Início Notícias Calçado

Grandes marcas pouco sustentáveis

As marcas de maior dimensão estão a ter dificuldades em ampliar as suas iniciativas ambientais e de responsabilidade social, o que, por sua vez, está a abrandar a evolução da indústria da moda rumo à sustentabilidade, segundo o relatório Pulse of the Fashion Industry de 2019.

O inquérito anual acerca da performance ambiental e social da indústria revela que o progresso da indústria da moda no âmbito sustentabilidade abrandou um terço em relação ao ano passado e não está a evoluir a um ritmo suficientemente rápido para combater «o impacto prejudicial» do crescimento acelerado da própria indústria. A análise, realizada pela Global Fashion Agenda (GFA), a Boston Consulting Group (BCG) e a Sustainable Apparel Coalition (SAC), dá o alerta que, a não ser que a tendência atual melhore, a moda continuará a contribuir ativamente para as alterações climáticas. Deste modo, aumenta-se o risco de não atingir o objetivo definido no Acordo de Paris, de delimitar a subida da temperatura média global em 1,5º C até ao final do século XXI. Em 2019, o Pulse Score aumentou quatro pontos, de 38 para 42 (em 100). Em 2018, cresceu seis pontos. Por consequência, o progresso quantificável em relação ao ano passado diminuiu.

Embora a indústria tenha, de algum modo, progredido, no sentido de atingir uma performance social e ambiental mais positiva, a mudança está a decorrer a um ritmo mais lento do que nos últimos anos. As melhorias advieram maioritariamente dos rápidos progressos das marcas que estão nos anos iniciais da sua jornada ambiental e colocaram em prática medidas fundamentais, refere o relatório. Contudo, o progresso, segundo o estudo, abrandou entre as maiores empresas, que devem agora melhorar os seus prejudiciais modelos de negócio e tomar proveito das tecnologias inovadoras.

O Pulse of the Fashion Industry aponta que o ritmo a que estão a ocorrer mudanças positivas não vai de encontro ao crescimento esperado na indústria da moda. As estimativas sugerem que, em 2030, a indústria global do vestuário e calçado terá crescido 81%, para 102 milhões de toneladas, colocando uma pressão sem precedentes nos recursos do planeta. Se o Pulse Score da indústria permanecer na atual trajetória, o diferencial continuará a aumentar e as consequências do aumento da produção irão tornar-se ainda mais difíceis de ultrapassar, afirma o relatório.

O documento aponta igualmente que «algumas grandes empresas implementaram práticas sustentáveis promissoras que o Pulse Score não mede atualmente. Nesse sentido, o seu impacto não esta incluído na pontuação».

Consumidores mais sensíveis

A sensibilização para práticas ambientais e sociais está a aumentar entre os consumidores e um terço dos inquiridos garante que alterou as suas preferências de marcas, tendo como base a responsabilidade social e ambiental das mesmas. Ao WGSN, Sebastian Boger, sócio da BCG, declara que «é muito encorajador ver, finalmente, uma mudança nas preferências dos consumidores. A nossa investigação mostra que a sustentabilidade está a deixar de ficar em segundo e a passar para primeiro lugar no que diz respeito aos fatores que influenciam as compras». No entanto, a sustentabilidade ainda não é uma consideração essencial nas decisões de compra, explica o estudo.

A importância de colaborar

O relatório defende que os governos e as empresas devem colaborar estreitamente e os investidores devem incentivar os beneficiários dos seus investimentos a melhorar as suas práticas sociais e ambientais.

«Estas revelações enfatizam a necessidade de toda a indústria se juntar nesta jornada e acelerar a mudança», sublinha Morten Lehmann, diretor executivo para a sustentabilidade da Global Fashion Agenda, ao just-style.com . «Ampliar as soluções existentes irá depender das marcas. Não obstante, algumas mudanças transformadoras exigem uma colaboração entre governos e stakeholders», acrescenta.

Já Amina Razvi, diretora executiva da Sustainable Apparel Coalition, assegura que «para atingir a mudança necessária, devemos colaborar e assumir compromissos para pôr fim às práticas prejudiciais da nossa indústria. Temos que nos esforçar mais, através de uma estratégia comum e aumentar as melhorias na performance sustentável a nível mundial».