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Grafeno cria têxteis mais inteligentes

Ao longo dos últimos anos, encontrar a plataforma e os materiais ideais para criar têxteis inteligentes é um assunto que suscita grande interesse. Recentemente, um grupo de investigadores do Reino Unido descobriu uma técnica inovadora que incorpora o grafeno nos tecidos.

Monica Craciun

Uma equipa internacional de investigadores, liderada pela professora Monica Craciun, do departamento de Engenharia da Universidade de Exeter, no Reino Unido, desenvolveu um método de conceção de fibras eletrónicas que podem ser incorporadas na produção de vestuário quotidiano. Até ao momento, os wearables são desenvolvidos essencialmente através da colagem dos dispositivos nos tecidos, o que usualmente faz com que os tecidos se tornem rígidos e os dispositivos funcionem mal. No entanto, um novo método integra totalmente os dispositivos eletrónicos nos tecidos ao revestir as fibras com componentes leves e duráveis, o que possibilita que as imagens sejam exibidas diretamente no tecido.

O grafeno é considerado, atualmente, o material mais fino e com maior capacidade de conduzir eletricidade, sendo altamente flexível, ou seja, apresenta propriedades essenciais para o vestuário, considera a equipa de investigadores. «Para criar wearables é vital que as componentes possam ser incorporadas dentro do material e não simplesmente adicionadas ao mesmo», afirma Monica Craciun, coautora da investigação, ao Sourcing Journal.

A nova técnica emprega fibras de polipropileno, que são comuns em aplicações comerciais na indústria têxtil, para unir estas novas fibras eletrónicas com base em grafeno, com o objetivo de criar dispositivos com sensor tátil e que emitem luz. «Esta descoberta abre um novo caminho para os têxteis inteligentes e, num futuro próximo, terá um papel central em muitos campos», assegura Elias Torres Alonso, cientista, investigador na Graphenea e antigo estudante de doutoramento da equipa de Monica Craciun, na Universidade de Exeter. «Ao incorporar o grafeno no tecido, criámos uma nova técnica para uma integração total de dispositivos eletrónicos nos têxteis», explica.

Por sua vez, Saverio Russo, docente do departamento de física, também coautor do estudo, revela que «a incorporação de componentes eletrónicas nos tecidos é algo que os cientistas tentam fazer há vários anos. Este novo método é realmente decisivo»,. Segundo os investigadores, a descoberta constitui um grande passo para os wearables, já que pode ser estendida a uma vasta gama de aplicativos diários, bem como para dispositivos de monotorização de saúde.

Um material que melhora a performance dos têxteis

A descoberta surge numa altura em que o grafeno começou a surgir em produtos têxteis. No ano passado, a Directa Plus, uma produtora e fornecedora de produtos que têm como base o grafeno, assinou um acordo de colaboração com a Arvind Ltd, uma das produtoras líder de têxteis da Índia, para infundir os benefícios da alta performance dos produtos da Directa Plus nos seus tecidos denim.

Arvind e Directa Plus

A Directa Plus refere que os seus produtos com base em grafeno podem ser usados para alterar ou melhorar as propriedades dos tecidos denim convencionais, para criar vestuário inteligente com diferentes usos e contextos.

De igual modo, a Inov-8 uniu-se a cientistas da Universidade de Manchester para usar grafeno em sapatilhas de corrida. A marca britânica escolheu incorporar o material no calçado porque os testes laboratoriais mostraram que, com a aplicação de grafeno, a borracha das sapatilhas tornava-se mais elástica e durável.