da sua formação», revela Pavni Diwanji, vice-presidente de engenharia do Google. «Devemos investir em melhores formas de incentivar e apoiar o interesse do sexo feminino pela ciência da computação e conectá-las com os pares que compartilham esse interesse», sustenta.

Essa é a razão subjacente à criação da iniciativa “Made with Code” – inspirar as jovens mulheres a aventurarem-se na codificação, descobrindo-a como uma opção viável para o seu futuro. O programa incentiva-as a serem criativas com projetos que utilizam o Blockly, um sistema de codificação visual projetado pelo Google. Com ele, as jovens podem criar gifs, misturar música ou codificar um vestido com LED. Até ao momento, o programa já investiu 50 milhões de dólares em subsídios destinados à ciência da computação, que têm por objetivo ajudar as jovens mulheres a adotarem esta área no futuro.

Maxey, a mentora do “Made with Code”, é assídua no panorama da tecnologia de moda. Com apenas 22 anos, já trabalhou para a Peter Som e Tommy Hilfiger. Venceu o programa da Thiel Fellowship em 2013, que oferece um prémio de 100.000 dólares, permitindo-lhe abandonar a Parsons School of Design como estudante de segundo ano e perseguir as suas ambições empreendedoras. «Com Zac Posen, procurámos mostrar como a codificação pode ligar ambos os mundos físico e digital», afirma Maxey. «Esperamos ser capazes de mostrar o quão inspiradora a codificação criativa pode ser», conclui.