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Gormarti em contracorrente

As peúgas foram o negócio que abriu as portas do mercado têxtil para a Gormarti, mas depressa a empresa se virou para o segmento das camisolas e t-shirts. Agora, com 22 anos de atividade e em contracorrente face à tendência do sector, espera repetir a proeza de 2019 e voltar a duplicar o volume de negócios este ano.

João Martins

«Começamos com peúgas», relata João Martins, sócio-gerente da Gormarti, mas «neste momento, produzimos camisolas e t-shirts». A história da empresa de Barcelos iniciou-se há mais de duas décadas, altura em que as peúgas ocuparam apenas os dois primeiros anos do negócio. «Temos de estudar a possibilidade de mudar o nome porque já não fazemos peúgas», esclarece o sócio-gerente.

Agora, a Gormarti, que internamente conta com a confeção, bordados e acabamentos, além da produção de vestuário seamless, tem uma capacidade mensal que ronda as 20 a 30 mil peças, sobretudo camisolas e t-shirts dirigidas maioritariamente ao sector do desporto. Apresentando uma mão de obra de dez trabalhadores, a empresa fechou as contas de 2019 com o dobro do volume de faturação do ano anterior, atingindo cerca de um milhão de euros.

«Mas este ano queremos duplicar outra vez», regista João Martins, ou seja, chegar aos dois milhões de euros. A estratégia da empresa passa pela contenção de custos. «Sem gastar mais dinheiro temos conseguido duplicar as vendas e fortalecer a empresa economicamente», explica o sócio-gerente. Contudo, confessa que, nos últimos tempos, o maior desafio tem sido estabelecer preços de encomenda que permitam conquistar os clientes. «As grandes [encomendas] não são fáceis de apanhar. Vão todas para a Turquia e a China», argumenta, e as pequenas sofrem uma elevada pressão por causa do preço.

Um negócio de garagem

O crescimento da Gormarti é o resultado de um investimento de 400 mil euros, concretizado há cerca de seis anos, numa nova estrutura. «[Construímos] um edifício novo para a empresa», revela João Martins. «[Passamos] de uns fundos de uma garagem com 160 metros quadrados para [um espaço de] 800 metros quadrados», acrescenta.

Atualmente, a empresa exporta quase 100% da sua produção para França, Inglaterra e Alemanha e, este ano, decidiu ouvir as solicitações dos clientes e marcar pela diferença, através da criação de ponchos para surf. «Surgiu-nos um pedido de um cliente e aproveitamos a oportunidade para trazer a ideia», evidencia.

Além do poncho, a Gormarti apresenta na nova coleção camisolas com tingimentos ecológicos, peças com estamparia digital e materiais reciclados e orgânicos.

Ainda que o objetivo de 2020 seja ambicioso, a empresa não está à procura de novos mercados e a estratégia será dar continuidade ao investimento nos clientes atuais, com um maior reforço para Alemanha e Inglaterra.